Cultura de incentivos; atenção ao microgerenciamento – que pode ser inimigo da inovação; e pragmatismo na inovação são pontos de atenção destacados por Allan Costa para uma mudança de estrutura organizacional.
Cultura de incentivos; atenção ao microgerenciamento – que pode ser inimigo da inovação; e pragmatismo na inovação são pontos de atenção destacados por Allan Costa para uma mudança de estrutura organizacional.| Foto: Pexels.

No meu último artigo defendi que é necessário modificar a estrutura organizacional para que se possa construir uma cultura de inovação. Argumentei que não adianta criarmos comitês ou departamentos de inovação se os processos e incentivos continuarem os mesmos. Serão boas peças de marketing, mas a inovação, de fato, não irá florescer.

Hoje, resgatando este tema, gostaria de trazer à tona o lado mais prático dessa história. Se no último artigo eu trouxe provocações, hoje quero estimular a ação. Isso se parece bastante com minha atuação profissional. Nas palestras e no AAA Inovação tenho um papel de provocador, compartilhando conteúdos e buscando mudar mentalidades. No meu cargo como sócio e Diretor de Inovação e Alianças da ISH Tecnologia, sou responsável por colocar em prática tudo aquilo que estudo e defendo.

Separei, então, três ações que você pode tomar hoje para começar a modificar, aos poucos, a estrutura organizacional da sua empresa em busca da inovação. Não se engane: não vou oferecer aqui uma bala de prata e nem prometer que este é um caminho fácil. Mudar uma estrutura e cultura já estabelecidas é uma tarefa muito, muito difícil, mas necessária se quisermos inovar dentro de nossas empresas.

Cultura de Incentivos

O primeiro ponto tem a ver com incentivos. Este é um ponto bastante negligenciado não apenas pelos gestores e pelas empresas, mas pela própria literatura sobre inovação. Na minha Mandala da Inovação Centrada no Cliente - um framework que desenvolvi há alguns anos - chamo essa área de Sistema de Recompensas.

Este sistema nada mais é do que o conjunto de mecanismos que a sua empresa cria para avaliar e recompensar tentativas de inovação. Aqui, os incentivos podem ser os mais variados: viagens, dinheiro, títulos, prêmios e assim por diante. O ponto é transmitir de forma muito clara para os colaboradores o que eles podem esperar quando suas sugestões de inovação trouxerem resultados.

Se a sua companhia repete aos quatro ventos que a equipe deve ser mais inovadora, mas as pessoas do time não têm os incentivos corretos para fazer isso acontecer, é bem provável que elas não se engagem o suficiente na tarefa.

Microgerenciamento é inimigo da inovação

O segundo ponto tem a ver com o famoso microgerenciamento. Muito fácil de ter como hábito e muito difícil de largar.

Essa prática ocorre quando os gestores buscam controlar até as mínimas ações que precisam ser tomadas por seus subordinados. Em seu livro, sensacional, How Innovation Works, o autor Matt Ridley parte de uma premissa: a inovação depende da liberdade para florescer. E o microgerenciamento é inimigo da liberdade.

Se os seus gestores praticam microgerenciamento, é bem provável que seja hora de buscar formas mais descentralizadas de gestão. Isso pode significar investir em comunicação e relatórios assíncronos, por exemplo.

Em um mundo onde o home office e o anywhere office vieram para ficar, a busca por mais liberdade é uma tendência crescente.

A inovação é criativa. Mas também pragmática

Por fim, gostaria de ressaltar que, apesar da inovação surgir a partir da liberdade e que uma cultura de incentivos é necessária para engajar funcionários, é necessário deixar claro também que a inovação deve ser vista de forma pragmática.

É óbvio que precisamos de grandes doses de criatividade para pensar diferente dos outros e construir algo novo. O ponto é: Apenas criatividade não é suficiente e este é um erro que percebo bastante quando converso com empreendedores ou visito empresas.

A inovação precisa de um ambiente que incentive a criatividade para florescer, mas para se sustentar, ela deve ser vista de forma pragmática. Com medição de resultados, retorno sobre investimento, alocação de capital e assim por diante. Esse equilíbrio entre criatividade e pragmatismo é essencial para saber quando precisamos “viajar nas ideias” e quando precisamos abaixar a cabeça e executá-las. Isso nem sempre é tão fácil quanto parece.

Se esses três pontos de alguma forma foram relevantes para você, deixe um comentário. E se você, hoje, tem algum desafio específico em relação à inovação, gostaria de ouví-lo. Use o campo de comentários abaixo e vamos conversar!

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