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Polzonoff

Polzonoff

Transformando em crônica heroica o noticiário de cada dia.

Metal frio

A paz invadiu o meu coração

PAZ POLÍTICA
Estou em paz. Paz estranha. Queria que você também estivesse. (Foto: ChatGPT)

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Escrevo esta crônica tomado pela paz. Uma paz estranha. Uma paz cuja estranheza só aumenta em meio a tanto medo, muito medo, e visões de futuro entre o catastrófico e o apocalíptico. Paz no meio da brigalhada, das mentiras, da luta de foice no escuro. Um tentando provar ao outro que está certo, que tem mais razão, que se você não concordar comigo você é um burro, idiota e principalmente mau-caráter. E eu nessa paz que não sei explicar, mas sei que não vai durar muito. Afinal, a paz é frágil. Vem e vai.

Avanço pela Rua XV. Ando nas nuvens em meio à panfletagem política. Os vermelhos se identificam pela cor. Os outros são os outros. Ambos os lados querem se destruir, mas não ousam. Se contêm. Há uns olhares assim meio atravessados quando rejeito o papelzinho que quer me convencer – de quê? Todos ali se juram capazes de mudar esta porçãozinha de mundo para melhor, sempre para melhor, de acordo com sua vontade e seu conceito do que é melhor. Não sei se me entendem: há uma beleza melancólica por trás disso. Ecos do Jardim do Éden talvez.

Eu pensei em mim, eu pensei em ti
Eu chorei por nós

Em paz. Queria tanto que você a sentisse também. Ela que me acompanha nos últimos dias. Inexplicável e até um pouco incômoda. Um carinho do meu anjo da guarda. Respiro fundo, o mais fundo que consigo, e meus pulmões se enchem de ar e paz quando vislumbro o paraíso que uns prometem e o caos que outros tanto temem. Somos humanos, ridículos em nossas pretensões. E no nosso medo. Adiante, amanhã mesmo, há uma cruz. E outra e outra. E todas são manifestações às vezes incompreensíveis do amor de Deus. Queria tanto que... Mas quem sou eu para querer alguma coisa?

O vento quente do veranico primaveril me estapeia a face. Não sei por que estou nessa de querer entender a paz que tomou conta de mim. A paz que nesta crônica transborda. É para transbordar. Só sei que, o que quer que aconteça, a gente enfrenta. A gente suporta. De qualquer forma, não vai ser sem dor e um tiquinho de decepção. Queria te tranquilizar. Dizer que você é maior do que isso e que os monstros são do tamanho exato que nós que os criamos em imaginação. Somos nós que damos a eles o poder de nos destruir. Paz é saber que não há outro caminho a não ser suportar o metal frio que nos dilacera a carne.

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