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Cocheira ou coxia?

Mesmo para quem vive no mundo da lua, como Beronha, é importante ter em mente que há informação e informação. Ou seja, é preciso estar atento – e, se possível, dispor de um repertório razoável para não ser passado para trás. Nosso anti-herói de plantão, por exemplo, contou ter dado o maior vexame em um concorrido restaurante de Santa Felicidade. Lá pelas tantas, dirigiu-se ao banheiro e entrou, evidentemente, no WC que ostentava o aviso “masculino”. Provocou uma tremenda gritaria. Lá dentro.
– Alguém, alguém, tinha trocado as placas, embaralhando a de “masculino”, “feminino” e até a de “fraldário”.
Natureza Morta lamentou o incidente, e não “acidente”, como classificou Beronha. Embora pudesse ter sido. O professor Afronsius acompanhou o voto do relator.

De olho, além da placa

Hoje, no cada vez mais admirável e fantástico mundo novo, ninguém escapa do intermitente bombardeio de informações. Verdadeiras ou deturpadas. Mais do que nunca é preciso estar atento à chancela, ou seja, à origem, à fé pública, à intenção/objetivo e procedência das coisas.
– Não raras vezes, e deliberadamente de propósito, empurram gato por lebre. Ou lebre por gato, tanto faz. É manipulação para esconder o que realmente se passou. Se passa ou vai passar.
Nesse ponto, a tal “informação de cocheira” levou o solitário da Vila Piroquinha a comentar que, embora consagrada principalmente pela briosa, brava e indormida imprensa, perdura a controvérsia quanto à origem da expressão.
Há quem defenda que, no início, o corrente era “informação de coxia”.
– Coxia? Não seria cotia? – interveio Beronha.
– Não, o nascedouro foi o teatro, e, assim, procede. Afinal, foi uma das primeiras formas de comunicação em maior escala. E propósitos.

Um belo exemplo

Máquina do tempo em ação. Na época em que qualquer jornal que se prezasse trazia obrigatoriamente pelo menos uma página dedicada ao turfe, a tal “informação de cocheira” era acatada com respeito geral.
Afinal, os então chamados cronistas de turfe eram altamente sérios e eficientes em seu trabalho. Destaque-se aí a figura inesquecível do jornalista Raphael Munhoz da Rocha, nos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná.
– Não errava um palpite para as apostas em corridas no Jockey Club, então localizado no Guabirotuba. Igualmente não errava quando se tratava da Gávea, Grande Prêmio Brasil – acrescentou o professor Afronsius, citando as famosas “barbadinhas do Raphael”.
De fato. Tanto que, no Concurso Carlos Dietzsch, destinado a apontar o jornalista de maior destaque na cobertura turfística, só dava Raphael. Todos os anos. O jornalista chegava cedinho ao hipódromo para acompanhar (nas cocheiras) o trabalho diário de treinadores, tratadores e jóqueis, medir a pulsação e a temperatura dos preparativos para as próximas corridas. E tornar-se-ia, simplesmente, o maior cronista de turfe do Brasil. Reconhecidamente o maior, o que era endossado, inclusive, pelo pessoal do eixo Rio-São Paulo.
– Para dar uma chance a seus colegas, a direção do Jockey criou um segundo concurso de palpites, paralelo – emendou o professor Afronsius. Fã também do Show de Jornal, na TV Iguaçu, Canal 4, “lá pelos anos 1960/70”, o vizinho de cerca (viva) não perdia o noticiário. Inclusive porque vinham “As barbadinhas de Raphael Munhoz da Rocha”.
Desse modo, e com maior respeito à coxia, Natureza prefere ficar com a informação de cocheira. Ressaltando, porém, que tudo depende da credibilidade de quem a fornece. Da cocheira ou coxia.
– É preciso ficar de olho em que dá ponto sem nó.

ENQUANTO ISSO…


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