
Tem gente, muita gente, que continua reclamando da reforma ortográfica, aquela que tirou o chapeuzinho de voo, de ideia e de para, do verbo parar. Pois bem, a seção Achados&Perdidos volta a atacar: o amigo Carlos Solera, escritor, enviou ao blog uma mensagem com este recado – “Não sei quem escreveu, mas quem assina é o TREMA… É uma tremenda aula de criatividade e bom humor. A consequência não poderia ser outra, uma agradável leitura…” Lá vai:
“Despedida do TREMA. Estou indo embora!
Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema…
Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica, e, simplesmente, estou fora! Fui expulso pra sempre do dicionário.
Seus ingratos! Isso é uma delinquência de linguistas grandiloquentes!… O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio. A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois pontos disseram que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C insólito, que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E há ainda aquele obeso do O e o anoréxico do I.
Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele se negou, sempre encerrando logo todas as discussões…
Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?…
A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, “Kkk” pra cá, “dev” pra lá. Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER…
Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências. E chega de piadinhas dizendo que eu estou “tremendo” de medo. Tudo bem, vou embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não irão agüentar!…
Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história. Adeus,
ass: o Trema!”
Resta um consolo
Calma, meu prezado Trema. Resta-lhe um tremendo consolo, ou mais do que isso. Como destaca Natureza Morta, você vai continuar presente na língua portuguesa pós-reforma em nomes próprios e suas derivações, caso de Müller, mülleriano e, bem melhor, em Bündchen…
ENQUANTO ISSO…




