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Dia de Clássico

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 22/10/15 3:08:47 PM

Ucranianos fazem cerimônia em homenagem às vítimas de Chernobyl.

Um dos papéis do Nobel tem sido o de revelar escritores importantes para o mundo. Com a bielorrussa Svetlana Alexeivich, vencedora deste ano, começa a funcionar. Ela, que nunca tinha sido publicada no Brasil antes, terá quatro livros editados de uma só vez.

A Companhia das Letras anunciou nesta quinta-feira que comprou os direitos dos livros de Svetlana. Os lançamentos ainda não têm data para acontecer.

Um dos livros a ser lançados é “Voices from Chernobyl” (Vozes de Chernobyl), em que ela ouve as histórias de pessoas que viveram o drama do pior acidente com energia nuclear ocorrido no mundo até hoje.

“Time second hand”, o mais recente livro dela, de 2013, e ainda inédito em boa parte do mundo, fala sobre a população atual das antigas repúblicas soviéticas e da sobrevivência do “espírito soviético” dentro das pessoas.

“War’s Unwomanly Face” traz depoimentos de mulheres que combateram na Segunda Guerra Mundial e que, apesar de terem passado basicamente pelo mesmo sofrimentos que os homens, não tiveram nenhum reconhecimento por seu esforço.

“Last witnesses” fala das memórias das crianças da região durante a Segunda Guerra Mundial.

Pelo pouco que está disponível on-line em inglês da obra dela, os livros parecem absolutamente fascinantes. Agora é esperar para ver como ficam em português.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 08/10/15 8:24:01 AM

O Nobel de Literatura de 2015 vai para uma total desconhecida no Brasil e na maior parte do mundo. A bielorrussa Svetlana Alexeievich só virou alvo de algum buxixo por aqui quando as bolsas de apostas começaram a apontá-0la como favorita para o prêmio.

E as bolsas de apostas mais uma vez acertaram. O que indica que, como sempre, tem gente de dentro da Academia vazando os nomes dos finalistas e provavelmente fazendo dinheiro com isso. Mas essa é outra história.

Não há nenhum livro de Svetlana em português. Quando vi seu nome na lista fui ver de quem se tratava. Ao descobrir que era uma jornalista, fiquei ainda mais curioso. Mas nada de encontrar algo para ler. No Kindle, nada. Nem em inglês. Só importando, a R$ 4 o dólar, e ainda com a espera.

Só o que se encontra são trechos em pdf na internet. E por enquanto é com isso que teremos de nos contentar. Mas logo, claro, alguém e vai publicá-la. E parece que realmente isso será bom.

O trabalho de Svetlana Alexeievich parece ser principalmente de história oral. Ou seja: de registrar fatos de acordo com o que as pessoas comuns têm a dizer sobre eles. Há dois livros dela que, em outras terras, são famosos por isso.

Um conta a história das vítimas de Chernobyl, a partir dos relatos delas mesmas (a Bielorrússia fica pertinho da Ucrânia, ambas são ex-repúblicas soviéticas).

Outro relata a história das mulheres que participaram do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial. Nada de exaltação, e sim de histórias de brutalidade e sofrimento (a Bielorrússia fica no meio caminho entre a Alemanha e a Rússia: foi varrida quando os alemães partiram para cima de Stálin; foi varrida de volta na reação soviética contra Hitler).

Não é à toa, pelo jeito, que a Academia a premiou por construir “um monumento em memória do sofrimento em nossa época”.

Svetlana, antes, já tinha vencido um prêmio que leva o nome de Rizsard Kapuscinski, o grande repórter polonês que fazia trabalho semelhante e que o Nobel chegou a considerar como o possível primeiro jornalista a levar o prêmio (pelo menos a leválo escrevendo apenas jornalismo). Kapuscinski, autor de pérolas como O Imperador, que conta a história do imperador da Etiópia, nunca recebeu o prêmio.

Svetlana Alexeievich, agora, faz a estreia do jornalismo literário no Nobel. Que sejam bem-vindos os futuros livros dela em português!

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 07/10/15 5:01:15 PM

Manifestantes em frente ao Museu de Belas Artes de Boston.

 

Nunca imaginei que veria um cartaz dizendo “Deus odeia Renoir”. Mas ele existiu. Manifestantes desfilaram com esses dizeres em frente ao Museu de Belas Artes em Boston, nos Estados Unidos.

Havia outros cartazes, todos contra Renoir. “Ele pinta muito mal.” “Tirem os quadros dele.” “Terrorismo estético.” E muito mais. Parece coisa do Sensacionalista? Não é. O protesto aconteceu de verdade, e foi registrado por jornais como o Guardian.

Entrevistados, os líderes do movimento “Renoir Sucks at Painting” (algo como “Renoir Pinta Muito Mal”) disseram que não é porque ele está em museus chiques ou porque os quadros têm preço alto que ele passa a ser bom.

“Na vida real, as árvores são bonitas. se você acreditar em Renoir, vai achar que árvores são só um amontoado de rabiscos verdes”. disse um deles.

No Instagram, manifestantes dizem que para Renoir bochecha e seios eram iguais e que a moça ficou muito pálida…

Embora tenham feito uma manifestação pública diante do museu, os odiadores de Renoir se encontram normalmente na internet. A conta de instagram do movimento tem mais de 2,4 mil seguidores. Lá, eles ficam publicando telas e explicando por que as odeiam.

Dizem que Renoir não entendia de anatomia, por exemplo, e ficam mostrando imagens de telas em que ele teria “errado” a reprodução do corpo humano.

Principal crítico de arte do Guardian, Jonathan Jones escreveu sobre o assunto em seu blog, explicando por que Renoir “não pinta mal”.

Mas, antes, fez questão de dizer que achou bacana que as pessoas não se guiem unicamente pela palavra dos “experts”, e tentem olhar para a arte com uma percepção crítica (um gentleman, esse Jones).

Depois de explicar que o impressionismo não queria esse tipo de precisão que os manifestantes exigem, que se trata de uma tentativa de ser “evocativo”, mais do que de fazer um retrato real da realidade, etc, Jones faz a crítica do protesto.

O mais esquisito de todos os cartazes: “Deus odeia Renoir”.

Diz ele que, embora seja interessante ver a crítica à pintura e a irreverência à arte, não custaria primeiro dar uma estudada no assunto antes.

Até porque – e isso não é do texto de Jones – as críticas ao impressionismo e ao primeiro modernismo (à arte degenerada em geral, segundo se disse por um período) já estão mais do que superadas. E o conservadorismo de querer uma volta única ao realismo seria uma volta de quase dois séculos no tempo.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 08/12/13 10:31:14 AM

 

Este é o centenário de Benjamin Britten. Como fiquei a maior parte do ano fora deste blog (mais tarde vou escrever as devidas explicações), acabamos não celebrando o compositor. Não tem muito problema porque meu vizinho de blog, o grande maestro Osvaldo Colarusso, já falou o necessário, e obviamente ele entende bem mais do assunto do que eu, um simples diletante.

Mas o blog aqui também gosta de música clássica, e não queria deixar de fazer sua homenagem a Britten, um dos grandes do século 20. A música deste post, a Sinfonia Simples, Op.4, foi escrita quando Britten tinha apenas 20 anos, em 1933. Portanto, também está de aniversário de 80 anos! E foi baseada em temas que ele escreveu ainda mais cedo, na adolescência.

Claro que o compositor escrever coisas bem mais complexas e importantes depois. Mas para quem não o conhece talvez esta sinfonia, supercurta e agradável, seja uma bela porta de entrada. São quatro movimentos:

I. Boisterous Bourrée – Bourrée Turbulenta
II. Playful Pizzicato – Pizzicato Brincalhão
III. Sentimental Saraband – Sarabanda Sentimental
IV. Frolicsome Finale – Finale Travesso

Bom domingo!

Enviado por admin, 13/05/13 11:31:00 AM
Reprodução/Internet
Henrik Ibsen: o pai do drama em prosa.

O começo de “Casa de bonecas”, a peça mais famosa de Henrik Ibsen, mostra um casal aparentemente feliz. É véspera de Natal e os dois estão preparando a casa para a celebração.

O marido trata a mulher de “minha cotovia”, ela está contente porque ele foi nomeado para um cargo novo e vai ganhar mais, ambos comemoram que a vida deles, e dos três filhos, passará a ser mais fácil.

Claro que, sendo um drama, tudo mudará. O mais curioso, porém, é que você vai descobrir que os fatos revelados durante a peça na verdade, acima de tudo, mostram que a felicidade já não estava presente nesse comecinho de cena.

O enredo é simples: Nora, a esposa, tem um segredo. O marido dela, Torvald, anos antes, teve um problema de saúde grave. Precisava sair da gelada Noruega para sobreviver. Ela fingiu ter conseguido dinheiro do pai dela para isso, mas na verdade tomou um empréstimo e economizou (inclusive fazendo trabalhos para fora) para pagar o débito.

No decorrer da peça, isso vem à tona. E é um escândalo. O marido jamais aceitaria ter dependido dela. E eis o problema: o fato de ele tratá-la o tempo todo como “cotoviazinha”, no fundo, queria dizer que ele não a via como uma pessoa completa, capaz de conversar, de ajudar a resolver problemas etc.

Claro que, para nós, um século e meio depois (a peça é de 1879), tudo parece um pouco estranho. Seria natural que ela ajudasse. Mas foi justamente para que isso se tornasse natural que Ibsen escreveu a peça… Na época, foi um choque.

Ibsen conheceu uma mulher que havia passado exatamente por esse problema. No final, na vida real, o marido abandonou-a: não podia conviver com uma mentirosa… Na peça, o final é diferente, mais triunfante para as mulheres.

A peça fez imenso sucesso, correu a Europa e ajudou a causa do nascente feminismo.

Claro que a peça também tem méritos em si mesma, artísticos. Um deles, que também passa despercebido por nós hoje, é o fato de ser um drama em prosa.

Curiosamente, até a metade do século 19, as comédias eram em prosa, mas os dramas que se queriam sérios tinham de ser em verso. Ibsen ajudou a mudar isso.

A peça é curta, inteligentíssima e pode ser achada facilmente por aí. Gaste uma hora e meia e se divirta!

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Enviado por admin, 01/11/12 10:37:00 AM

Caros,

Este blog está de recesso pelas próximas semanas. Como alguns já sabem, tive problemas pessoais sérios que me afastaram de minhas funções nos últimos dias. Lamento muitíssimo.

Com a gentileza que sempre impera neste jornal, me deram uns dias de descanso, que vou emendar com as férias, a partir de segunda-feira. Retorno às atividades normais no fim deste mês.

Aos que leram e gostam do blog, agradeço. Aos que não gostam, resta o alívio de um mês sem notícias por aqui.

Enviado por admin, 26/10/12 8:48:00 AM

Para os dois ou três que acharam estranha essa parada técnica, afirmo que, tudo dando certo, o blog volta a suas atividades normais ao término deste fim de semana eleitoral. Grato!

Enviado por admin, 16/10/12 7:56:00 AM
Bel Pedrosa/Divulgação
Auster: bom autor de não ficção.

O romancista norte-americano Paul Auster começou a carreira escrevendo um livro sobre sua relação com seu pai e com seu próprio filho. O livro se chama “A invenção da solidão”, e já foi alvo de um post por aqui, um ano e pouco atrás (e o blog sobreviveu a todo esse tempo!).

Agora, Auster está, três décadas depois, lançando uma espécie de continuação do livro. O primeiro era sobre a morte do pai. Este agora, “Winter journal”, algo como “Diário de inverno”, é sobre a morte de sua mãe. Num caso como no outro, claro, é também em parte uma biografia do próprio romancista.

A crítica anda dizendo que não é tão bom quanto o primeiro. Supostamente, os trechos em que Auster trata de contar histórias da família e de si mesmo o livro anda fácil e segue no mesmo nível de sempre. O problema, segundo o “New York Times”, é quando ele tenta filosofar demais, dizendo que quer fazer uma “fenomenologia da respiração”, ou algo assim.

De qualquer jeito, para os milhares de fãs de Auster, a notícia é boa: há quem diga que seus livros de ficção são a melhor parte do que ele escreve. Nessa categoria se encontra o grande amigo Irinêo Netto, por exemplo. E a publicação de mais um livro do gênero deve deixar muita gente curiosa.

Enviado por admin, 09/10/12 10:56:00 AM
Reprodução/Internet
Les Murray.

Terminado o primeiro turno, acho que finalmente consigo reerguer nosso blog aqui! Começamos, claro, com Les Murray.

História legal

A identidade supersimplifica os humanos
ela nega o híbrido, como as árvores não podem.

Árvores, que se embrulham altas em páginas
autocosturadas a partir de terra água e luz

São pergaminhos fixos, lidos melhor quando fechados.
Elas se inclinam para as outras e para longe

Numa política de rivalidade solar
ou de entrelaçados modos no solo.

Lâminas cortadas delas são fiéis
fotocópias detalhando alimento e ancestrais.

Pela eternidade, seus anos concêntricos
serão eloquentes sobre sofrimento e velhos ares.

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Enviado por admin, 02/10/12 3:34:00 PM
Reprodução/Internet
Les Murray.

A campanha eleitoral suga as forças deste blog temporariamente. Mas, para não perder a tradição, vão uns versos de Les Murray aí.

A pergunta devastadora

Por que Deus não poupa os inocentes?

A resposta para isso não está
no mesmo mundo que a pergunta
então você se encolheria de mim
aterrorizado se eu pudesse responder.

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