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| Ricardo Stuckert/Instituto Lula
A cobiçada e temida faixa presidencial que Lula vestiu por 8 anos. Deu no que deu.| Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Está cada dia mais difícil acreditar nas pesquisas. Até o argumento razoavelmente sensato de que “as pesquisas não fazem previsão; elas são um retrato do momento” soa razoavelmente insensato quando se constata que o líder nos gráficos não sai às ruas e reúne só uns gatos pingados a soldo de sindicatos nas celebrações do Dia do Trabalho.

Ainda assim, a possibilidade de nossos compatriotas elegerem um ex-presidiário paira sobre o país como uma ameaça vermelha. E causa calafrios em quem antevê a repetição de escândalos em série, bem como o recrudescimento do fundamentalismo identitário. Sem falar no desastre econômico. Já disse aqui que Lula candidato a um terceiro mandato é uma boa notícia, porque temos a oportunidade de mostrar que, apesar dos muitos defeitos, ainda somos uma sociedade que preza pela honestidade. Mas quem tem olhos de ler e ouvidos de ouvir as bobagens que Lula vem proferindo tem também medo.

A extensão desse medo varia de pessoa para pessoa. Há quem tema não só a corrupção e a crise econômica decorrente da estupidez unicampista que orienta o PT, mas também perseguição e ostracismo. Há os que vão além e temem a construção de campos de concentração na Amazônia, quando não balas na nuca e valas comuns. E é este medo, em maior ou menor grau, que está na raiz da beligerância política que toma conta de qualquer conversinha de boteco hoje em dia.

Se tenho medo? (Obrigado por perguntar). Não muito. Digo, tento manter o que me resta da sanidade. Além disso, me vejo como um homem comum e politicamente insignificante. Como tal, sou impotente diante das grandes decisões. Se os piores pesadelos se concretizarem, a começar pela eleição do ex-presidiário, só me restará reagir a eles da melhor maneira possível. Deter a marcha da história é missão de santos ou lunáticos – e eu não sou nem uma coisa nem outra.

Com licença

Mas peço licença para retomar a pergunta do título: o que você fará se o Lula (toc, toc, toc) ganhar as eleições? Tem gente que jura que vai embora do país. Outros prometem resistir e sair às ruas. E acredito que a maioria dos que me leem provavelmente usará as redes sociais para expressar toda a sua indignação com uns xingamentos bem cabeludos. No caso de uma vitória de Lula (toc, toc, toc), não existe a menor possibilidade de o resultado não ser contestado.

E, no entanto, não apostaria minhas parcas economias em nenhum tipo de convulsão social, golpe, insurgência, guerra civil ou coisa do gênero. O mais provável é que o homem de bem, trabalhador, pagador de impostos e temente a Deus vai reclamar e usar todo um dicionário de termos chulos para expressar sua indignação. Mas, porque se sabe impotente e porque precisa pôr comida na mesa, dormirá o sono dos justos e, na manhã seguinte, pegará o busão para o trabalho com o mesmo ânimo de alguém que, no dia anterior, foi ao estádio para ver o time perder pelo placar de 7x1.

De minha parte, se o desastre se confirmar imagino que vá ficar mal-humorado por uns dias. Ou meses. Ou quatro anos. Mas não me descabelarei – até porque me falta cabelo. A uma distância segura, acompanharei o desenrolar da história, sempre atento às possibilidades de transformar o caos político em reflexão e, com sorte, crônica. E mesmo ao lado do carrasco tentarei manter algum otimismo. Apesar de todo o sofrimento, talvez um terceiro e retumbante fracasso da esquerda seja o que falta para finalmente aprendermos a não cair na lábia da serpente.

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