
Quarta-feira, sem querer (estava no Bar VIP da Vila Piroquinha), Natureza Morta viu-se forçado a assistir um capítulo da série House, no Universal Channel. Já tinha ouvido falar do tal de doutor Gregory House, interpretado pelo inglês Hugh Laurie, mas ficou impressionado.
– Impressionado com a cara de pau do roteirista. Ou roteiristas, posto que a série já completou oito temporadas, desde 2004 – fulminou.
Professor Afronsius quis saber o motivo da zanga.
– “Feio” é o título do capítulo. Trata-se de um jovem paciente com grave, ou enorme, deformidade facial. Daí o Ugly no original.
Melhor era o outro
Segundo o solitário da Vila Piroquinha, uma cópia (abominável) de O Homem Elefante (The Elephant Man), 1980, de David Lynch, este sim, um bom trabalho. Com John Hurt, Anthony Hopkins e Anne Bancroft, conta a história (real) de John Merrick (John Hurt), portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado até então. Praticamente todo o seu corpo era deformado.
Na Inglaterra vitoriana, passou ser apresentado como monstro e virou atração em circos, até ser resgatado pelo médico Frederick Treves (Anthony Hopkins).
No caso de House (o filão deve ter se esgotado, mas é preciso atender a pseudo demanda), a história, ou estória, só merece registro porque dá uma pincelada de atualidade. No caso, não se tratava só de ganhar dinheiro (no caso, o hospital) em cima do infeliz, mas da busca desenfreada da celebridade. Ou subcelebridade, como acontece hoje, o que nos remete à revista Carta Capital número 771, à matéria “A engenharia da subcelebridade”, de William Vieira, mostrando “como jovens viram personagens nas mãos de produtores, sites de fofocas e reality shows, em histórias que giram a milionária engrenagem da fama instantânea”. A fama instantânea.
É que, no seriado, uma produtora está filmando tudo, ao vivo, para um documentário. Filmando em preto e branco. Para aparecer, colegas de House tratam de puxar o tapete do médico, numa guerra de egos, em busca da fama a qualquer custo, para ocupar o lugar de House. Fora isso, O Homem Elefante é mil vezes mais cinema. Aliás, ainda existe cinema?
ENQUANTO ISSO…




