
Surpreendentemente de bom humor, Natureza Morta chegou cantando “Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida”, de Paulinho da Viola, homenagem à Portela. O professor Afronsius aplaudiu e fez coro.
Foi um rio/
Que passou em minha vida/
E meu coração se deixou levar!
Lembrança do Reno
A conversa, no entanto, tomou o rumo de outros rios, indo desembocar em títulos de livros. Começando por “Um Rio Imita o Reno”, de Vianna Moog, editora José Olympio, 1966, um dos marcos da literatura brasileira. Basicamente, mostra a contribuição alemã na história da formação do país.
Professor Afronsius e Natureza citaram depois, “mais em função de ter sido um best-seller”, o livro “Enterrem Meu Coração na Curva do Rio”, de Dee Brown.
Às margens do Tietê
O bate-papo foi ficando cada vez mais animado, ou caudaloso, para registrar um rato (e lamentável) trocadilho do vizinho de cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha, até que desaguou (mais um trocadilho…) no rio “enfeitiçado”.
Beronha, que acabara de chegar, ficou interessado.
– Já ouvi falar de rio bom de lambari, rio bom de bagre na boca da noite, mas, pra mim, enfeitiçado é novidade…
– Trata-se do Tietê, assim chamado porque corre ao contrário, do litoral para o interior – explicou Natureza.
Subvertendo as coisas
Recorrendo à Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog, o trio obteve mais detalhes sobre o “fenômeno” Tietê. O rio nasce a uma altitude de 1.030 metros da Serra do Mar, no município paulista de Salesópolis, a 22 km do Atlântico e a 96 km da cidade de São Paulo.
Ao contrário de outros rios, travou um confronto com a natureza: como não consegue vencer as massas rochosas rumo ao litoral, para chegar ao mar – como ocorre com a grande maioria dos rios –, o Tietê corta a Região Metropolitana de São Paulo e segue para o interior. Vai desaguar 1.100 km depois, no rio Paraná.
Opção pela lagoa
Beronha, que a tudo ouvia com uma superficialíssima camada de atenção, mesmo assim resolveu dar sua contribuição à conversa:
– Como só peixe morto acompanha a correnteza, prefiro a lagoa.
– Lagoa?
– Sim, a de “O Pato”, do João Gilberto.
E o nosso anti-herói de plantão bateu em retirada, feliz da vida:
A voz do Pato/
Era mesmo um desacato/
Jogo de cena com o Ganso/
Era mato/
Mas eu gostei do final/
Quando caíram n’água/
E ensaiando o vocal…
Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!
ENQUANTO ISSO…




