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Diário da Janja #10

Janja: “O que ‘Melania’ revela sobre o nosso mundo”

JANJA MELANIA
Detalhe do cartaz do documentário "Janja", dirigido por Petra Costa (Foto: Grok)

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Querido diário,

Vou te contar uma coisa. Uma transverdade. Mas fica entre nós, hein? É que o Polzo (sabe o Polzo?) também viu aquele documentário que eu e você vimos escondidinhos no cinema do palácio, sabe? Como não sabe, diário? O “Melania”! É, aquele da Amazon, que custou 40 milhões de dólares e que tá com nota 1,5 no IMDB. Hehehehehe.

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Sei disso porque ele me mandou um texto sobre o documentário e eu disse pra ele que, cara, tipo, esse texto tá tão esquerdista que eu mesma poderia ter escrito. Ele respondeu: “Ok”. Sei lá o que isso significa.

Lugar esquisito

Pra você ter uma ideia, ele começava dizendo que “Melania” revela muito sobre o nosso mundo. Sim, nosso mundo. Ele só podia estar brincando. Do meu mundo, sim, talvez um pouco. Mas só porque eu também sou primeira-dama.

Aí ele vinha com aquele papinho mole de mundo interior e do vácuo que a gente tenta preencher com poder, prazer e luxo. Tudo muito dramático e invejoso. Coisa de quem não sabe o que é poder, prazer nem luxo.

Sinceramente? Em que mundo esse sujeito vive?! Não no meu. Nem no da Melania. Ele deve viver na Polzolândia. Lugar esquisito.

A Tarsila deles

Mas é claro que eu não vou elogiar “Melania”, né? Nem o filme nem a mulher, que é linda mas eu sou mais. Tenho meus encantos. E não são poucos. Todos os meus amigos dizem isso.

Aliás, já te contei que o filme custou tipo uns 40 milhões de dólares. Será que o Waltinho emprestaria isso pra Petra Costa filmar euzinha um dia? Mas tem que ser logo.

Sobre o filme, tem umas cenas que, não vou negar, lembram o meu governo. Digo, o governo do Meu Marido. Tem uma hora que o Trump tá assim meio breaco e faz um comentário bem do tipo que o Meu Marido faria sobre um quadro do Monet.

Como assim “que Monet”? O Monet, ora! O Monet é a Tarsila do Amaral dos estadunidenses, diário querido e ignorante.

Butantã

Tem as portas douradas, os vestidos, a abundância, a opulência. E a formalidade, falsidade e frieza típicas do capitalismo opressor. Quase dá pena da Melania. Quase. Se ela não fosse tão branca, tão alta, tão rica, tão...

Tem a cena da posse também. Nessa hora eu disse pra mim mesma que, se a Melania mordesse a língua, era melhor ligar pro Instituto Butantã. Aí lembrei que os EUA não têm SUS. Nem Instituto Butantã.

Mulher fria, aquela. Falta o molejo brasileiro da Janjinha aqui. Falta também um diploma em sociologia. Por falar nisso, não gostei nada da Brigitte conversando sobre causas sociais com a Melania. Quem ele, digo, ela (sempre confundo) acha que é? Vou reclamar com o Macron.

Tecidos e narrativas

E tem também os vestidos. Mas me pergunta se algum dos vestidos que a Mê usa no filme é feito com matéria-prima genuinamente estadunidense? Claro que não. É muito tecido e pouca narrativa. Porque, de novo, a Melania não é a Janja.

E eu sou mais eu. Tanto que vou pôr um ponto-final aqui e ligar pra ela. Dar umas dicas de emponderamento feminyne e tal. Se bem que eu e o Meu Marido vamos viajar pra gringa e daí eu falo na cara dela. Melhor, né?

Du-vi-do

Mas, antes, olha só o que o Polzo tinha escrito no texto dele, diário: “(...) o problema não é Trump-Melania ou Lula-Janja, nem direita e esquerda, nem capitalismo e comunismo. O problema é o vazio do nosso tempo. Um vazio preenchido por uma abundância (material e de informações) sem sentido numa vida igualmente sem sentido”.

Se eu tivesse entendido alguma coisa, diria que é cafona.

Agora vou lá que o Meu Marido tá me chamando pra dar pitaco na taxa de juros, na guerra do Irã, no Lulinha e no STF. Duvido que o Trump faça isso. Du-vi-do.

Um beijo com afetos & saberes da
Janja

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