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A campanha “Meu Amigo Flávio” é um sucesso.
Tudo começou com o comediante Murilo Couto. Flávio Bolsonaro começou a segui-lo numa rede social e ele fez uma música rindo disso. Uma música “depreciativa”, na visão estreita de uma bolha chata, da qual eu jamais seria amigo. Uma música engraçada, para qualquer pessoa normal.
Querem chiclete ?
— Pitanga (@cida11081952) February 8, 2026
MEU AMIGO FLÁVIO
pic.twitter.com/BDBZDUMqhQ
Critério da amizade
Aí os gênios do marketing digital resolveram aproveitar o gracejo para lançar a campanha “Meu Amigo Flávio”. A ideia é tão simples que me pergunto se não é simplória: criar uma imagem mais simpática do senador. Como se ele fosse nosso amigo. Ou como se a gente fosse amigo dele, sei lá. Na bolha, está dando supercerto. Fora da bolha, já não tenho tanta certeza.
Agradeço, contudo, aos marqueteiros e ao próprio Flávio. Porque este talvez seja um bom (o melhor!) critério para votar no próximo dia 4 de outubro. Pergunte-se: esse candidato seria meu amigo, meu chapa, meu bróder, meu parça? Serve para todos os cargos em disputa. De deputado estadual a presidente.
Meu amigo Lula
Pense no Lula, por exemplo. Mas tente, por favor, pensar no Lula como um cara normal. Se bem que, aos 80 anos, um cara normal jamais se candidataria a presidente – e pela quarta vez! De qualquer modo, use o que resta da sua imaginação. Se esforce aí, vai.
Você receberia o Lula em casa, faria churrasco para ele, ofereceria sua melhor cachaça? Você se sentaria com ele no bar, ouviria os causos, riria das piadas sem graça, trocaria sem medo opiniões pra lá de politicamente incorretas? Você apresentaria sua irmã a ele? Você passaria a noite jogando videogame com ele? Você daria broncas e xingaria e ouviria broncas ou até um xingamento – e continuaria amigo, na boa, como se nada tivesse acontecido?
Meu amigo Flávio
Agora é só fazer as mesmas perguntas, mudando apenas os personagens. Você receberia o Flávio Bolsonaro em casa? Faria churrasco, ofereceria cerveja? E tão importante quanto: será que na sua presença ele beberia animadamente, por obrigação ou seria daqueles que apenas fingem beber, porque não sabem lidar com a vulnerabilidade etílica?
Agora a prova de fogo de qualquer amizade: a da zoeira. E se você fizesse uma brincadeira com aquela vez, lembra?, hahahahaha!, cara, aquilo foi muito engraçado, desculpa, em que Flávio Bolsonaro quase desmaiou num debate? Ou então imagine que vocês estão no bar e você propõe rachar a conta. Hein, hein? Seria deboas ou ficaria um climão?
Meu amigo Murilo Couto
Realmente é um bom critério, esse da amizade. E, levando em consideração os envolvidos na disputa por todos os cargos, talvez seja o melhor. Porque o critério da amizade humaniza ao levar em consideração as afinidades eletivas, reais e imaginárias, entre você, um ser humano, e o candidato, outro.
O que, num cenário eleitoral tão contaminado pelas emoções, talvez seja um critério mais honesto e que combina mais com o espírito do brasileiro do que a gente ficar aqui fingindo que fazemos escolhas racionais e pragmáticas. Que só nos importam as ideias. Ideias... Ora, ideias.
(Do Murilo Couto eu seria amigo fácil).
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