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Caixa Zero

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 24/05/16 3:06:05 PM

Por Chico Marés, interino

30 anos antes de ser o articulador do fim da “sangria” da Lava Jato, o senador e ex-ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) assumia seu primeiro cargo no governo federal. Nomeado pelo então presidente José Sarney e indicado por Marco Maciel, ele se tornou presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Sua passagem na fundação, que durou quase dois anos, foi lembrada pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). E não de uma forma elogiosa.

Segundo o relatório da CNV, a gestão de Jucá na Funai, órgão criado para proteger as populações indígenas, foi decisiva para a invasão de terras Yanomamis por garimpeiros. Pior: a gestão temerária, com o perdão do trocadilho, do principal aliado de Temer no Senado foi responsável pela morte de milhares de pessoas.

Tudo começou com a ampliação de uma pista de pouso em território Yanomami, em 1986. Diz o relatório:

“A Funai e os demais agentes públicos abandonaram a região, deixando a área livre para a ação dos garimpeiros. Não havia justificativas para a expansão dessa pista, uma vez que não havia pelotões de fronteira planejados para a região.

O impacto dos garimpeiros, que chegaram a cerca de 40 mil no final da década de 1980, foi devastador. Não há um número oficial de mortos em decorrência dessas invasões, mas se estima que chegue aos milhares. Comunidades inteiras desapareceram em decorrência das epidemias, dos conflitos com garimpeiros, ou assoladas pela fome. Os garimpeiros aliciaram indígenas, que largaram seus modos de vida e passaram a viver nos garimpos. A prostituição e o sequestro de crianças agravaram a situação de desagregação social.”

Mas a situação ficou ainda pior. Missões humanitárias que trabalhavam com esses índios, e que se tornaram particularmente essenciais em um cenário de epidemia e fome, foram acusadas de insuflar os Yanomamis contra os garimpeiros. E, Jucá, naturalmente, tomou o lado dos garimpeiros, determinando a saída desses missionários.

“Alegando reagir a denúncias que afirmavam que os religiosos estavam insuflando os índios contra os garimpeiros, Jucá determinou, sem averiguação, a retirada das equipes de saúde em meio a uma série de epidemias, sobretudo de gripe e malária, agravando ainda mais a situação. A expulsão dos profissionais de saúde, religiosos ou não, abarcou brasileiros atuando legalmente no interior da área indígena e se estendeu a regiões onde não havia presença de religiosos, contradizendo as acusações em que se basearam as decisões do presidente da Funai. Em decorrência dessa ação, a terra Yanomami permaneceu fechada por cerca de um ano e meio.”

(…)

“A inoperância da Funai na retirada dos garimpeiros, agravada pela expulsão dos profissionais de saúde, teve como consequência direta as mortes decorrentes de conflitos, que vinham sendo anunciados por telegramas enviados à sede do órgão indigenista pelos sertanistas locados na TI e que foram sistematicamente ignorados pelas instâncias responsáveis. As epidemias de gripe, malária, sarampo e coqueluche, somadas às doenças venéreas, ceifaram milhares de vidas, aniquilando aldeias inteiras.”

Essas informações estão na seção de violações aos direitos humanos dos povos indígenas do relatório final da CNV – incluindo as fontes primárias dessa história. Essa caso é contado entre as páginas 232 e 234.

Apesar desse episódio trágico, a carreira política de Jucá decolou após sua gestão na Funai. Em 1988, foi nomeado, por Sarney, governador do então território federal de Roraima. No extremo norte do país, o pernambucano montou um poderoso grupo político e empresarial, e conseguiu se eleger senador em 1994. Explica muito sobre o Brasil.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/05/16 3:00:26 PM

Por Chico Marés, interino

A conversa do ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado deixa pelo menos uma certeza: os crimes de responsabilidade não foram o motivo pelo qual o PMDB embarcou no impeachment. O senador por Roraima, nesta conversa, deixa claro que, para os caciques peemedebistas, a queda de Dilma Rousseff era uma medida de autoproteção da classe política, acima de tudo.

Para além disso, porém, sua fala traz muitas dúvidas. A começar pela natureza desse “acordo” para blindar o resto do mundo político da Lava Jato. Isso é crucial para entender – e combater – essa Operação Abafa. O ministro e senador também levanta suspeitas sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre o senador Aécio Neves, suposto participante de um “esquema que todo mundo conhece”.

Veja quatro falas de Jucá que precisam de explicações mais aprofundadas.

1. Quem eram os ministros interlocutores de Jucá?

“Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’”, diz Jucá, em determinado ponto da conversa. Resta saber: quem são esses ministros? Obviamente, alguém que defende o fim de uma investigação por razões exclusivamente políticas não tem a menor condição de integrar a suprema corte do país.

2. Qual é o “grande acordo”?

“Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais”, diz Machado. Como funcionaria esse grande acordo? Quais seriam os atores envolvidos, especialmente os atores fora do governo e do mundo político? Temer está na presidência há dez dias, algum passo foi dado em direção a isso? Sendo um dos “protegidos”, Lula foi consultado?

3. Qual é o “esquema do Aécio”?

“Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio?”, pergunta Machado. Francamente, eu gostaria de saber mais. A delação de Delcídio do Amaral acusa o senador de receber propina de Furnas, questão também mencionada por outros investigados da Lava Jato. Mas é disso que eles estão falando?

“O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara?”, diz Machado, em outro momento. Isso, a princípio, é informação nova. Qual a participação de Romero Jucá na eleição de Aécio para a presidência da Câmara? Quais deputados participaram desse esquema específico? Tem algo a ver com Furnas?

4. O que não estará na delação “seletiva” de Marcelo Odebrecht?

Em um determinado momento, Jucá diz que Marcelo Odebrecht fará delação, mas que será “seletiva”. O que exatamente ele quer dizer com isso? Como ele possui esta informação? E, mais importante, o que seria excluído da delação – se ela for seletiva mesmo? Quem seria poupado?

Relembrando: a Odebrecht chegou a anunciar que seu presidente faria delação premiada, mas a informação foi desmentida pelo Ministério Público Federal. Até o momento, nenhum acordo foi feito diretamente com ele.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 19/05/16 8:14:05 PM

Por Chico Marés, interino

A extinção do Ministério da Cultura e a transformação da Controladoria-Geral da União (CGU) em Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle geraram críticas pesadas ao presidente interino Michel Temer (PMDB). Para o diretor do Contas Abertas, Gil Castello Branco, as mudanças, em si, não são o problema. A questão é mudar sem que haja um planejamento prévio e sem que haja qualquer critério.

Para Castello Branco, o corte nos ministérios passa uma falsa impressão de que o governo está reduzindo gastos, quando, na realidade, as mudanças têm peso ínfimo no orçamento da União – que muitas vezes são absorvidas pelos custos da própria mudança. Entretanto, ao fazer isso de forma abrupta e sem critérios, as medidas não contribuem para tornar o estado mais eficiente – pior, geram mais dificuldades administrativas para o governo.

O diretor do Contas Abertas frisa, entretanto, que o excesso de ministérios é um problema, umas vezes que, na prática, grande parte dos ministros tem pouco poder de interlocução com a presidência. Entretanto, o governo não ficará mais eficiente apenas cortando pastas. No seu entendimento, é necessário um estudo aprofundado sobre o estado brasileiro, contemplando experiências de outros países, antes de simplesmente cortar por cortar.

CGU

A transformação da CGU em ministério também foi bastante criticada, especialmente por colocar o órgão de fiscalização interna do governo no mesmo patamar que outros ministérios – antes, o órgão era vinculado à presidência.

Para Castello Branco, isso é uma questão que deve ser observada, mas o modelo anterior também trazia problemas de ingerência política para dentro da pasta. Ele diz que o ideal seria transformar a CGU em uma espécie de agência, com funcionamento independente do governo central. Leia a entrevista completa abaixo.

 

Uma das primeiras medidas do presidente Temer foi cortar de 31 para 23 ministérios. Além disso, várias alterações, como a transformação da CGU em ministério, foram realizadas. Qual o balanço geral de toda essa mudança na Esplanada?

A medida de corte é tomada na ótica da redução de despesa, sem critérios. Aqui na Esplanada, há muitos anos, o verbo mais conjugado é o “cortar”. E, muitas vezes, esses cortes não tem racionalidade. Seja na despesa ou na estrutura, geram uma polêmica enorme e um efeito discutível.

Sou contra essa quantidade toda de ministérios. Acho, aliás, que [o número de ministérios] poderia sofrer uma redução ainda maior. A Alemanha tem 15 ministérios, por que o Brasil precisa de 39, ou mesmo 23? Agora, isso tem que ser feito com racionalidade e critério.

E o que deveria ser feito?

Há muitos anos no Brasil o que falta realmente é um estudo sério sobre o estado. Fazer uma racionalização do estado de forma consciente. Na década de 30, o presidente Getúlio Vargas criou um grupo de trabalho que passou quase um ano estudando e criou o DASP, para aplicar o fordismo para a administração pública – que estava na moda naquela época. Depois disso, as experiências desse tipo se contam nos dedos.

Reconstruir a administração pública praticamente do dia para a noite, em uma situação de emergência, é muito difícil. É impossível que você faça um estudo técnico nesse cenário. Daí, você não tem explicação para tudo o que aconteceu. Essa reforma foi apenas para dar uma satisfação pública à sociedade quanto ao corte de gastos. Meramente uma satisfação pública.

Por que uma satisfação pública?

Você diz: vou cortar 4 mil DAS. Tudo bem. Agora, mais de 70% dos DAS são funcionários do estado, ou seja, você corta apenas a gratificação. Aquilo tudo que era o Ministério da Cultura vai se tornar Secretaria da Cultura no Ministério da Educação. Você reduz alguns cargos no nível hierárquico, o que reduz algumas despesas, mas cria outras, como a modificação da estrutura física, por exemplo. Então, não foi uma redução relevante. Foi apenas uma satisfação pública. Esses cortes [em ministérios] não devem ser feitos como uma forma de redução de custos, mas de tornar a máquina pública mais eficiente.

A crítica à extinção do Ministério da Cultura é mais pela própria extinção do que pela maneira como ela foi realizada. Como o senhor enxerga essa crítica?

As pessoas estão preocupadas com uma estrutura administrativa porque acham que, deixando de ser ministério, o setor deixa de ter prestígio. Mas talvez elas não investiguem que, quando era um ministério, o prestígio já não existia, o órgão sofria restrições orçamentárias e de pessoal. Em 2015, o governo federal executou menos de 50% do orçamento previsto para o setor.

O que eu acho que aconteceu no Brasil foi que nós nos acostumamos com 39 ministérios. Quando você reduz para 31, depois para 23, isso provoca uma crítica generalizada. Todos imaginam que o prestígio de um setor depende de ter ou não um ministério, e isso é falso.

Por que é falso?

No início do governo Lula, a ministra Marina [Silva] declarou que, em seis meses, conseguiu despachar com o presidente uma única vez. Quando o governo Lula começou, em 2003, eu trabalhava como secretário executivo do ministério dos Esportes. Então sou testemunha de que o então ministro Agnelo [Queiroz] teve um único despacho com o presidente até eu sair, em outubro. Ou seja, em dez meses, apenas um despacho.

Então não há de fato um prestígio para um setor simplesmente porque ele se torna um ministério. Ao meu ver, era até mais razoável que você tivesse uma menor quantidade de ministros, mas ministros com capacidade de decisão e interlocução com o presidente da República.

No caso da CGU, houve uma modificação em sua estrutura funcional – passou a integrar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. Isso gerou muitas críticas, por sua mudança de escalão. Elas procedem?

É preciso levarmos em consideração que a CGU já vinha sofrendo cortes dramáticos no governo anterior. Nós já tínhamos notícias de cortes em programas importantes, como o dos sorteios, no qual a CGU sorteava alguns municípios para auditar. O orçamento autorizado da CGU para 2016 é o pior dos últimos sete anos. Nos valores efetivamente pagos, 2015 foi o menor valor.

Mas a mudança na situação hierárquica é ou não um problema?

A situação hierárquica do órgão não é determinante para que o órgão tenha menor ou maior projeção. A Polícia Federal é um órgão de terceiro escalão e, no entanto, por sua atuação, conseguiu se tornar um órgão verdadeiramente de estado. A CGU nunca conseguiu, mesmo estando ligada diretamente à Presidência. O que valoriza efetivamente um órgão é ter uma blindagem contra as influências políticas externas, um quadro de funcionários valorizado, bem remunerado e com aperfeiçoamento permanente.

E qual seria a situação ideal: ministério ou controladoria? Ou outro?

Para mim, o ideal é que não fosse nem um ministério, nem uma controladoria. O ideal seria a CGU como uma espécie de agência, com mandatos de dirigentes fixados de forma não compatível com a do presidente da República, para que essa estrutura fosse realmente independente. No caso da situação atual, de fato, poderá existir alguma dificuldade, em tese, uma vez que o órgão de auditoria está em situação hierárquica idêntica à dos órgãos que irá auditar. Isso deve ficar sob observação.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 11/05/16 9:14:36 PM

Em discurso na tribuna do Senado, senador Roberto Requião (PMDB-PR).Por Chico Marés, interino 

Roberto Requião (PMDB-PR) foi o segundo paranaense a discursar na votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Apesar de ser colega de partido do vice-presidente Michel Temer, Requião classificou o impeachment como “uma espécie de reverendo revogatório do Congresso, sem previsão na Constituição”. Ele criticou, ainda, políticas de austeridade fiscal – tanto as tomadas por Dilma quanto as planejadas por Temer.

Minutos antes de Requião discursar, Álvaro Dias (PV-PR) defendeu o impeachment e criticou a corrupção no governo federal. Gleisi Hoffmann (PT-PR), contrária ao impeachment, deve discursar somente durante a madrugada.

Discurso

Sobre o impeachment, o senador rechaçou a existência de crime de responsabilidade por parte de Dilma. “[O impeachment] Está previsto na Constituição, mas depende de um crime de responsabilidade. E é evidente que esse crime de responsabilidade não ocorreu. E se tivesse ocorrido, teria ocorrido em 16 estados brasileiros, inclusive no do relator [Antônio Anastasia, de Minas Gerais]. Mas não ocorreu”, disse.

O foco do discurso de Requião, porém, foi uma crítica a políticas de austeridade fiscal. “Dezenas de vezes eu vim a essa tribuna criticar a política econômica do governo federal. Talvez eu tenha sido o único a ser persistente na crítica, anunciando um déficit de entre 3% e 5%, diante do silêncio do plenário”, comentou.

Ele disse que o aprofundamento da política neoliberal é o motivo pelo qual o processo de impeachment foi desencadeado, e que a “utopia neoliberal” dá sustentação ao apoio a Temer. Ele classificou isso como um “desastre anunciado”. “Toda a proposta arquitetada [em Uma Ponte para o Futuro] é uma proposta neoliberal. É a mesma proposta que desgraçou a Europa, que trouxe a crise na Itália, em Portugal, na Espanha, que praticamente liquidou a Grécia”, comentou.

Requião ponderou, entretanto, que Temer é um “conciliador” e que não deve dar prosseguimento em “ideias radicais para encantar o mercado”. Ele criticou, ainda, a proposta de reforma da previdência.

Pausa

Durante o discurso, Requião falou que o Senado teria editado decretos suplementando seu orçamento. O presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) interrompeu o discurso para corrigi-lo, e aproveitou para fazer elogios ao Senado. O paranaense aproveitou a ocasião para tirar uma casquinha da Câmara. “Pelo menos não vi ninguém aqui votar pela mãe, pelo cachorro ou pela madrinha”, disse.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 11/05/16 8:27:10 PM

Por Chico Marés, interino

O senador Álvaro Dias (PV-PR) foi o primeiro senador paranaense a discursar na sessão que analisa a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. 26º na ordem da discussão, Dias, que defende a saída da presidente, classificou o PT como uma “quadrilha” e defendeu mudanças no “modelo de balcão de negócios” como solução para a governabilidade.

O próximo paranaense a falar será Roberto Requião (PMDB-PR), 28º a discursar. Gleisi Hoffmann (PT-PR) será a 56ª a falar, ou seja, deve discursar durante a madrugada. Ao contrário de Dias, os dois são contrários ao processo.

“O maior desserviço que se prestou à nação, nos últimos anos, foi a banalização da corrupção. Mas vejo a fotografia da nação como uma folha de dois lados. De um lado, a indignação. De outro, a esperança”, declarou Dias.

Ele também relembrou que, no passado, pediu o impeachment do do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Naquele momento, [Lula tinha] em alta popularidade. Não houve apoio, fiquei só”, disse. Para ele, se as “providências adequadas” tivessem sido tomadas, o Brasil não teria testemunhado “esse rombo monumental nos cofres da nação”.

Dias disse, ainda, que os políticos precisam mudar se não quiserem ser “atropelados” pela indignação popular. “Ou nós os políticos mudamos, ou seremos atropelados pela exigência implacável do povo brasileiro. Ou mudamos, ou seremos apeados da vida pública, como será apeada, certamente, a presidente Dilma Rousseff”, disse.

Sobre o processo em si, ele disse que “houve dolo” por parte da presidente, e que os crimes de responsabilidade atribuídos a ela são motivo para o impeachment. “O crime de responsabilidade fiscal foi praticado com dolo, visto que a presidente da República foi alertada em várias ocasiões das irregularidades chamadas de pedaladas fiscais”, disse.

Entrevista

Pouco antes do discurso, Dias deu entrevista à TV Senado, na qual comentou sobre a possível adesão do PV ao governo Michel Temer. O senador disse que o convite feito ao deputado federal Sarney Filho (PV-MA) tem caráter pessoal, e que espera que o PV adote uma posição de “independência” perante ao governo federal, caso Temer assuma.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 11/05/16 7:37:06 PM

Por Chico Marés, interino

Na sessão do Senado na qual os senadores decidem se Dilma cai ou não, quem caiu primeiro foi o dente do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). Enquanto ele explicava para jornalistas até que horas a sessão deve durar, um dente do senador “saltou” para fora de sua boca. A cena foi registrada pela TV Senado. Veja abaixo:

 

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 11/05/16 4:36:43 PM

Por Chico Marés, interino

Quando o impeachment foi votado na Câmara, chamou a atenção o alto número de parlamentares com pendências com a Justiça. No Senado, a situação não é diferente. Segundo levantamento da ONG Transparência Brasil, 58,7% dos senadores são citados pela Justiça. A proporção de parlamentares “enrolados” com a Justiça é maior entre os favoráveis ao impeachment.

Entre os 80 senadores em exercício do mandato (já desconsiderando Delcídio do Amaral, cassado ontem), 47 são citados em processos que tramitam na Justiça. Destes, 41 já abriram seus votos. 31 deles são favoráveis à saída de Dilma Rousseff, de um total de 50. Isso significa que 62% dos senadores pró-impeachment tem problemas com a Justiça.

Dez são contrários, de um total de 20 – a exata metade. Os outros seis não se pronunciaram ainda, incluindo nessa lista o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) – que não vota nesta quarta-feira (11), por presidir a sessão.

Ainda que isso possa ser usado como argumento contra o impeachment, a bem da verdade, isso nada diz sobre o processo. Esse dado expõe, sim, o estado geral da política brasileira – com Dilma ou sem Dilma. O problema da corrupção e da inidoneidade no espaço público não é um problema exclusivo de um partido, e sim de todo o sistema.

Claro, é preciso ter um certo cuidado antes de condenar automaticamente todos os senadores. Em muitos casos, é provável que sejam inocentes, ou que sejam questões menores. Por outro lado, não ser citado na Justiça não significa, obviamente, que um senador nunca fez nada de errado. Ainda assim, é uma métrica razoável para verificar o grau de deterioração do Congresso.

Paranaenses

Entre os paranaenses, a proporção é inversa. Os dois senadores que votam contra o impeachment, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), aparecem na lista dos citados.

Gleisi é citada no levantamento por dois casos: um, pouco relevante, é um processo do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no qual a senadora foi condenada por gravar programa eleitoral em prédio público. O outro, gravíssimo, é a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa sua suposta participação nos esquemas investigados pela Operação Lava Jato.

Já Requião é citado no levantamento por ser alvo de ação de improbidade administrativa, que tramita no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em ação civil pública movida pelo MP por suposto mau uso da TV Educativa e por pagamento de encargos especiais supostamente indevidos a servidores efetivos, em ação que tramita no Tribunal de Contas (TC).

Álvaro Dias (PV), favorável ao impeachment, aparece sem ocorrências na Justiça e no Tribunal de Contas no levantamento do Transparência Brasil.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 11/05/16 3:19:47 PM

Por Chico Marés, interino.

Enquanto o Senado vota o afastamento da presidente Dilma Rousseff, Michel Temer já se prepara para a primeira medida como presidente – em um primeiro momento, interino. A reforma da previdência já começa a ser discutida nos corredores de Brasília, e deve ser o primeiro projeto de grande impacto a ser apresentado pelo novo governo. É pouco provável que a ideia avance antes da conclusão do processo. Mas, depois disso, é questão de tempo até que um projeto sobre o tema entre em pauta.

Os dados sobre o tema mostram que, de fato, a situação atual da Previdência pública não tem como ser sustentável. A idade média de aposentadoria no país é próxima dos 54 anos. Já a expectativa de vida do brasileiro cresce de forma contínua desde a década de 1980. Na prática, isso significa que, no futuro, os brasileiros passariam mais tempo aposentados do que produzindo. E, economicamente, isso simplesmente não tem como dar certo.

Temer deve, provavelmente, tentar estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria. “No Brasil, estranhamente não há idade mínima para a aposentadoria, no regime geral do INSS, apenas no regime próprio dos funcionários públicos. (…) A verdade é que o sistema não suporta mais as regras em vigor”, diz o documento Uma Ponte Para o Futuro, do PMDB.

Curiosamente, Dilma também tentou fazer com que a reforma da previdência avançasse. “Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja 55 anos”, disse, em entrevista no começo do ano. Entretanto, ela sofreu resistência do seu próprio partido e de sindicatos e movimentos sociais ligados ao PT. A diferença, nesse caso, é que Temer deve ter menos resistências internas para fazer o projeto avançar – e um Congresso bem mais dócil.

Com Temer ou com Dilma, contudo, contudo é bastante impopular. A ideia de mudar as regras para a aposentadoria deve ser fortemente rejeitada por sindicatos e trabalhadores. Em países europeus, tentativas de aumentar o limite de idade foram recebidas com greves gerais e protestos de larga escala.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 10/05/16 6:25:29 PM

O mandado de segurança impetrado pela Advocacia-Geral da União (ACU) no Supremo Tribunal Federal para tentar anular o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) usa como um dos argumentos uma entrevista do deputado paranaense Aliel Machado (Rede).

A ideia de José Eduardo Cardozo ao citar  trecho é mostrar como Eduardo Cunha (PMDB-RJ), então presidente da Câmara, estava articulando a votação do impedimento da presidente, inclusive usando jogo pesado.

Aliel Machado concedeu entrevista ao blog Caixa Zero logo depois de mudar de ideia e votar contra o impeachment na Comissão Especial destacada para analisar o caso. Deputado federal de primeiro mandato, Aliel, de Ponta Grossa, relatou longamente sua situação.

No trecho incluído em seu mandado de segurança, a AGU diz que “Como sempre, em se tratando de Cunha, o nível vai para a briga de rua, a chantagem pesada, a bandidagem, o gangsterismo.”

A seguir, reproduz um trecho da entrevista:

“Eu tive uma conversa com o Cunha na semana passada. Porque eu fui na sala dele porque tinha um grupo querendo entrar no plenário e ele não autorizava. Fiquei puto da cara e fui lá. O Cunha falou: ‘Você não vai mais andar em Ponta Grossa. O Temer vai ser presidente, você vai ver’. Ele estava numa reunião com o Paulinho da Força e o Rodrigo Maia do DEM. Eles coordenando, articulando e chamando os líderes partidários, os deputados, convencendo. O Mendonça Filho veio me pedir, do DEM: ‘Você tem que ser a favor’. Vários deles. Os caras que estão a favor do impeachment estão montando o governo com o Temer, eles vão assumir o comando de tudo. DEM, PSDB, todos esses caras. É o jogo aqui.”

Quem quiser ler a entrevista de Aliel na íntegra clica aqui.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 10/05/16 3:33:53 PM

Por Chico Marés

Vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves (PT) respondeu, através de nota, declaração do PDT que pede sua renúncia como prefeita. Nesta segunda-feira (9), a direção municipal do partido criticou Mirian por apoiar a candidatura de Tadeu Veneri (PT) para a prefeitura de Curitiba e sugeriu que, por causa disso, ela deveria abdicar de sua posição de vice-prefeita.

“Lamento a atitude. Sei que o partido do Prefeito não gostaria que eu apoiasse outro candidato. Mas isso faz parte da democracia. Os partidos têm direito de escolher seus candidatos”, disse. “O PDT municipal confunde um pouco as coisas. Uma é o compromisso com a administração do município, conforme coligação firmada em 2012. Outra é o compromisso político para as próximas eleições.”

Mirian lembrou que, quando o PT decidiu lançar candidato próprio, ela decidiu, por conta própria, pedir demissão da Secretaria do Trabalho – cargo que ocupou desde o início da gestão Fruet – por “entender que se trata de um cargo de confiança do prefeito”. “Já como vice-prefeita fui legitimamente eleita e honrarei meu compromisso com a população até o final do mandato”, afirmou.

Mirian disse, ainda, que “não entendeu” a reação do PDT, visto que o PT já decidiu que teria candidato próprio no fim de 2015. Neste sábado, o partido apenas oficializou a pré-candidatura de Veneri – algo que já era dado como certo.

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