
Ao mexer em livros sobre a II Guerra Mundial, Natureza Morta resolveu abrir “Na Pista de Martin Bormann”, de L. Bezymensky, editora Civilização Brasileira, 1967. E, entre os trechos que receberam anotações à margem, topou com a que se refere à máquina de escrever de Hitler.
Levou o assunto para o dedo de prosa com o professor Afronsius, vizinho de cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha e também um apaixonado pela história.
Preservando a imagem
Como se sabe, o nazistão era míope, mas não usava óculos. Não seriam apropriados, não cairiam bem no fuehrer, “um grande comandante militar”. Daí, a pedido, solicitação prontamente atendida pelo cordão de puxa-sacos, ganhou uma máquina de escrever especial.
Adaptada, recebeu tipos especiais, “tipos anormalmente grandes”. As letras saíam três vezes maiores do que o normal.
Não se sabe ao certo se Hitler chegou a usar seguidamente a tal máquina. Preferia ditar suas ordens. Afinal, não era palanque mas dava para fazer pose de “grande comandante militar”.
– E não ficaria bem dar demonstração de incompetência ao ser visto catando milho – acrescentou o professor Afronsius.
Ainda na conversa, o vizinho do solitário da Vila Piroquinha aproveitou para lembrar que ditador era chamado, pelos mais íntimos, de Adolfinho. E que, por conta de desventuras do pai, poderia ter passado para a história como Adolf Schicklgruber – ou Adolf Hiedler.
– Não iria alterar nada, posto que continuaria o canalha pustulento de sempre.
De pai para filho
O pai de Adolf – sim, ele tinha pai e mãe – era Alois Hitler, filho ilegítimo, nascido em 1837, na Alta-Áustria. Até os 40 anos, usou o sobrenome da mãe, Schicklgruber. Depois, pulou para o sobrenome do pai adotivo, Hidler (Johann Georg). No cartório, no entanto, por conta de um erro, foi registrado como Hitler.
A exemplo de alguns inimigos políticos, dizimados na sequência, quando do início da ascensão de Hitler, também os aliados tiraram proveito do episódio sobrenome.
Na já intensa propaganda de guerra, as forças aliadas promoveram o lançamento de folhetos sobre cidades alemãs, para quebrar o moral da população, em que a saudação nazista era trocada por “heil Schicklgruber!”.
Não impediu a carnificina em campos de batalha e o holocausto, mas pode ter contribuído para a queda do que seria o Reich de mil anos.
ENQUANTO ISSO…




