

Estúdio onde comungávamos todos
Há duas inverdades quando me acusam aqui no blog. Dizem que todo crítico é um músico frustrado. Para atender a alcunha eu primeiramente precisaria ser crítico de alguma coisa, o que não sou. A segunda é mais falsa ainda, já que participei de uma das maiores bandas de todos os tempos.
O sucesso oculto bateu-nos à porta pelos idos de 98/99. A banda era formada pelo londrino Marco Sanchotene, o Jacaré (bateria), Guilherme Voitch, apelidado de Pangaré (guitarra?), Marcelo Brasil (voz e gritos) e este blogueiro no baixo. Havia outros elementos não fixos, como Marcos Xavier Vicente, conhecido pelo diminutivo Marcão (cuíca). O publicitário Régis (não lembro o sobrenome, foi mal) também participava. O cão Botinha era um amigo fiel, e inspirador.
O nome não poderia ser outro: “Barba, Cabelo e Bigode”. Ou seja, daríamos as melhores músicas já feitas para o público, que não precisaria de nenhuma outra canção no restante de suas vidas. Além do talento, um engradado de cerveja nos unia. Era impressionante a capacidade de aprimoramento musical conforme as horas iam passando. O primeiro hit aconteceu por um crime que cometi e tentarei corrigir aqui. A estonteante “Homem-pasta”, que todos cantavam em uníssono, foi roubada de uma banda de outros amigos.
Foi tudo muito rápido. Um dia montamos o conjunto, no outro tínhamos um CD inteiro com composições próprias e, na semana seguinte, o fim. Num lampejo de genialidade, alguém deixou um gravador com tecnologia avançadíssima ligado durante um “ensaio” (entre aspas pois aquilo era algo muito maior, quase uma comunhão).
Houve um show que marcou gerações no Kowalski Bar. Treinados, subimos no palco com a plateia delirando. Havíamos tomado muito suco quando começou a barulheira. Em segundos, os donos do bar descobriram que não havia sido uma boa ideia dar espaço para os novos artistas. E dá-lhe dedo no botão para diminuir o volume. Não nos entregamos de primeira. Então ficamos dividindo nossa atenção com o suco de laranja, as notas musicais e o controle do volume com o coreano.
Quando nos demos conta, apenas uma pessoa nos escutava. Um mendigo simpático com dois dentes. E que animação! O infeliz pulava, cantava (?) e nos abraçava. Sabíamos que estávamos no caminho certo e que todas as outras pessoas que se encantaram com a banda de pagode do bar ao lado é que estavam erradas.

Da esquerda para a direita, Guilherme Voitch, Marcelo Brasil e Ewandro Schenkel. À frente e de costas, Marco Sanchotene
“Experiência sonora revolucionária que mistura a rebeldia, a simplicidade e a espontaneidade do punk rock com o detalhismo, o virtuosismo e a complexidade do rock progressivo. Ou seja, é barulhenta como o primeiro e chata como o segundo”, concluiu o Jaca tempos depois. Perfeito.
Tire toda a cera do ouvido e deixe a arte te contaminar em http://www.myspace.com/bandabcb



