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Comunidades que levam o empreendedorismo a sério
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Já estive aqui contando para vocês sobre várias comunidades, mas ainda não contei sobre como a minha comunidade começou. Dentro do conceito de economia colaborativa, feita de pessoas para pessoas, nasceu o Clube da Alice, um projeto curitibano que me orgulho muito de ter começado. Surgiu com um sonho de reunir mulheres de diferentes profissões para fortalecer relações comerciais e compartilhar o apoio entre elas.

As “Alices” postam seus produtos e serviços e usam a comunidade como uma vitrine virtual e o Clube se mostrou, por meio das mídias sociais, um espaço eficiente de oportunidades. As conexões geradas no Clube da Alice são responsáveis pela renda de muitas mulheres que têm a divulgação de seus negócios baseada na comunidade.

Eu criei o Clube da Alice no Facebook em 2014 e essa rede de conexões cresceu muito mais rápido do que eu esperava. Logo, a comunidade se tornou um grande espaço virtual de fomento ao empreendedorismo feminino local. Hoje, somos mais de meio milhão de mulheres, e não temos distinção de cor, idade ou classe social.

84% das participantes residem em Curitiba ou em cidades vizinhas, ampliando assim a possibilidade de conexões entre a micro e pequena empreendedora e o seu público-alvo.

Juntas, geramos mais de 2,9 milhões de interações por mês e, nesses 6 anos, vimos no grupo muitas histórias de transformação de vidas.

Histórias como a da Camila que, ao se ver sem emprego e com o filho precisando fazer uma cirurgia, fez o seu primeiro post no Clube oferecendo seus brigadeiros. Hoje, após cinco anos de sua primeira publicação, ela possui quatro confeitarias e emprega mais de 30 pessoas.

Fazer com que essas participantes entendam e utilizem melhor as ferramentas do Facebook é uma das grandes dificuldades que encontro administrando o Clube da Alice. Muitas participantes acreditam que quando fazem um post, ele será entregue as mais de meio milhão de participantes do grupo, pois não conhecem muito sobre os conceitos do marketing digital, como alcance, engajamento e principalmente sobre o algoritmo, grande maestro do Facebook.

Ao me aproximar mais destas empreendedoras percebi que muitas delas tinham dificuldades básicas também em outras áreas e que precisavam de apoio para que seus negócios pudessem crescer.

Pouco tempo antes da pandemia eu conheci a Geovana Conti de Sá, me encantei com seu trabalho e com sua linguagem direta que falava exatamente o que eu gostaria que nossas Alices ouvissem e colocassem em prática. O trabalho da Geovana está mudando uma das comunidades mais pobres de Curitiba. Ela, que era gerente de multinacional, largou sua carreira para ajudar pessoas que queriam começar um negócio, mas não sabiam como.

empreendedorismo
Geovana Conti.| Arquivo Pessoal

Para ficar mais próxima de sua comunidade, se mudou para dentro dela com seu marido e suas duas filhas e criou uma empresa social que oferece treinamento e cursos gratuitos a moradores que querem empreender ou chegar mais preparados ao mercado de trabalho.

“55% dos projetos que apoiamos são da área alimentícia: bolo no pote, pipoqueiro, barraca de cachorro-quente, geladinho gourmet, pão. Um exemplo é de uma garota de 19 anos chamada Julia e mãe de dois filhos. Ela só tinha 10 reais no bolso e precisava comprar fraldas. Durante o curso, ela se lembrou que a vó tinha ensinado a fazer o iogurte ‘Danet’ caseiro. Com os 10 reais ela comprou ingredientes, montou 50 potinhos e saiu vendendo pela comunidade por R$ 1,50 cada. No fim do dia, ela tinha R$ 70. Então, isso é empreender.

Também temos o pessoal do artesanato, do bordado e, por fim, o pessoal dos serviços, que quer ser babá, cuidador de idoso, entregador, entre outros. Hoje, dentro da nossa metodologia, conversamos muito com especialistas, terapeutas, para entender mais sobre psicodrama, constelação familiar e tudo mais. As nossas aulas são muito dinâmicas, trabalhando essa persona. Isso é a base de nosso trabalho. Eles chegam a conclusões sobre eles mesmo”, conta Geovana.

Empreendedorismo
Encontro online das participantes do Desafio Empreender Agora Vai. | Reprodução

Para alcançar seus objetivos, a Geovana criou a Jornada Empreendedora onde os participantes passam por cinco semanas de mentoria em áreas como finanças, marketing e planejamento, e desenvolvem seus negócios como um todo. Esses alunos recebem um material exclusivo, passam por eventos de apoio e chegam ao inusitado “Tucunaré Tank”, um evento público com investidores reais para apresentarem seus negócios.

Eu estive na última formatura presencial antes da pandemia e saí de lá encantada com a possibilidade de levar toda aquela riqueza de informações para o Clube da Alice. Impossibilitada de fazer as jornadas presenciais, Geovana precisou trazer sua comunidade para o mundo digital.

Da nossa aproximação, nasceu um novo projeto chamado Empreender – Agora Vai. Idealizamos um grupo exclusivo de Apoio a Empreendedores, que leva conteúdos relevantes sobre empreendedorismo e marketing digital. O principal foco do grupo é preparar o nano, o micro e o pequeno empreendedor para o mercado, bem como habilitá-lo às boas práticas do empreendedorismo, incluindo seu posicionamento digital.

Histórias inspiradoras dos participantes da jornada empreendedora do grupo também fazem parte da nossa timeline e, mesmo com pouco tempo da comunidade, elas já são muitas. A parceria que está rendendo frutos, como o Primeiro Desafio Empreender Agora Vai. 30 empreendedoras do Clube da Alice estão recebendo informações sobre como utilizar melhor o Facebook para divulgar seus produtos.

E os resultados já estão aparecendo. Uma das participantes do grupo nos confidenciou que conseguiu pagar seu aluguel apenas com o resultado de um post que fez utilizando as dicas. Outra nos contou que suas vendas não param de crescer desde que começou a aplicar no dia a dia de sua empresa o conteúdo postado por nós. A comunidade já conta com 37 mil membros no Facebook e tem despertado o interesse de muitas e variadas empreendedoras pois as dicas são simples e práticas, e a linguagem é de fácil acesso para todas.

Um novo projeto nasceu da nossa parceria pois percebemos que muitas mulheres empreendem para realizarem algum sonho. Escolhemos duas participantes para uma mentoria mais próxima em busca de ajudá-las a alcançar seus objetivos. Logo espero voltar aqui para contar que a Evelyn conseguiu casar e se mudar para Minas e que a Ellen conseguiu ter renda suficiente para sustentar sua filha e passar mais tempo com ela por meio de seu empreendedorismo.

A comunidade Empreender Agora Vai também é finalista no novo projeto de aceleração do Facebook que participei com o Clube da Alice no ano passado, resultado da validação de mais um trabalho de impacto social gerado dentro da plataforma.

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