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Cesar Marchesini

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> Cesar, finalmente as perguntas. Não deu para mandar antes. Estou cobrindo férias de DOIS ilustradores da GP, um deles o Paixão. Mas enfim, vamos ao que interessa. Bem, vou me concentrar apenas nas tiras, mas se quiser comentar algo de sua vida pré-Gazeta, manda ver. Ah, fale à vontade. Vou tentar emplacar essa entrevista no jornal, também.
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> 1- A maioria dos cartunistas, ao que me parece, têm como influências tantos textuais ou gráficas, outros cartunistas. A impressão que tenho é que você busca suas principais referências no cinema, especificamente em Buster Keaton, Harpo Marx e Chaplin e todos aqueles comediantes fabulosos do cinema mudo. Há algo de desenho animado, também. É correta essa minha impressão ou estou falando uma grande bobagem?

Não é bobagem não. Uma ideia nova depende muito da combinação desses elementos. Se não fosse o Mirandinha, o Ziraldo,de quem eu chupo de vez em quando, o velho Henfil (grande influência), o Solda, alguns norte americanos que nem me lembro o nome como o Herb Lubalin, David Carson, todos cartunistas nas horas vagas, eu estaria sem emprego hoje. Aliás, quero aproveitar o prestigio deste veículo pra pedir um aumento.

> 2- Desde Otto Soglow ( Reizinho ) e Carl Anderson ( Pinduca ) não me lembro de ter lido nenhuma outra tira cômica absolutamente sem texto. No Brasil isso é ainda mais raro. Talvez você seja um dos únicos do mundo a fazer esse tipo de humor, que eu diria clássico, atemporal. É muito difícil pensar numa piada diária sem recorrer ao texto?

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Tenho grande dificuldade para escrever e me concentrar. Por isso procurei um tema fácil: “a desgraça alheia”, que não precisa de muito texto.
O Reizinho e o Pinduca são ótimas referências. A dinâmica é muito importante em quadrinhos. O traço é simples porque não dá tempo de fazer complicado.

> 3- Outra coisa impressionante: você desenha toda a tira direto no computador, certo? Quer dizer, além do texto, você descartou também o lápis e a borracha. Quanto tempo você leva para desenhar uma tira, contando o insight da piada até o instante de enviar o material pronto para o jornal?

A vantagem de usar o computador é que ele não faz sujeira. O tempo que leva pra fazer a tirinha é assim: quando a ideia vem primeiro é mais rápido. 1 hora.
Se a ideia vier depois, azar dela. Fica pra próxima.
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> 4- Tem acompanhado as tiras que andam sendo feitas por aí? O que acha desses geradores de tiras como o Stripgenerator ( http://stripgenerator.com/create/ ) ou a onda de tiras “clonadas” que surgiu com o Cyanide and Hapinez

Não consigo acompanhar. Eles são muito rápidos. Mas uma coisa é certa: todos têm nome de remédio.
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> 5- Quando vamos ver um livro ou um site específico com suas tiras? Tem algum projeto disso?

> Tenho algum material publicável mas é muito pouco. Talvez um livrinho seja uma boa saída.

Gostaria de me despedir do leitores lembrando que nunca se deve dormir longe das calças, pedir pra uma adolescente dizer a verdade ou confiar no peido.

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