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Há poucos dias, publiquei no X um texto em que lembrava que cristianismo e esquerdismo são incompatíveis e que há poucas coisas mais hipócritas do que um esquerdista falando da religião cristã.
É impossível ser cristão e esquerdista ao mesmo tempo porque o cristianismo e o marxismo defendem visões irreconciliáveis do mundo. Segundo o cristianismo, o ser humano é imperfeito e marcado pelo pecado original. Precisamos amar a Deus e ao próximo. Nossa recompensa é a vida eterna. Não existe justiça neste mundo, só no Reino de Deus.
Já para o marxismo, o homem vai ser aperfeiçoado quando a humanidade avançar para a sociedade socialista, sem classes e sem propriedade privada. Para os marxistas, não existe nada além da matéria; não existe alma imortal e não existe Deus. Segundo a teoria marxista, religiões são ilusões criadas para legitimar a ordem social.
Terminei meu texto afirmando: quem se diz cristão de esquerda está enganado, ou está tentando te enganar, ou as duas coisas juntas. Esse é o caso dos políticos de esquerda que usam religião para se eleger. Uma das primeiras coisas que os socialistas/marxistas/comunistas sempre fazem quando chegam ao poder é perseguir as religiões.
O confisco e a redistribuição são justificados como 'combate à desigualdade'. Essa é uma política socialista, que foi assimilada pelo senso comum como prova de virtude. Até políticos 'de direita' aplaudem isso
Pouco depois alguém postou um comentário ao meu texto:
Meu amigo, a redução da filosofia política a ‘direita e esquerda’ não acerta nem vai longe. Não sou acadêmico mas, para começar, a Doutrina da igreja até admite a propriedade privada, mas jamais de forma absoluta, ela é sempre condicionada ao bem social, se não atende isso, tchau
Fiz nova postagem explicando que essa afirmação não é apenas errada - ela é o contrário da realidade.
O conceito moderno de direitos humanos – entre os quais se inclui o direito à propriedade privada – vem do trabalho de pensadores medievais, como os escolásticos, Santo Agostinho, Graciano, Huguccio, Santo Tomás de Aquino e William de Ockham, e o papa Inocêncio IV, que combinaram as ideias cristãs com a filosofia clássica, reinterpretando o direito romano e o direito natural.
As ideias que sustentam o liberalismo moderno – direitos naturais, igualdade perante a lei e governo representativo – foram estabelecidas por esses pensadores e juristas canônicos medievais entre os séculos XII e XV.
A propriedade privada é, antes de tudo, uma proteção contra o poder do Estado. Essa ideia surge no Iluminismo, principalmente com John Locke. Mas ela não é fruto de uma ruptura, e sim do amadurecimento jurídico de intuições cristãs medievais que o Iluminismo apenas secularizou.
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O direito de propriedade é essencial porque ele está na base dos outros direitos. Sem propriedade você não tem a segurança de um lar onde viver e criar sua família. O direito à propriedade é um direito natural. “Natural” não quer dizer uma coisa física (como muitos críticos parecem interpretar o termo). Ele significa apenas que é um direito inerente à condição humana, que nos acompanha desde que, no início dos tempos, homens escolhiam uma caverna ou construíam uma cabana ou um iglu para abrigar mulher e filhos.
Como explica Robert Nozick, uma pessoa é legitimamente dona de um bem se o adquiriu de forma justa ou o recebeu por transferência voluntária. Qualquer redistribuição coercitiva feita pelo Estado é uma violação do direito de propriedade.
O confisco de propriedade é feito pelo Estado através de desapropriações e impostos. Depois, o Estado faz a "redistribuição" da propriedade através de programas assistencialistas.
O confisco e a redistribuição são justificados como "combate à desigualdade". Essa é uma política socialista, que foi assimilada pelo senso comum como prova de virtude. Até políticos "de direita" aplaudem isso. Mas o objetivo real dessas políticas é enriquecer quem faz parte do Estado.
Isso pode ser facilmente comprovado pelo noticiário. Quase todas as autoridades mais poderosas do Estado ficaram ricas no cargo. Todo grande líder socialista é milionário.
Escândalos como o do Banco Master não são acidentes infelizes; eles são a razão da existência do Estado grande.
O direito à propriedade é nossa primeira linha de defesa.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



