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Dor de cotovelo: um estado quase insano em prol do desejo do outro

O “x” da questão é que não somos preparados para os relacionamentos. Precisamos de alfabetização emocional, assim teremos o melhor de nós mesmos e, consequentemente dos outros. Amar se aprende, sim! É uma arte conquistar alguém e estabelecer um relacionamento duradouro e feliz.

Há uma historinha que diz: “Havia criaturas que eram muito grudadas – com quatro pernas, duas cabeças, um pênis e uma vagina. Eram completas, felizes. Tão felizes que provocaram a inveja de Zeus, que, com um raio, as separou em duas pessoas: um homem e uma mulher. Mas com a maldição de que uma metade jamais encontraria a outra”. Quando a paixão se apodera do coração a pessoa tem a ilusão de que encontrou essa metade. Quando ocorre a ruptura do vínculo amoroso se dá a perda de si mesmo.

Todo mundo que ama está sujeito a passar por maus momentos por causa de uma separação. Não importa quem tomou a iniciativa, o fato é que não existe separação sem dor e nem sempre é possível antever as emboscadas escondidas em promessas sedutoras, porém, muitas vezes, vazias, sem nenhum conteúdo.

Um sofrimento difícil de ser explicado, compreendido e, principalmente, sentido.
Com a alma e o coração partidos, as feridas emocionais arranham a autoestima e o amor-próprio. A raiva e a tristeza se apoderam da nossa vida e nos enfraquecem, destroem nossos sonhos, devoram o nosso entusiasmo e paralisam a nossa vida.

Durante esse período difícil cada um busca uma fuga para aquietar o coração: remédios, bebidas, noitadas, excesso de trabalho, jogos de azar ou o ombro dos amigos. Outros preferem prolongar o sofrimento relendo e-mails, lembrando do perfume, da música favorita, das juras de amor.

Na dor de cotovelo, a saudade gera sofrimento. Deitamos e acordamos com uma imensa dor no peito. Sem nos conscientizarmos vamos minando nosso ser com amargura, revolta, ressentimento, rancor, remorso, inveja, ciúmes e culpa. Amargurados, frustrados e com uma imensa bagagem de feridas emocionais por um bom tempo o coração estará fechado para o amor. As dificuldades são ainda maiores quando existiu traição. Quem passa por isso sabe que fica ainda mais difícil superar a separação quando além do fim da relação, a pessoa precisa vencer a crise de baixa autoestima e a dor de ter sido trocado por outro alguém.

Tainá, arquiteta, 30 anos, esta passando por uma situação incomoda e dolorosa. Acaba de descobrir que seu namorado mal terminou com ela e já está de namorada nova. Sempre acreditou que ele era a sua metade. Os amigos tentam consolar apostando na reconciliação. “A dor de cotovelo acaba com meu sono, com a minha paz e esta minando minha autoestima”, diz.

Só o tempo é capaz de suavizar as dores. Dor de cotovelo dói, sim! Ninguém está imune. Vale chorar, ter recaída, noites mal dormidas, sentir falta da presença, do beijo, do toque e até das brigas. Só não vale arrumar outra pessoa para se vingar.

A dor de cotovelo não escolhe status, idade, estado civil e nem beleza física.
A impossibilidade do amor correspondido dificulta o perdão, acentua o sentimento de vingança e com isso fica difícil se libertar da dor.

As experiências dolorosas do passado são parte integrante da nossa vida. O tempo passa independente da dor e do sofrimento. Cabe a cada um encontrar um jeito de não se destruir. Quem escolhe inconscientemente o perigoso caminho da autodestruição só conseguirá sair da bebida, dos vícios e jogos de azar com a ajuda de um profissional.

As emoções de alegria e de entusiasmo pela vida morrem, temporariamente, e dão lugar aos sentimentos de incredulidade, impotência e de injustiça. A vida é feita de ganhos e perdas, alegrias e tristezas. Sabemos lidar bem com as alegrias e com os ganhos. No entanto, nos sentimos frágeis diante das tristezas e perdas.

Perdemos amigos, parentes e amores. A perda por morte é terrível, mas a perda de um grande amor faz sangrar o coração. É difícil juntar forças para elaborar a perda e prosseguir a vida. Quase sempre a destruição amorosa leva à depressão porque o abandono deixa o outro com a impressão de que a vida perdeu o sentido. Esse é o grande “nó” das relações de paixão: colocar o outro como responsável pela própria felicidade. Na verdade, a pessoa amada nada mais é do que a co-autora dessa história.

Tem gente que sai de um relacionamento e, rapidamente se prepara para um novo encontro amoroso. Quem carrega mágoas e feridas emocionais, certamente, ficará com medo de entrar num novo relacionamento. Muitas pessoas saem da rota do amor por anos a fio e canalizam a energia para o trabalho. Há quem busque na ajuda terapêutica o equilíbrio para virar a página e recomeçar. E, muitas vezes, para recomeçar com o ex-amor. Por que, não? Quando existe a esperança de reconciliação, é importante esquecer o orgulho e estar aberto ao diálogo.

Gostar de si mesmo abre o caminho para o amor.

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