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De volta a Manzanar

Grandes ou pequenas. Tanto faz. Algumas surpresas a gente nunca esquece. O comentário do professor Afronsius veio a propósito de um filme – um documentário -, que, aliás, ganharia o Prêmio Humanitas e seria indicado para o Emmy como melhor roteiro adaptado, categoria drama.
Estava ele nos Estados Unidos, mais exatamente em Atlanta. No quarto do hotel, cansado de ficar olhando para a parede, ligou a TV. E foi fisgado por um filme. Isso lá pelo final dos anos 1970.

Um pesadelo

O filme, produzido em parceria com a rede NBC, era Farewell to Manzanar (Adeus a Manzanar). Diretor: John Korty, baseado no livro do mesmo nome, de James e Jeanne Wakatsuki Houston, publicado em 1972. Atores: Yuki Shimoda, Nobu McCarthy e Dori Takeshita.
A história: a vida em um dos campos de concentração nos EUA para japoneses e descendentes, durante a II Guerra.
Natureza Morta não viu o filme, posto que nunca abandonou seu chão, mas nem por isso ignorava essa face (oculta?) do Grande Irmão lá de cima. Era a temporada do “perigo amarelo”. Viria, depois, o “perigo vermelho”.
Com o ataque japonês a Pearl Harbor, no dia 7 de dezembro de 1941, o governo americano tratou de isolar possíveis inimigos internos, notadamente na Costa Oeste. Oceano Pacífico. No mesmo dia, o FBI “recolheu” milhares deles, começando por 2.192 descendentes de japoneses. No dia 19 de fevereiro de 1942, o presidente Franklin Delano Roosevelt assinaria a Ordem Executiva 9066, dando carta branca ao secretário de Defesa para fixar áreas militares e excluir a “qualquer ou a todas as pessoas” de tais regiões. Foi autorizada também a instalação dos chamados “campos de relocalização”, a partir da Autoridade de Relocalização de Guerra (War Relocation Authority).
Foram, então, relocalizados à força pelo menos 120 mil norte-americanos “nikkeis”, dois terços já cidadãos norte-americanos. Os demais não puderam obter cidadania em face de uma lei federal. Mais de 110 mil pessoas foram recolhidas a 10 campos de concentração localizados em pontos distantes da costa.

Memórias de Manzanar

Jeanne Wakatsuki, coautora do livro Farewell to Manzanar, nasceu em 1934, em Inglewood, Califórnia. A mais nova de dez crianças, passou a infância no Sul daquele estado. Junto com a família, foi levada para Manzanar. Em 1945, liberada. Jeanne conheceu James D. Houston quando cursava a Universidade Estadual de San Jose, também na Califórnia. Casaram-se em 1957 e tiveram três filhos.
Um dia, em 1971, um sobrinho que nasceu em Manzanar pediu a ela que contasse como era o campo, já que seus pais se recusavam a tocar no assunto. Ao recordar alguns episódios, decidiu colocar tudo no papel. Com auxílio do marido, Jeanne Wakatsuki Houston escreveu Farewell to Manzanar.

Morte em Londrina

Em abril de 2002, a imprensa fez um breve registro da morte de Nobu McCarthy, atriz canadense que atuou no filme sobre Manzanar. Estava com 67 anos e participava das filmagens de Gaijin 2, de Tizuka Yamasaki, em Londrina.

ENQUANTO ISSO…


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