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Roberto Motta

Roberto Motta

Posição

Por que a esquerda protege o crime

Policiais do Rio de Janeiro levam suspeitos presos em operação contra o Comando Vermelho em 28 de outubro. (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

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Aqueles que dizem “não me interesso por essa coisa de direita e esquerda” estão renunciando ao entendimento da política. Não importa se você acredita em direita e esquerda. O que importa é que as pessoas que controlam o Estado acreditam. Essas pessoas fazem leis, operam sistemas de justiça, comandam polícias, cobram impostos e prendem – ou soltam – criminosos influenciadas por ideologia.

Circunstâncias levaram a ideologia de esquerda a conquistar hegemonia. Na sua origem, socialismo significava união solidária de trabalhadores. Com o surgimento do marxismo, considerada a variedade “científica” do socialismo (uma mentira: o conteúdo de ciência no marxismo é zero) socialismo passou a significar revoluções violentas, abuso de direitos, roubo e genocídio.

Diante de um crime sexual, o marxista culpa o 'machismo estrutural'. Isso absolve o estuprador. Todo criminoso é visto, pelos marxistas, como um proto-revolucionário. Esse enquadramento ideológico do crime define a resposta que deve ser dada a ele

Essa mudança não foi acidental. Enquanto a essência do socialismo está na coletivização (o fim da propriedade privada) e no controle da economia pelo Estado (“planejamento econômico”), o socialismo marxista adiciona outro fundamento: o “conflito de classes” que, segundo os marxistas, é o motor da história. É essencial que esse conflito exploda em revolução.

Um pouco de reflexão revela a infantilidade dessa ideia (e a teoria marxista já foi desmascarada por grandes mentes como Carl Menger, Hayek, Mises, Milton Friedman e Thomas Sowell). Mas é importante compreender que essa é a única ótica pela qual os marxistas enxergam o mundo. Qualquer problema precisa ser apresentado como um conflito entre oprimido e opressor, e a solução – seja ela qual for – deve apressar a revolução.

Essa é a origem do ensinamento do guru da esquerda Saul Alinsky: “A questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder”. Não importa qual seja o problema: a missão do marxista é transformá-lo em uma oportunidade de ganho político – e em revolução.

Por isso, diante de um crime sexual, o marxista culpa o “machismo estrutural”. Isso absolve o estuprador. Todo criminoso é visto, pelos marxistas, como um proto-revolucionário. Esse enquadramento ideológico do crime define a resposta que deve ser dada a ele. Ao invés de discutir melhor policiamento ou endurecimento da legislação penal (remédios com eficiência comprovada e documentada na literatura), o marxista exige medidas “culturais” para a “reeducação” da sociedade, além de restrições à liberdade de expressão.

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A reeducação, claro, será feita em moldes marxistas: homens e mulheres serão apresentados como “classes” em conflito. A reeducação culpará o sistema de livre mercado e a propriedade privada pelo crime, e implantará na cabeça dos cidadãos – a maioria crianças e jovens – ressentimento contra o modelo da sociedade liberal ocidental.

Muitas ONGs serão criadas para combater o machismo estrutural, todas lideradas por marxistas. Políticos vão destinar dinheiro a essas ONGs. O Estado, e até grandes empresas, tornarão obrigatórios os programas de “treinamento” antimachismo vendidos pelas ONGs, dando aos marxistas acesso privilegiado a servidores públicos e empregados da iniciativa privada. Essa é a realidade de hoje.

Enquanto isso, o estuprador está de volta às ruas, cometendo novos estupros e fornecendo aos marxistas uma fonte sem fim de casos para alimentar seu discurso.

A mesmaestratégia vale para todas as grandes “questões” da atualidade, como proteção ambiental, defesa dos direitos humanos e regulamentação das redes sociais – a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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