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Democracia é uma coisa boa, exceto quando o povo escolhe Bolsonaro. Nesse caso, existe um grave perigo para a própria democracia. Mas quem decide que Jair Bolsonaro e seus apoiadores representam uma ameaça? Ora, essa avaliação é feita - imaginem só - pelos adversários políticos de Jair Bolsonaro e seus parceiros infiltrados em todas as instituições.
Essa é uma armadilha na qual caem pessoas sensatas, honestas e, às vezes, até muito cultas e com títulos universitários avançados. Elas são contaminadas por aquilo que meu amigo Gustavo Maultasch chama de “antibolsonarismo psicótico” - uma aversão ao político Jair Bolsonaro e ao que ele representa que não pode ser explicada de forma racional.
Mas o que Jair Bolsonaro representa? A insatisfação do cidadão comum.
Insatisfação com o quê?
Com uma política corrupta e que produziu os maiores escândalos do mundo.
Essa política também criou uma crise de segurança equivalente a uma guerra civil. O Estado decidiu ainda impor ao cidadão e às suas famílias a destruição dos seus valores mais importantes - família, religião, patriotismo - e normalizar comportamentos marginais e nefastos, como o uso de drogas.
O descontrole dos gastos públicos é resultado do populismo e da necessidade de sustentar uma casta de políticos e burocratas que vive vidas extravagantes. Os gastos geram aumentos de impostos, aumento da dívida pública e inflação. Quem paga a conta é o trabalhador.
O sobrenome Bolsonaro - de Jair e de Flávio - representa a revolta do cidadão comum contra tudo isso.
Mas, quando o cidadão faz essa escolha, o Estado diz a ele que é uma escolha antidemocrática.
Por quê?
Nos últimos dias, muitos receberam uma mensagem alertando que é preciso evitar que o bolsonarismo “fique no poder por décadas”. Para evitar isso, a mensagem recomenda o voto no PT, um partido que já está no poder há exatamente duas décadas (já foram cinco mandatos presidenciais desde 2003). É uma recomendação que não faz sentido algum.
Estamos no 26º ano do século XXI. Durante 20 desses anos o controle do governo esteve nas mãos do PT.
Esse período é maior do que o tempo total em que Getúlio Vargas esteve no poder (18 anos e seis meses). O período do PT no poder é quase igual à duração do regime militar de 1964 (21 anos). Ele supera o do fundador da União Soviética, Lênin, que ficou no poder menos de sete anos.
Os petistas já têm mais tempo no poder do que Napoleão Bonaparte, que ficou 15 anos, (1799 a 1814).
Há uma coisa curiosa e terrível acontecendo no Brasil.
Desde 2019, têm acontecido no Brasil coisas extraordinárias, que algumas pessoas diziam que seriam feitas pelo governo Bolsonaro. Alguns diziam que Bolsonaro iria implantar uma ditadura no Brasil.
Lembram?
Eu gostaria de perguntar:
Quantos blogueiros, jornalistas e humoristas Bolsonaro prendeu?
Quando Bolsonaro ordenou a prisão coletiva de milhares de pessoas e seu julgamento em massa, sem individualização de conduta, em foro indevido, com condenações a penas médias de 14 a 17 anos?
Quantos inquéritos Bolsonaro mandou abrir contra seus críticos - inquéritos nos quais ele também foi acusador, investigador e juiz?
Quantas postagens Bolsonaro ordenou que fossem retiradas das redes sociais? Quantas redes sociais Bolsonaro mandou suspender?
Quantos deputados Bolsonaro cassou, prendeu e exilou?
Quantas vezes Bolsonaro congelou o patrimônio de cidadãos, cancelou seus passaportes, ou aplicou multas tão altas que significam, na prática, a morte financeira das pessoas?
A resposta para todas essas perguntas é: zero, nunca, nenhuma.
Tudo o que citei são ações ilegais, inconstitucionais e totalitárias, características de ditaduras.
Todas essas medidas têm sido adotadas pelo Estado desde 2019 com o apoio incondicional da esquerda. É a mesma esquerda que, agora, pede o seu voto “para evitar uma ditadura”.
Para evitar a ditadura imaginária é preciso apoiar a ditadura real.

Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



