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Ah, o Cara de Cavalo…

Muito antes de Cara de Cavalo, Mineirinho, Micuçu e Sombra, bem como dos “homens de ouro” da polícia carioca, a crônica policial do Rio registrava a presença de marginais de triste e lamentável notoriedade.
Comentando o assunto, o professor Afronsius citou o caso de um que se divertia com a navalha quando passava o bonde. Abria a dita cuja na altura da nádega dos passageiros que viajam pendurados nas laterais. E sadicamente se divertia com o resultado. Navalha na carne.

Os “mocinhos” de ouro

Aproveitando a deixa do vizinho de cerca (viva), Natureza Morta completou que os famosos “12 Homens de Ouro” da polícia eram incensados de forma entusiástica pelo apresentador Flávio Cavalcanti, em seu programa de TV. Constituída pelo general Luis de França Oliveira, secretário de Segurança (1969-1971), a quase totalidade da equipe de ouro acabou no noticiário policial. Disputando espaço ao lado de outros bandidos. Envolvida em corrupção, fazia concorrência à bandidagem.

As raízes

O problema da violência associada à corrupção, privilégios e discriminação não é coisa recente. Ocorre que hoje tem maior visibilidade. Basta ler a interessante matéria publicada na edição deste mês da Revista de História da Biblioteca Nacional. O texto – ou aula, como prefere o solitário da Vila Piroquinha, é de Jorge Victor de Araújo Souza. O título diz tudo: “Violência que vem de longe”.
Conta ele que, nos séculos XVII e XVIII, no Rio, “a posse e exibição de determinadas armas indicavam o prestígio de seus proprietários”, enquanto “autoridades despreparadas não conseguiam impedir a ação de bandos que disputavam o poder local”.

Fidalgos à parte

No Brasil Colônia valia o previsto nas Ordenações Filipinas, de 1603, ou seja, “se algum fidalgo de grande solar matar alguém, não seja julgado à morte sem no-lo fazerem saber, para vermos o estado, linhagem e condição da pessoa, assim matador como do morto”.
Quem levava a pior, entre os excluídos, a turma da senzala e arredores, eram os mamelucos – mestiços de brancos com índios. Na hora de aplicar a justiça – alguma semelhança com episódios da atualidade? -, era convocada a junta de “homens bons”. Era integrada por “proprietários de terras, brancos e cristãos”. Afinal, iriam julgar (condenar) pessoas “sem cabedal (pobres), que com facilidade cometem qualquer crime”, conforme documentos da época, analisados por Jorge Victor de Araújo Souza.

O duplo poder

Enquanto “um escravo com espada era uma gravíssima quebra de hierarquia”, a espada e a chamada “faca de ponta” eram liberadas para a turma de cima.
Em 1642, os de condição mais alta estavam amparados por um privilégio que os portugueses do Porto tinham desde o final do século XV: podiam portar “quais e quantas armas lhes prouver de dia e de noite assim ofensivas como defensivas”.
Já existia, porém, como ressalta a matéria da revista, o jeitinho brasileiro. Como havia escravos que viraram capangas de seus senhores, esses tinham certas regalias quanto ao porte de arma.
Quem não era da panela, poderia ser condenado ao açoite e a passar anos nas galés.
Com a chegada do Beronha, o professor Afronsius e o solitário da Vila Piroquinha encerraram o dedo de prosa.
Coincidência ou não, o nosso anti-herói de plantão chegou com uma saudação:
– Paz e amor, bichos!

ENQUANTO ISSO…


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