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A saga para encontrar a Bela Inês de Fera Ferida

Giulia Gam e Edson Celulari não foram as primeiras opções para o casal protagonista de "Fera Ferida". (Foto: Bazilio Calazans/TV Globo) (Foto: )
Giulia Gam e Edson Celulari não foram as primeiras opções para o casal protagonista de

Giulia Gam e Edson Celulari não foram as primeiras opções para o casal protagonista de “Fera Ferida”. (Foto: Bazilio Calazans/TV Globo)

“Fera Ferida” voltou a ser exibida no Canal Viva à meia noite na semana passada. A trama de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares se passa em Tubiacanga e aproveita contos de Lima Barreto para os seus 209 capítulos. Mais cedo, à tarde, outra novela de realismo fantástico está sendo exibida: é “Pedra Sobre Pedra”, do mesmo trio de autores, produzida apenas dois antes também no horário nobre.

Além dos tipos fantásticos (tem lobisomem, mulher que voa e outros que tais, típicos do gênero perpetuado por Aguinaldo Silva até 1999 – e hoje esquecido e abandonado pelos autores, infelizmente), “Fera Ferida” também tem algumas curiosidades de produção.

O título provisório da novela – tal qual o famoso conto de Barreto – era “Nova Califórnia”, mas Boni, na época vice-presidente de operações da emissora, e responsável por decidir os títulos, achou melhor mudar para “Fera Ferida”, por causa da música que embala a abertura.

Aliás, falando em abertura, “Fera Ferida” tem os créditos “móveis”. A exemplo de “A Viagem”, que seria exibida no ano seguinte às 19h, os nomes dos atores “voam” pela tela. Hoje, assistindo pelo Viva, em HD, percebe-se que não era uma ideia tão boa assim. Os créditos ficam distorcidos e desproporcionais. Talvez, por isso, a ideia não tenha ido adiante.

A cenografia também chama a atenção. O casarão de Flamel (Edson Celulari) era uma construção gótica, sombria e misteriosa. Na época, Tubiacanga era a maior cidade cenográfica já produzida pelo cenógrafo Mário Monteiro até então: 30 mil m². Glória Maria fez uma matéria especial mostrando os bastidores e o rio cenográfico. Esta cidade, aliás, foi utilizada, com as mesmas características, em “A Indomada” (1997), “O Beijo do Vampiro” (2002) e “Chocolate com Pimenta” (2003), só para citar algumas.

Com relação à escalação do elenco, a jornalista Patrícia Andrade escreveu no O Globo de 26/09/1993 que a primeira opção para viver Linda Inês tinha sido Cláudia Abreu, fortalecida pelo sucesso de Heloísa, de “Anos Rebeldes”, exibida um ano antes. Em seguida, o convite teria sido feito a Letícia Sabatella, que faria par romântico com José Mayer (a primeira opção para Raimundo Flamel). No mesmo jornal Lilian Arruda escreveu que Rubens Caribé, Fábio Assunção e Leonardo Vieira foram testados para o papel de Flamel. Os dois últimos acabaram protagonizando “Sonho Meu”, às 18h, no ano seguinte. Por fim, chegou-se ao casal Giulia Gam e Edson Celulari (mais tarde repetido na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”). Mas como Giulia teria hesitado em aceitar, a Globo teria chamado até Malu Mader. Coisas comuns na produção de uma novela, mas que se tornam curiosas, tantos anos depois.

 

 

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