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Invicto, Lyoto Machida leva o cinturão mais difícil do mundo

Divulgação/UFC
Machida “acaricia” rosto de ex-campeão Rashad Evans

É o trabalho deles: entrar num ringue contra um lutador profissional que nunca foi batido em suas 14 lutas. Não adianta amolecer as pernas quando se sabe que Rashad Evans, que está do outro lado do corner, é o campeão da categoria (93kg) mais disputada do maior evento do esporte mais duro já feito. Tem que ter um coração gigantesco para enfrentar um cara que tem o apelido de “Sugar”, em homenagem a Sugar Ray Leonard, um dos maiores lutadores que o mundo do boxe já viu. Mas o esporte aqui é outro. Mais traumático, desafiador e exigente.

O público que compareceu ao UFC 98, realizado em Las Vegas, Nevada, na madrugada deste domingo, precisou esperar dois minutos para conhecer o desafiante. Com a perna esquerda esticada Lyoto Machida tocou com o peito do pé na orelha de Evans e mostrou o cartão de visita. Foi o bastante para, segundos depois, a luta pela preferência do público estar encerrada com o coro para o brasileiro.

Lyoto luta como um beija-flor. Mantém-se parado na frente de seus adversários esperando o erro. É o rei do contra-golpe. Não importa a experiência do oponente, tocar o rosto do baiano-paraense é tão difícil quanto pegar o pássaro com as mãos. Sempre é uma questão de tempo para o erro acontecer. Neste caso foi no último minuto do primeiro round, quando uma sequência iniciada com um chute esquerdo e finalizada com dois diretos alternados abalou a confiança do americano que foi à lona por instantes.

No começo do segundo tempo, o campeão evitou a tradicional tocada de luvas. Mais comedido ainda que a etapa anterior, Evans sentiu que não conseguiria entrar no jogo. Lutava recuado e dentro do raio de ação do brasileiro. Talvez esperando o inevitável, que chegou de forma brutal faltando 1m30 do fim do round. Foram 25 segundos de uma série impressionante de socos, chutes e empurrões. Lyoto parecia um toureiro brincado com um bezerro. O golpe certeiro foi um cruzado direito no queixo. As pernas retorcidas, o pescoço deslocado e o olhar vidrado de Evans fizeram o juiz correr para interromper a luta.

Se tivéssemos olhado para o desafiante com atenção antes da luta, teríamos notado que ali também estava um lutador invicto, com 14 lutas em diversas categorias. Que não toma uma gota de álcool há anos. Que treina no mínimo 10 horas diárias desde que tinha 15 anos. Centrado e de uma inteligência corporal e reflexos anormais. “Eu chorei, eu treinei e agora sou campeão”, disse logo após o confronto com a voz trêmula o lutador que fez parecer brincadeira enfrentar um campeão que nunca havia sido derrotado, na casa do adversário, pela categoria mais difícil do esporte mais exigente do mundo.

Divulgação/UFC
Machida comemora mais um dia de trabalho e leva o cinturão mais disputado do mundo das lutas

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