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Que eu não gosto de Machado de Assis, você que me lê assiduamente já sabe. Tampouco gosto de Van Gogh, você fica sabendo agora. Um dia explico por quê. Nas férias, lembrei que não gosto de barreado – para a revolta dos meus amigos todos cheios de orgulho pela gororoba típica do Paraná. Não gosto de David Bowie. Nem de Rolling Stones Tentei gostar, mas não gostei e até detestei um pouquinho. Enfim, sou um chato e não gosto de muita coisa. Mas na crônica de hoje vou falar que não gosto mesmo é do joinha.
O joinha é aquele emoji de positivo. Aquele com o dedão levantado. Se não gosto? Odeio. Sou desses e não estou sozinho. Vi em algum lugar que a Geração Z, inegavelmente a mais sábia de todas, interpreta o emoji de joinha como uma resposta fria, seca, irônica e passivo-agressiva. Ou todas as alternativas anteriores. Nessa, tô com os jovens. Para mim o joinha é tipo um dar de ombros. Ele tem um quê de desprezo. Como se a outra pessoa dissesse: “É, é, é. Legal isso que você falou. Agora sai daqui e me deixa em paz”.
<3
Não é. Sei que não é. No entanto, é como tendo a interpretar os joinhas que recebo. A maioria de boa fé e uns tantos de provocação. O problema (problemaço!) é que faltam alternativas. Eu mesmo fico constrangido por curtir ou apenas dar ciência das mensagens alheias com o velho e bom <3. Digo, tem horas em que cabe e tem horas em que não. Tem também aquele emoji das mãozinhas que eu nunca sei se é de agradecimento ou oração. Talvez seja as duas coisas. Graças a Deus. De toda forma, acho um tanto quanto exagerado. Se bem que combina com meu espírito hiperbólico.
De volta ao famigerado joinha, fico me perguntando se dá mesmo mais trabalho responder ou apenas dar ciência da mensagem alheia com um “obg”, “blz” ou “vlw”. Dá? Mas esse sou eu. Hipersensível ao joinha, a ponto de vir aqui e abusar da sua paciência com esta crônica que terá mais reações negativas do que positivas. O porquê ainda o estou investigando. Talvez seja por causa de traumas insondáveis. Muito provavelmente por frescura, excentricidade, idiossincrasia. Estou ficando velho. Certas coisas me irritam assim, do nada.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



