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Favela, essa (nossa) desconhecida (I)

Vamos aderir à favela? O convite, cheio de entusiasmo, partiu de Natureza Morta, que, diante do espanto de Beronha, fez a correção: aderir ao Projeto Viva Favela. Criado em 2001, pelo movimento Viva Rio, a iniciativa merece todo o apoio. Suas metas: inclusão digital, democratização da informação e redução da desigualdade social. Como dizem os responsáveis pelo trabalho, é uma ponte virtual entre o “asfalto” e a favela, reunindo uma equipe de jornalistas e correspondentes comunitários.
Meu primeiro contato com Viva Favela ocorreu em 2005, quando integrava a comissão julgadora do Prêmio Esso de Jornalismo, no Rio. “O Cidadão – O jornal do bairro Maré” – foi trabalho inscrito na categoria “melhor contribuição ao jornalismo”. Votei nele, é claro, e outros colegas fizeram o mesmo. Infelizmente, no entanto, “O Cidadão” não foi premiado, mas nem por isso perdeu a importância.

O olhar “de dentro”

Os correspondentes do Viva Favela são os próprios moradores, que passam a ser repórteres, fotógrafos e produtores de conteúdo multimídia. O resultado mostra que “há muito mais para se contar sobre as favelas do que histórias de violência e narcotráfico”, como assinalam os responsáveis pelo site.
Com um olhar “de dentro”, mostra a cultura, a criatividade das estratégias para vencer os desafios diários, o potencial para propor e operar mudanças sociais positivas. “A violência também aparece, mas pela perspectiva do morador, que raramente é ouvido pela mídia tradicional”.

Abaixo o estigma

Ao estimular moradores de favelas e periferias “para que se tornem comunicadores e produzam conteúdo retratando essas regiões de forma não estigmatizada”, o Viva Favela provoca uma visão crítica sobre a realidade vivenciada por cada um.
Na reunião de pauta, “o correspondente passa a se perguntar o que existe na sua comunidade para ser valorizado e o que deve ser denunciado, como isso pode ser feito, a quem esta informação deveria ser direcionada, que impacto ela pode ter e que desdobramentos podem ser esperados”. O endereço: www.vivafavela.com.br
O Viva Favela, aliás, é tema do livro “Notícias da Favela”, de Cristiane Ramalho (Editora Aeroplano, 2007), e possui um livro de fotografias homônimo lançado em 2009 em parceria com a Editora Olhares.

O reconhecimento

Alguns dos prêmios conquistados pelo Viva Favela: melhor projeto de inclusão digital, International Wireless Communication Association – 2001; Prêmio Telemar de Inclusão Digital, 2004; Documentary Photography Distribution Grant, da Open Society Institute (Fundação George Soros, Nova Iorque); Menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, 2005; Finalista do prêmio internacional Stokholm GKP, de projetos de Tecnologia da Informação para o Desenvolvimento (ICT4D). Participou da cerimônia de premiação na Malásia, 2007; Finalista do Stokholm Challenge Award, recebeu o Diploma por Excelência no uso da Tecnologia da Informação (participou da cerimônia em Estocolmo), 2008; e Prêmio Ponto de Mídia Livre, do Ministério da Cultura, 2009.
Amanhã tem mais, anuncia Natureza Morta.

ENQUANTO ISSO…


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