i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Thiago de Aragão

Foto de perfil de Thiago de Aragão
Ver perfil
Vozes

Bolsonaro e sua escolha de Sofia

  • PorThiago de Aragão
  • 05/07/2019 18:00
Bolsonaro-Congresso
O presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão durante encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Fernando Bezerra, no Palácio do Planalto, no final de abril| Foto: Marcos Corrêa/PR

Os primeiros seis meses do governo Bolsonaro foram repletos de fortes emoções tanto para seus apoiadores quanto para seus opositores. Sim, houve pontos positivos que merecem menção, independentemente de terem sido alcançados graças ou apesar do Presidente. A aprovação do cadastro positivo, a MP da Liberdade Econômica, o Acordo Mercosul – União Europeia e, acima de tudo, o avanço da Reforma da Previdência foram os grandes destaques promovidos até agora.

No entanto, algumas questões se mostraram mais espinhosas. Certamente, temas conjunturais como os vazamentos do Intercept ,que atingem o ministro Sergio Moro, e os tweets de Carlos e Olavo chamam a atenção. Porém, um ponto estrutural causa mais preocupação para as próximas etapas: a relação da presidência com o Congresso.

A narrativa antipolítica do presidente provou-se bastante eficaz durante a campanha eleitoral. Colocando-se como uma novidade antiestablishment, Bolsonaro transmitiu a uma parcela da sociedade a percepção de que os males da política brasileira se concentravam no Congresso Nacional.

Aliada a uma "agenda de costumes", essa narrativa caiu como uma luva para uma importante parcela do eleitorado que enxerga no Presidente a possibilidade de "limpar" o ambiente por meio da rejeição da própria política.

A construção de colchões de popularidade é um ponto crucial para a tranquilidade política de um governo. Lula montou seu colchão em cima de uma agenda social centrada no Bolsa Família. Dilma e Temer chegaram ao dígito único de popularidade por uma ampla composição de fatores que incluiu a ausência de colchões próprios. Já Bolsonaro tem como amortecedores a composição de sua agenda de costumes e de sua narrativa antipolítica.

Pois bem, mesmo que a força dessa narrativa seja óbvia - como percebido em algumas manifestações pró-governo -, no sentido pragmático ela não colabora para o avanço de uma agenda reformista tão necessária que deve passar, invariavelmente, pelo Congresso Nacional.

A narrativa antipolítica fortalece uma sólida base de apoio enquanto enfraquece o relacionamento com outros poderes, principalmente com o Legislativo. Na pós-reforma da previdência preocupa, pois, uma vez superada a emergência da aprovação, o Congresso poderá confrontar o Executivo com mais afinco, forçando Bolsonaro a cometer erros. E como se dariam esses possíveis erros? Além do próprio fortalecimento do Congresso via o orçamento impositivo, o parlamento já deu sinal de movimentações em busca de maior autonomia de atuação na mudança das regras de medidas provisórias – novas regras já aguardam sanção presidencial.

A mudança na forma de fazer indicações para as agências reguladoras também foi para sanção presidencial (sendo vetada pelo Presidente, porém o veto ainda pode ser derrubado pelo Congresso). Mais do que isso, o Congresso pode ainda avançar com um "pacote de bondades" que incluiria reajustes salariais para servidores públicos e aumento real do salário mínimo (como exemplo), colocando pressão no Presidente para vetar e assim prejudicar sua percepção por uma parcela do eleitorado que não o defende com tanta força.

Por isso, a escolha do Presidente Bolsonaro para os próximos seis meses estará entre fortalecer sua relação com uma parcela do seu eleitorado (aproximadamente uns 20%) que apoia sua narrativa antipolítica -- uma opção que naturalmente desgastaria sua relação com o Congresso -- , ou abandonar essa narrativa visando a pacificação na relação com o Legislativo.

Essa pacificação não passaria necessariamente por distribuição de cargos (por mais que isso já ocorra), mas certamente por emendas parlamentares mais robustas, como as que foram negociadas visando a reforma da previdência. Em cima disso, haveria pressão do Congresso para que a "agenda de costumes" deixasse de ser uma prioridade, devido à sua abstração e à rejeição vinda de aliados.
O Congresso brasileiro é muito forte, admita-se ou não essa verdade. Mesmo com uma maioria, Bolsonaro já sofreu derrotas inesperadas graças a posturas oscilantes de seus aliados. Iniciar um debate sobre a reforma política que eventualmente passe pelo fim da reeleição seria uma resposta absoluta e final se acaso acontecesse uma grave piora nessa relação. Na pós-reforma, os próximos Presidente da Câmara e do Senado podem ser ainda mais corporativistas em defesa do Parlamento.
Os últimos dois anos deste governo serão fortemente impactados pelos indivíduos que presidirão as duas casas. Não nos esqueçamos que confrontos entre Executivo e Legislativo geraram Severino Cavalcante e Eduardo Cunha; um, prejudicando fortemente a governabilidade de Lula; outro, defenestrando Dilma.

4 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 4 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.

  • T

    Teodoro Jacob Winkler

    ± 19 horas

    Quanta bobagem. Agora vem aí esse jornal com uma pesquisa do "datafolha" . Datafolha? francamente! só se margem de erro for 80 pontos para cima e para baixo.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • S

      Simone

      ± 20 horas

      Entra ano e sai ano e o Brasil continua o mesmo. O projeto de reforma da Previdência mal saiu da Comissão e a proposta original do Paulo Guedes já foi amplamente desidratada porque o Congresso continua representando os interesses das grandes corporações do funcionalismo público, com a ajuda (pasmem!) do Presidente da República, que resolveu fazer o papel ridículo de garoto-propaganda dos policiais. É a política velha e decadente mais viva do que nunca. PT, PSOL e companhia fizeram escola.

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

      • P

        Pedro Piarini

        ± 1 dias

        Nossa, quanto amor ao Congresso! Seria esse um poder que jamais se corrompeu ou deu as costas ao povo para tamanha defesa de um jornalista? Seria então o Presidente o "malvadão" por estar indo contra o "virgem e puro" congresso? E se o presidente, eleito por 57 milhões de brasileiros ao estar colocando em pratica o que ele prometeu ao povo, ser atrapalhado e sabotado sistematicamente pelo congresso, vc quer dizer que justamente aquele mais votado, esta errado? Cara, de boa, acorde. O Brasil esta mudando e muitos desses "congressistas" que hj possam de barões terão em 2022 uma forte e dura realidade pela frente ao se verem sem seus mandatos, bem como vcs da midia, sem audiencia alguma!

        Denunciar abuso

        A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

        Qual é o problema nesse comentário?

        Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

        Confira os Termos de Uso

        1 Respostas
        • H

          Helena Maria de Souza

          ± 22 horas

          E Pedro, cada um acredita no que quer e pode.

          Denunciar abuso

          A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

          Qual é o problema nesse comentário?

          Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

          Confira os Termos de Uso

      Fim dos comentários.