Não é de hoje que a cachorrada deita e rola. E fora do tapete. No caso, não se trata, absolutamente, de maus políticos e outros governantes. A conversa brotou de uma dúvida, do professor Afronsius:
– Como era mesmo o nome daquele cachorro muy esperto que fazia e acontecia nos seriados de TV nos anos 1950?
– Não seria Rin Tin Tin, também chamado Rinty? – arriscou Natureza Morta, com ressalva. Nada a ver com Tintin e Milou, aqui no Brasil Milu, do belga Georges Prosper Remi, o Hergé. Até porque, nas Aventuras de Tintin, o cachorro era Milou – o nosso Milu.
Para dirimir qualquer duvida quase canina, o jeito foi acionar a Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog.
Um pastor alemão
Com o passar do tempo, vários cães (sim, não era a época do império dos pets) encarnaram Rin Tin Tin, em filmes e séries. O primeiro era um autêntico pastor alemão. Seu parceiro, o Cabo Rusty.
Origem: em 1918, fim da I Guerra Mundial, um cabo do exército americano (Lee Duncan) encontrou na França (Toul-aux-Lorraine) um canil alemão que tinha sido alvo de bombardeios. No meio dos escombros, uma cadela com cinco filhotes. Os animais foram adotados pelos soldados. De volta a Los Angeles, Lee Duncan ficou com dois. Foram “batizados” de Nannette e Rin Tin Ti. No último caso, nome que os soldados franceses davam a bonequinhos que traziam sorte. Com a morte de Nannette, Duncan passou a adestrar Rin Tin Tin. Era um cão de pelos escuros, olhos negros.
Lobo na primeira aparição
Assim, Rinty acabou um “cão de shows” por obra do produtor Charles Jones. O cinema estava próximo. O primeiro Rin Tin Tin chegou às telas em 1922, em The Man From Hell’s River, interpretando um lobo. A primeira aventura como cachorro foi em 1923, no filme Where The North Begins (“Onde o Norte Começa”). Há quem garanta que, graças ao sucesso do cão artista, ele tirou da bancarrota a Warner Brothers. Foram 22 filmes, até 1930.
Produzida entre 1954 e 1959, a série fez sucesso cavalar, ou canino, no Brasil. Rin Tin Tin acompanhava uma tropa da cavalaria no final do século XIX, com QG no Forte Apache. Azar dos peles vermelhas.
E o Cabo Rusty, menino órfão adotado pelos soldados, tornou-se o fiel companheiro de Rinty, ou vice e versa. Quando era preciso, gritava:
– Yo ho Rinty! – e o bicho entrava em cena.
Os demais amigos próximos eram o sargento O’Hara e o tenente Rip Masters.
Detalhe: na série dublada, a voz do Cabo Rusty era “emprestada” de um jovem chamado Reginaldo Faria.
Beronha pede um aparte. O toque local.
– Não esqueçam do Dick!
Espanto geral. O nosso anti-herói de plantão tratou de explicar.
– Dick, o cachorro de um filme pornô brasileiro. No elenco – fulano, fulano, fulana e fulanas – era anunciado, com destaque: “E, estrelando, Dick, o cachorro galã”. Juro que não vi o filme, só a propaganda… Era proibido até 18 anos.
É isso. Bola pra frente. Ou HQs pra frente.
ENQUANTO ISSO…




