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Roberto Motta

Roberto Motta

Economia

A responsabilidade social das empresas

Em seu livro A Riqueza das Nações, Adam Smith explica como o esforço do indivíduo para melhorar sua própria vida resulta no enriquecimento e bem-estar de todos. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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"Existe uma e apenas uma responsabilidade social das empresas – usar seus recursos e se envolver em atividades que aumentem seus lucros, mantendo-se dentro das normas vigentes, promovendo uma concorrência livre e aberta, sem enganar terceiros e sem fraudes." Milton Friedman disse isso há muitos anos em um artigo, The Social Responsibility of Business Is to Increase Its Profits, e essa frase continua verdadeira. Apesar disso, vivemos em uma época em que economia de mercado e concorrência são denunciadas como causas de opressão e desigualdade em todo o mundo, e se fala em DEI, ESG e “responsabilidade social” das empresas.

Vários pensadores nos alertam para o truque de colocar "social" na frente de palavras comuns, roubando-as de seu significado original e transformando-as em ferramentas de demagogia e populismo, sempre com o objetivo de enganar o pobre e extorquir o rico. Jonathan Haidt, no livro The Righteous Mind, fala das diferentes percepções de valores nas culturas individualistas ocidentais versus as culturas coletivistas orientais – diferenças essas que, às vezes, impedem pessoas inteligentes de ver o óbvio: foi o sistema capitalista que permitiu o maior avanço no padrão de vida da humanidade. Esse processo, que começou com a Revolução Industrial, impulsionou avanços científicos, melhorias sanitárias, aumento da produção agrícola e redução nas taxas de mortalidade. Entre 1800 e 2015 a população mundial saltou de cerca de 1 bilhão para mais de 7,3 bilhões de pessoas.

A busca do indivíduo por uma vida melhor é o que move a humanidade para frente, e não decretos governamentais ou medidas politicamente corretas desprovidas de significado real

Em seu livro A Riqueza das Nações, Adam Smith explica como o esforço do indivíduo para melhorar sua própria vida resulta no enriquecimento e bem-estar de todos. Nas palavras de Smith: “O esforço natural de cada indivíduo para melhorar sua própria condição, quando se permite que ele atue com liberdade e segurança, constitui um princípio tão poderoso, que, por si só, e sem nenhuma outra ajuda, é capaz de levar a sociedade à riqueza e à prosperidade”.

O padeiro faz o pão para ganhar dinheiro e melhorar a sua vida. Mas é graças a isso que você pode comprar o pão quentinho todos os dias. O esforço do padeiro para melhorar a sua própria vida acaba resultando na melhoria da vida de todos. Ou, como diz Smith: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse”.

Essa é a famosa "mão invisível" do mercado, um termo criado por Adam Smith para descrever como o livre mercado pode incentivar os indivíduos: agindo em seu próprio interesse eles produzem o que é socialmente necessário.

Os argumentos de Adam Smith para refutar a proposta de uma economia dirigida pelo Estado são claros: o aumento do bem-estar e da riqueza são frutos da ação individual de milhares de indivíduos, cada um buscando o seu próprio progresso. Não é necessária a existência de uma entidade que faça um planejamento central, que diga a cada pessoa o que ela precisa fazer, ou como ela deve viver a sua vida. Ao contrário; é a busca individual por satisfação e progresso que resulta no aumento da riqueza e do bem-estar coletivo.

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A mesma coisa se aplica a empresas.

A busca do indivíduo por uma vida melhor é o que move a humanidade para frente, e não decretos governamentais ou medidas politicamente corretas desprovidas de significado real.

Os resultados gerados pelas empresas – lucros, empregos, investimentos – possibilitaram a criação do Estado moderno; são os lucros, pagos na forma de impostos, que financiam o governo e tornam possível a liberdade que consideramos direito adquirido. As empresas pagam, através dos seus impostos, até os salários de alguns dos seus maiores críticos, os professores das universidades públicas.

A verdadeira responsabilidade dos empresários e gestores é administrar negócios bem-sucedidos e cumprir as regras.

O resto é cortina de fumaça.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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