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Polzonoff

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Transformando em crônica heroica o noticiário de cada dia.

Já?

Você já parou pra pensar?

PARAR PARA PENSAR
Esta é uma crônica contemplativa. Um um manifesto em defesa da vida interior, Do gesto aparentemente simples de pensar. (Foto: Grok)

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Eis o luxo comum a todos. Aquele que, um tanto por orgulho e outro tanto por burrice, desperdiçamos reagindo ou nos embriagando de distrações: parar um tempinho para pensar. No quê? Na vida, ué! No que fizemos de certo e no que fizemos de errado. Na possibilidade de se arrepender e quem sabe até pedir perdão. No presente e no futuro, mas não com ansiedade. Até porque o futuro virá ao seu encontro de uma forma ou de outra, meu amigo.

Pensar. Em tudo e qualquer coisa, mas não naquilo que os outros dizem que importa. Parece tão simples. Refletir sobre refletir sobre refletir. Talvez ao som de uma cachoeira, mas não na cachoeira. Pensar olhando as estrelas. Projetar o pensamento para frente e para trás. Para os lados, inclusive o outro. Conversar com aquilo que se é, que se foi e que se pretende. Sem querer chegar a conclusões definitivas, sabe? Sem reagir ao espírito do tempo que tanto nos assombra. Simplesmente pensar e, em pensando, se descobrir um tiquinho ou muito diferente da imagem que fazem de você. Que você faz de você. De mim. De nós.

Pedra

Uma vez, aliás, fiz esta pergunta aos amigos: você já parou (parou mesmo, ficou imóvel, o olhar perdido, hipnotizado pela existência) para pensar? E mais: você sente prazer em pensar? É, prazer. Uma coisa assim física. Uma espécie de cosquinha só de imaginar os neurônios como se fossem uma árvore de Natal iluminando a fantasmagórica caverna craniana. Você já parou para pensar que pode visitar Marte só de ler a palavra “Marte”? Que você pode conversar com um homem das cavernas ou com alguém que nem nasceu ainda? Sim, agora mesmo! Ah, pensar. Só por pensar. Pela brincadeira. Pela diversão.

Este é um exercício que faço sempre que posso, ainda que raramente me lembre: pego da rua uma pedra e fico olhando para ela. Só olhando. Sem medo de parecer mais louco do que já sou. Às vezes levo sorte e a pedra vem com uma formiga. Olho as arestas, as reentrâncias; o peso e a textura. Se me dá vontade, até cheiro a pedra. A pedra sendo apenas pedra e mais nada. E penso sobre a pedra e fico feliz por não ser pedra. Tamanha a generosidade de Deus!

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