

Como tem pedinte nas ruas de Curitiba. A cada esquina, a cada semáforo, alguém me aborda.
– Moço, tem um real?
– Ih, chefe, tô zerado… – respondo sempre com o polegar pra baixo, não sem antes fingir buscar nos bolsos ou no painel do carro algum tostão furado que sei que nunca tenho.
Todas as noites quando saio do jornal sempre tem alguém no meu caminho até o ponto de ônibus pedindo um dinheirinho para voltar pra sua cidade. A história é sempre a mesma. O caboclo veio lá dos cafundós do Judas para tentar a vida em Curitiba ou para um tratamento médico, que nunca deu certo. Não se sabe como, perdeu toda a grana que tinha. E sempre – sempre, sempre, sempre! – “faltam só alguns trocadinhos para inteirar a passagem de volta”.
Quando digo que não vou dar dinheiro e sim ligar pra Fundação de Ação Social para ajudá-los a voltar pra casa, fogem como o diabo da cruz. “Não, não, moço, deixa que eu me viro…”, é a resposta que sempre ouço. No mínimo, estranho.
Por isso simpatizo com esses pedintes que jogam às claras. Acho muito mais honesto esses sujeitos que te abordam na rua ou no sinaleiro e pedem com a maior naturalidade:
– Moço, tem uma moeda? Não vou mentir pro senhor, é pra cachaça mesmo.
Não dou esmola porque tenho comigo que não são alguns trocados que mudarão a situação dessas pessoas. Pelo contrário. Só criam um vínculo cada vez mais forte dessa gente com a rua, onde conseguem relativamente fácil o dinheiro para o álcool e, muito pior, para o crack. Misturado à incompetência do poder público em prestar assistência para recuperar e tirar essas pessoas das ruas, temos um exército cada vez maior de pedintes a cada esquina.
Diante desse quadro lastimável que vivemos, só nos resta o bordão de rir pra não chorar. Como meu amigo André Amorim, que me saiu com essa esses dias, ao ser abordado por um sujeito que pedia um trocado pra cachaça:
– Olha aqui, rapaz, tô te dando essa moeda, mas como você disse, é pra comprar pinga. Se eu te vir por aí com um pedaço de pão na mão, vai ter! Ah, se vai! – entregou a esmola ao pedinte, que saiu rindo com o tostão de humor que recebeu.



