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Ratinho Junior
Ratinho Junior comemorando resultado das eleições de 2018| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Com sua política marcada por rivalidades históricas que superava o período eleitoral, o Paraná vive, a um ano das convenções partidárias que definirão os candidatos e coligações para as eleições de 2022, um cenário de calmaria, em que não despontam, ainda, adversários claros que já estejam antagonizando com o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). Nem mesmo o quadro de polarização do país se repete no estado, uma vez que o PT ainda não tem definido qual será o palanque de Luiz Inácio Lula da Silva no estado. Não há um nome do partido colocado como pré-candidato ao governo e nem uma sinalização de apoio a um candidato de outra legenda. Se viveu embates ideológicos como o de Jaime Lerner e Roberto Requião no passado recente, o Paraná tem, hoje, um clima político morno, com a oposição a Ratinho Junior resumindo-se a nove dos 54 deputados estaduais.

As três últimas eleições para governador do Paraná foram decididas já no primeiro turno, sendo as duas últimas com relativa facilidade, com a vitória de Ratinho Junior, em 2018, e a reeleição de Beto Richa (PSDB), em 2014. Em 2010, Richa também foi eleito no primeiro turno, mas em uma disputa bastante acirrada com Osmar Dias, com as pesquisas de boca de urna indicando empate técnico. Além da disputa com Osmar Dias, Richa protagonizou, durante todo o seu mandato, rivalidade com os senadores paranaenses Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (MDB), que sempre se posicionaram como adversários do tucano e se apresentavam como candidatos antagônicos a ele (ambos acabaram derrotados em 2014).

A rivalidade com os senadores também marcou os mandatos de Roberto Requião (2003 a 2010). O emedebista derrotou Alvaro Dias em 2002 e Osmar Dias em 2006, em eleições bastante acirradas. Os candidatos derrotados eram senadores no exercício do mandato e exerceram, de Brasília, uma oposição contundente ao governador, até Osmar Dias decidir se aliar a Requião nas eleições de 2010. Hoje, Ratinho Junior tem apoio quase que irrestrito dos três senadores paranaenses: Alvaro Dias, Oriovisto Guimarães e Flávio Arns – todos do Podemos.

Mas o histórico de rivalidades políticas no estado é bem anterior a este século. O historiador Renato Mocellin lembra que o antagonismo ocorria antes mesmo da Proclamação da República. “No Império, o Partido Liberal e o Partido Conservador se alternavam no Poder e, aqui no Paraná, no final do Império, o conservador Manoel Eufrázio Corrêa e o liberal Generoso Marques já protagonizavam essas disputas. Também tinha disputa por representações de regiões: o grupo político de Paranaguá era antagônico ao grupo Político de Antonina. Na República velha, houve forte rivalidade entre Vicente Machado e João Menezes Dória, numa questão até de caráter pessoal”, relata. “Depois tivemos Caetano Munhoz da Rocha x Affonso Alves de Camargo, Bento Munhoz da Rocha x Moisés Lupion e, mais adiante, Moisés Lupion x Ney Braga. Durante as eleições de 1960, Ney Braga prometia prender o Lupion, que acabou se autoexilando na Argentina”, prossegue. “Mesmo sendo a principal figura política do Paraná, Ney Braga teve adversários durante o regime militar, como com Paulo Pimentel, depois que eles romperam aliança”, acrescenta.

Mocellin usa a história, no entanto, para citar que, apesar de confortável, a situação de Ratinho Junior não é definitiva. “Em 1974, o Francisco Leite Chaves, desconhecido no meio político, venceu o João Mansur, que era o candidato governista, na eleição para o Senador. Em 1982, Saul Raiz era candidato ao governo e Ney Braga ao Senado e eles foram derrotados, respectivamente, por José Richa e pelo jovem Alvaro Dias, causando o ocaso político do Ney Braga. A oposição pode sim, surgir e se estruturar na reta final da definição das candidaturas. Depende muito da conjuntura”, avalia.

O cientista político Doacir Quadros concorda que ainda há margem, mesmo que difícil para o quadro se alterar. “A coalisão nacional terá papel importante na definição do quadro local e não temos ainda um clima eleitoral, para sabermos como será o comportamento do eleitor e suas escolhas. Então, essa certeza só teremos em 2022, mas, hoje, de fato, não há uma polarização política no Paraná. E, além disso, mesmo diante do cenário de pandemia, a administração do governador segue bem avaliada”, analisa.

Para ele, a construção de alianças feitas por Ratinho Junior nas eleições municipais do ano passado, quando abriu mão de candidaturas viáveis de seu partido para apoiar candidatos de outras legendas, vencendo, assim, em 246 dos 399 municípios paranaenses e fazendo nove das 10 maiores prefeituras do estado, foi fundamental para a construção deste cenário. Na eleição passada, o governador esteve ao lado de candidatos do DEM, PSDB, PSC, Cidadania e Podemos, entre outros. Muitos destes partidos já anunciaram apoio à reeleição do governador no ano que vem. Na única grande cidade em que não venceu – Londrina – o governador já fechou aliança política com o PP do prefeito Marcelo Belinati. “Estrategicamente, no âmbito estadual, os candidatos ao governo precisam estabelecer lideranças nos municípios para que possam fazer a militância para a conquista do voto. Então, foi uma estratégia pensada com exatidão para fortalecer sua campanha. O governador, por regra, já sai na frente, o Ratinho Junior tem um importante capital eleitoral cativo e, essa construção partidária lhe torna bastante favorito”, diz.

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