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Já fazia quase três meses que chovia sem parar no Rio de Janeiro. O clima fornecia o cenário adequado para o sentimento de muita gente. Mais uma vez, a política parecia uma atividade inútil, ou até danosa, destinada a estabelecer e manter a exploração do cidadão comum por uma casta privilegiada.
Ninguém aguentava mais.
No cenário nacional a escolha é clara: do lado esquerdo está o projeto de poder do PT, que estabeleceu um monopólio na esquerda. O poder desse monopólio, por sua vez, é concentrado nas mãos de um único personagem, cuja carreira política vem da década de 1970 e que tenta agora o seu quarto mandato presidencial. O PT oferece ao seu eleitor o cardápio da esquerda radical, cujos pratos principais são sempre o ataque à propriedade privada e a ideia do Estado todo-poderoso, ao qual os cidadãos devem se submeter.
Em contraponto, o PL apresenta uma combinação de ideias liberais e conservadoras e, por isso, pode ser chamado de direita. Antes de tudo, em todo tempo e lugar, direita significa principalmente a oposição às ideias de esquerda.
O grande líder petista se tornou o símbolo de todo o sofrimento da gente decente. Isso foi multiplicado ao infinito pelos processos de 8 de janeiro e pelos escândalos do INSS e do Banco Master
Nessa eleição, direita também é quase sinônimo de um movimento autêntico e orgânico, que acabou sendo liderado por Jair Bolsonaro e foi, por isso, chamado de bolsonarismo.
Por uma longa lista de motivos – principalmente pela ameaça de desmontar a aliança construída entre os oligarcas do Brasil antigo e os esquerdistas da Nova República – o Estado brasileiro e seus parceiros na academia e na mídia declararam o bolsonarismo como tóxico e decidiram extirpá-lo.
Não funcionou. O resultado das eleições mostrou isso.
No Rio Grande do Sul, Zucco (PL) já é governador. Os dois senadores eleitos são Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo). Santa Catarina elegeu o governador Jorginho Mello e os senadores Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, todos do PL. O Paraná elegeu o governador Sergio Moro (PL) e os senadores Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
Em São Paulo, Tarcísio está reeleito governador. Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) são os senadores.
Aqui no Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) ficou com 49% dos votos, contra 42% de Eduardo Paes, levando a disputa ao segundo turno. Os senadores eleitos são Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL.
No Distrito Federal, Michelle e Bia Kicis, do PL, estão eleitas para o Senado. Goiás elegeu senador Gustavo Gayer (PL) e Mato Grosso elegeu Zé Medeiros (PL).
Flávio Bolsonaro teve 47% dos votos do primeiro turno, enquanto o candidato do PT teve 45%. O país terá um segundo turno de eleições presidenciais.
As projeções indicam que o PL deve eleger 120 deputados e 20 senadores, que vêm se somar aos 9 senadores com mandato até 2031. Isso muda o equilíbrio no Senado, onde o bloco oposicionista deve somar 45 senadores entre os 81. Isso significa maioria absoluta, embora ainda abaixo dos 49 senadores necessários para aprovar uma PEC e dos 54 para aprovar o impeachment de um ministro. Mas é muito provável que, com um presidente Flávio Bolsonaro, o Centrão se desloque para a direita.
Na avaliação de muitos observadores, o que ocorre em relação ao PT e ao seu líder – seu único líder – não é mais rejeição, mas uma repulsa visceral, dessas que alimentam revoluções. O grande líder petista se tornou o símbolo de todo o sofrimento da gente decente. Isso foi multiplicado ao infinito pelos processos de 8 de janeiro e pelos escândalos do INSS e do Banco Master.
O PT pode ter a máquina do Estado, a elite e as instituições, mas as urnas mostraram que o povo não aguenta mais. O isentão é uma espécie em extinção.
E hoje, depois de muito tempo, o sol brilhou no Rio de Janeiro.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



