
Não, não estou falando de futebol. Não estou falando da Arena da Baixada ou da Arena do Grêmio. Estou falando da Aliança Renovadora Nacional, o antigo partido político dos militares que está insinuando uma possível volta pelas mãos de jovens cuja mentalidade fazem o Sarney parecer um pensador libertário.
O próprio Sarney disse, quando perguntado sobre a ARENA: “são coisas tão antigas…”. Por um instante eu senti um certo humanismo no oligarca do Maranhão. Nem mesmo o Sarney endossa a volta do partido do Garrastazu Médici.
O argumento é que a ARENA seria um contraponto moral e imaculado aos partidos de hoje, afundados na lama da corrupção – notoriamente o PT que nos proporciona um escândalo nacional atrás do outro. Ao menos até algum outro partido assumir o poder.
Segundo os entusiastas da ideia de Jerico, a ARENA carrega a imagem de que os generais, majores e brigadeiros eram incorruptíveis – e mandavam prender quem o fosse. Um e-mail que circula pela internet diz que “os militares que foram presidentes não enriqueceram depois que deixaram o governo”.
Ora, pois. Não me consta que os civis Itamar Franco, o FHC ou o Lula tenham enriquecido, mas enfim… é uma bobagem. Deixe eu contar uma coisa para vocês: a corrupção é como DST, não escolhe sexo, classe política ou social, raça ou gênero. Muito menos partido. As pessoas podem não ser corruptas. Mas o sistema, a engrenagem em si é corrupta. Infelizmente, ela não acaba com mão de ferro. Vide o Partido Comunista chinês.
A minha tese é que um partido só é relativamente confiável quando não está no poder – e olha, olha muito lá!. A partir do momento em que ele assenta seus membros no confortável banco reclinável da máquina pública, a simbiose começa e, acho que foi Borges quem disse numa conversa com Ernesto Sábato, citando um escritor francês: “As ideias nascem doces. E morrem ferozes”. Nascem inocentes. E morrem julgadas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ou em alguma Comissão da Verdade da vida. (Benett)
Algumas charges publicadas na Gazeta do Povo e Folha de S. Paulo:
01 – Folha de S. Paulo, 15/11/2012

02 – Gazeta do Povo, 12/11/2012

03 – Folha, 21/05/2012

04 – Folha, 04/10/2012

05 – GP, 22/10/2012

06 – GP, 27/08/2012

07 – Inédita

08 – GP, 24/09/2012

09 – GP, 05/11/2012

10 – GP 21,05,2012

11 – Folha, 18/10/2012




