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Para ver, ler e não esquecer

Velho apreciador de cinema, professor Afronsius veio comentar um clássico do expressionismo alemão: “M – O Vampiro de Dusseldorf” (M – Eine Stadt sucht einen Mörder), de Fritz Lang, 1931.
O roteiro é de Lang e Thea von Harbou, acrescentou Natureza Morta, no dedo de prosa junto à cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha. Quem não teve a oportunidade de assistir, há nas boas locadoras.

Da tela à realidade

Para resumir o filme para Beronha, que acabara de chegar para serrar o café da manhã, ainda à mesa, posto que nosso anti-herói de plantão só dá as caras por volta do meio-dia, o professor Afronsius anunciou uma sinopse.
– Sinopse? Quando se trata de cinema eu prefiro drops… Dulcora.
No final da década de 1920, uma série de crimes espalha o pavor na cidade. Um assassino de crianças desafia as autoridades. A polícia vai às ruas com força total, para tranquilizar os moradores, que pedem justiça. Nada consegue. Mas a presença de tantos policiais dando batidas pela cidade provoca efeito colateral. O submundo do crime, de repente, tem sua rotina alterada. É colocado em xeque, imobilizado. Trata de preservar seus interesses, lançando-se também à captura do criminoso. Rapidamente, por conhecer o submundo, chega a ele. Aí vem a questão: decidem julgá-lo. O criminoso deve ser entregue às autoridades ou executado sumariamente?
Fritz Lang fez o roteiro a partir de um artigo que leu sobre o serial killer (ou “cereal killer”, como prefere Beronha) Peter Kuerten, que espalhou o terror em Dusseldorf.
O filme foi proibido na Alemanha nazista, em 1933. O ator Peter Lorre, que interpreta o vampiro, deixou o país logo depois das filmagens. Lorre era judeu. Fritz Lang, partiu dois anos depois. Afinal, o sinônimo de morte não era mais uma só pessoa, como na história de M.

Passado sempre presente

Encerrando a conversa, o professor Afronsius disse que não sabia explicar, mas que, subitamente, o filme veio-lhe à mente ao ler a série de matérias do jornalista Tales Faria, do iG Brasília, a respeito do lançamento do livro “Memórias de Uma Guerra Suja”, dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros.
Baseado em depoimentos do ex-delegado do Dops Cláudio Antonio Guerra, o livro, da editora Topbooks, traz uma série de revelações sobre a repressão no período da ditadura civil-militar de 64. Da incineração de militantes de esquerda em usina de açúcar ao atentado do Riocentro, mais os casos da morte do delegado Fleury e de Baumgarten. Entre outros.

ENQUANTO ISSO…


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