Blogs

Fechar
PUBLICIDADE

Dia de Clássico

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 21/07/16 4:05:07 PM
Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

Para quem virou fã de Downton Abbey, a série-novelão sobre a Inglaterra do começo do século 20, há pelo menos três boas notícias a caminho. Agora que a série acabou, com seis temporadas tremendamente bem-sucedidas, há boatos de um filme, de uma nova série e já está no mercado um novo romance do criador do seriado.

O filme parece ser o menos adiantado dos projetos. Contaria a vida de Mary, uma das personagens centrais do seriado, depois de tudo que você já viu no seriado (sem spoilers, por favor). Julian Fellowes, o criador do seriado, disse ao New York Times que a ideia existe, mas ainda não há planos especificos.

Bem diferente do que acontece com o novo seriado de Fellowes, que já tem até nome e uma possível data de estreia – o outono de 2017 nos Estados Unidos. A ideia seria contar uma espécie de Downton Abbey, inclusive com alguns personagens da série britânica, mas nos Estados Unidos. E um pouco antes.

A série se chamará “The Gilded Age”, numa referência aos “anos dourados” que os EUA viveram no final do século 19, e de novo o centro estaria na aristocracia endinheirada. Segundo Fellowes, ele pretende começar a escrever o piloto em breve. Daí em diante, depende de a emissora NBC aprovar a continuidade da série.

Já o romance, “Belgravia”, está disponível em inglês. Ambientado na Londres vitoriana, o livro foi elogiado pelo Times. O livro, segundo a resenha, tem todo o clima da série, inclusive com as frases reveladoras sobre as distinções de classe típicas da sociedade aristocrática (quem não se lembra da viúva perguntando “o que é um fim de semana?”).

Siga o blog no Twitter.

Curta a página do Caixa Zero no Facebook.

 

 

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 26/02/16 3:25:21 PM

O escritor mais bem pago do mundo é um desconhecido para muita gente que trabalha com literatura e gosta de livros. James Patterson saiu no primeiro lugar da lista da Forbes de 2015 com uma assombrosa receita de US$ 89 milhões. Isso significa que ele ganhou perto de R$ 356 milhões em um ano.

Patterson não é apenas o escritor mais rentável do mundo. Ganha mais do que qualquer jogador de futebol do planeta, por exemplo. Segundo a mesma Forbes, Cristiano Ronaldo é o jogador que mais ganhou dinheiro em 2015, com US$ 79 milhões somando salários e dinheiro de patrocínios. Uma diferença de US$ 10 milhões, ou o quádruplo disso em reais.

Patterson é um autor ultraprolífico de várias séries de livros, principalmente policiais. Já publicou cerca de 120 romances, vários deles em parceria (diz que gosta de escrever com quem quer que lhe traga ideias novas) e é mais conhecido por uma série chamada “Bruxos e Bruxas”. Diz ele que se um dia disser a seus agentes que vai escrever só um livro no ano, ao invés de 10, eles vão infartar. O motivo pode ser esse: ele já vendeu 300 milhões de cópias.

A diferença entre as duas listas (dos escritores mais bem pagos e dos jogadores mais bem pagos) é que em um caso o s que estão no topo são também considerados como os melhores em sua profissão. No caso dos autores, isso não se repete. Mas é uma prova de que pode-se ganhar muito dinheiro escrevendo (ainda que livros duvidosos, em muitos casos).

No entanto, Patterson tem lá seus méritos na defesa da literatura. Em 2013, ele escreveu e pagou um anúncio no New York Times em defesa das livrarias e dos grandes autores americanos que elas ajudaram a promover, além de ser um grande defensor da alfabetização infantil.

Quem quiser saber mais sobre ele pode ler esta bela matéria (em inglês) do Guardian.

Escritores mais bem pagos de 2015

1º – James Patterson – US$ 89 milhões (Série “Bruxos e Bruxas”)
2º – John Green – US$ 26 milhões (A Culpa é das Estrelas)
3º – Veronica Roth – US$ 25 milhões (Série “Divergente”)
3º – Danielle Steel – US$ 25 milhões (O Baile)
5º – Jeff Kinney – US$ 23 milhões (Série “Diário de um Banana”)
6º – Janet Evanovich – US$ 21 milhões (Série “Stéphanie Plum”)
7º – J.K. Rowling – US$ 19 milhões (Harry Potter)
7º – Stephen King – US$ 19 milhões (O Iluminado)
9º – Nora Roberts – US$ 18 milhões (Série “Quarteto de Noivas”)
10º – John Grisham – US$ 14 milhões (A Firma)
11º – Dan Brown – US$ 13 milhões (O Código da Vinci)
11º – Gillian Flynn – US$ 13 milhões (Garota Exemplar)
11º – Rick Riordan – US$ 13 milhões (Percy Jackson)
11º – Suzanne Collins – US$ 13 milhões (Jogos Vorazes)
15º – E.L James – US$ 12 milhões (50 Tons de Cinza)
15º – George R.R. Martin – US$ 12 milhões (As Crônicas de Gelo e Fogo)

Jogadores de futebol mais bem pagos de 2015

1º – Cristiano Ronaldo – US$ 79 milhões
2º – Lionel Messi – US$ 73,8 milhões
3º – Zlatan Ibrahimovic – US$ 39,1 mihões
4º – Gareth Bale – US$ 35 milhões
5º – Neymar – US$ 31 milhões
6º – James Rodriguez – US$ 29 milhões
7º – Wayne Rooney – US$ 26,9 milhões
8º – Falcão Garcia – US$ 25,9 milhões
9º – Sergio Aguero – US$ 24,9 milhões
10º – Luis Suarez – US$ 21 milhões
11º – Cesc Fabregas – US$ 20,3 milhões
12º – Yaya Touré – US$ 20 milhões
13º – Frank Lampard – US$ 19,7 milhões
14º – Eden Hazard – US$ 19,6 milhões
15º – Mesut Ozil – US$ 19,3 milhões

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/02/16 11:35:05 AM

O Nome da Rosa, livro que tornou Umberto Eco uma celebridade nos anos oitenta, é uma mostra de uma combinação de gostos típica dele. Eco usa a trama – uma história de assassinatos em série num mosteiro medieval – para traçar um perfil da Idade Média, discutir questões teológicas e literárias profundas. Mas faz isso contando uma história de detetive com um personagem que é uma clara referência a Sherlock Holmes. Quem mais escreveria um livro sobre a Poética de Aristóteles e conseguiria que isso virasse um filme com Sean Connery?

Eco foi um intelectual dos mais profundos. Era capaz de discutir de tudo – e fez isso ao longo de sua carreira. Escreveu sobre o Ulysses, fez romances que reconstituem a história italiana, tornou-se um dos mais respeitados teóricos da comunicação e foi um medievalista ímpar. Era nítida sua paixão pelos livros clássicos, pelas artes. Fez uma História da Beleza e uma História da Feiúra. Organizou uma coleção sobre a Idade Média. Era o erudito por definição.

Mas isso não fez com que ele se tornasse o tipo de acadêmico que rejeita o mundo atual. Que fica em sua torre de marfim numa universidade praguejando o mundo por não ser mais aquele que ele estuda. Pelo contrário. Chocou a Academia ao colocar Snoopy e sua turma como objeto de estudo tão válido quanto qualquer clássico. Num mundo em que os “apocalípticos” pregavam que nossa cultura estava indo para o brejo devido à indústria cultural, dedicou-se a entendê-la – e, em certo sentido, a promovê-la.

Eco era movido pelo amor à humanidade. Não só pela humanidade clássica, não só por suas grandes realizações. Queria, antes de mais nada, entender o mundo em que vivíamos. Estava aberto ao mundo. Queria entender o homem, e escreveu sobre moral. Queria entender nossa inteligência, e escreveu sobre livros. Queria entender a religião, embora não cresse em Deus, e escreveu uma belíssima troca de cartas com o cardeal Martini. Queria entender o horror humano, e escreveu sobre o fascismo.

Intelectual duplamente raro, Eco conheceu os clássicos sem renegar a cultura pop, e escreveu livros para grandes massas sem nunca fazer concessões fáceis. Falou dos grandes problemas de nosso tempo com uma leveza que o tornava legível, compreensível e, por isso mesmo, absolutamente necessário.

Em sua correspondência com Martini, tentou explicar ao cardeal como um não-crente seria capaz de ter uma moral inabalável, sem base no temor ou no amor a Deus. Disse-lhe que a base da moral de um nã-crente era o outro. “A mim parece que alguém que nunca vivenciou a transcendência, ou que a perdeu, pode dar sentido a sua vida e à sua morte, pode ser consolado simplesmente por seu amor aos outros, por sua tentativa de garantir a outra pessoa uma vida aceitável mesmo depois de ele ter partido.”

E conta uma anedota sobre um comunista que, indagado sobre a mesma questão, respondeu que em seu funeral  gostaria de poder perguntar se deixou um exemplo a alguém. “Essa é a noção se significado que levou muitos não-crentes a preferir morrer torturados a trair amigos, e que levou outros a se expor a pragas para poderem curar os sofrimentos de terceiros. Às vezes é a única coisa que leva o filósofo a filosofar, um escritor a escrever: deixar uma mensagem numa garrafa, porque de algum modo aquilo em que alguém acredita ou aquilo que crê ser belo pode ser crido ou visto como belo por aqueles que vêm depois.”

Sobre a morte em si, Eco faz uma comparação com mensagens eletrônicas que podem passar de um aparelho a outro sem se perder. “Quem sabe se a morte, ao invés de ser uma implosão, pode ser uma explosão – a impressão, de algum lugar entre os vórtices do universo, do software (que outros poderiam chamar de alma) criada por nossa vida, constituída por memórias e remorsos, e assim nosso sofrimento implacável, ou o sentimento de paz por um dever cumprido, e amor.”

Eco deixou sua mensagem em uma garrafa. Resta torcer agora que seu amor por tudo que é humano, após a sua morte, ajude-nos a entender essa mensagem.

Leia a resenha de O Cemitério de Praga.

Eco às vezes dizia que odiava O Nome da Rosa.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 17/02/16 4:12:11 PM

O Grammy normalmente vira notícia pelos prêmios concedidos à indústria da música pop. Mas anualmente também há prêmios para a música clássica. Embora passem mais despercebidos, têm sua relevância, até porque são uma rara chance de dar destaque ao que se produz de novo nessa área.

Em 2016, dois dos prêmios foram dados a um compositor já falecido, Stephen Paulus. Ele levou tanto a categoria de “Melhor Compêndio”, com Three Places of Elightenment, Veil of Tears & Grand Concerto, quanto o prêmio de melhor composição contemporânea, com Prayers & Remeberances. Houve ainda uma terceira indicação, na categoria de  melhor desempenho de coral.

Paulus, americano, faleceu em 2014 em decorrência de um derrame. Era conhecido como compositor prolífico, com mais de 600 obras, e como conservador. Foi chamado de “neo-romântico”. Ouvindo suas obras para coral (escreveu mais de 400), às vezes tem-se a impressão de estar ouvindo algo do século 18. Mas nem sempre: também há momentos mais inventivos, embora dificilmente ousados se pensarmos em seus contemporâneos.

Lírico, escreveu principalmente para a voz humana, incluindo óperas e um oratório sobre o Holocausto. Sua composição mais famosa talvez seja o Hino do Peregrino, executada nos funerais de Ronald Reagan e Gerald Ford.

Também compôs obras para orquestra, como este concerto para dois trumpetes.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 16/02/16 11:39:08 AM
Paulo Freire. Foto: Reprodução/Instituto Paulo Freire.

Paulo Freire. Foto: Reprodução/Instituto Paulo Freire.

Apenas um livro de autor brasileiro aparece entre os 100 títulos mais pedidos pelas universidades dos Estados Unidos, de acordo com o projeto Open Syllabus. O projeto reúne ementas de disciplinas de instituições de ensino superior em todo o país e descobre quais são os livros mais solicitados pelos professores.

O único livro brasileiro a aparecer nos “100 mais” da lista é de Paulo Freire. Pedagogia do Oprimido, publicado pela primeira vez em 1974, aparece na 99.ª posição da lista. Segundo o Open Syllabus, o livro é requisitado em 1.021 ementas de universidades e faculdades dos EUA. Não é pouca coisa: o livro fica à frente de clássicos como Rei Lear, de Shakespeare; Moby Dick, de Herman Melville; e O Banquete, de Platão.

Pedagogia do Oprimido, de acordo com o projeto, também é o segundo livro mais pedido dentre todos os da área de educação. Perde apenas para Teaching for Quality Learning in University: What the Student Does, de John Biggs.

Outro livro bastante citado de um brasileiro (pelo menos dos que o blog conseguiu rastrear) é do ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Dependência e Desenvolvimento na América Latina tem 141 citações.

Como curiosidade, outros brasileiros que aparecem nas ementas são Clarice Lispector (A Hora da Estrela tem 40 citações); Machado de Assis (Dom Casmurro, com 33); e Euclides da Cunha (Os Sertões aparece 27 vezes).

Dentre os paranaenses, há Dalton Trevisan, com duas citações, e Cristovão Tezza (O Filho Eterno, com uma citação).

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 15/02/16 4:19:47 PM

Quais são os livros que as melhores universidades americanas mais pedem que seus alunos leiam? A resposta agora está disponível, graças a um projeto chamado Open Syllabus, que compilou informações de ementas de universidades americanas nos últimos 15 anos. Os dados foram liberados pela primeira vez em janeiro.

Segundo os responsáveis, ainda pode haver erros de digitação, por exemplo, que dificultem a formação de uma lista sem erros. Mas em geral é possível ter uma ideia de quais são os clássicos e os novos textos que estão sendo solicitados em universidades como Harvard, Stanford e no MIT.

A lista geral abaixo reúne os resultados das 10 melhores universidades. Depois o blog reproduz algumas das maiores instituições usadas para fazer a lista.

Geral
1- A República – Platão
2- Leviatã – Thomas Hobbes
3- O Príncipe – Maquiavel
4- Choque de Civilizações – Samuel Huntington
5- The Elements of Style – William Strunk, Jr.
6- Ética – Aristóteles
7- A Estrutura das Revoluções Científicas – Thomas Kuhn
8- A Democracia na América – Alexis de Tocqueville
9- O Manifesto Comunista – Marx e Engels
10 – A Política – Aristóteles

Princeton
1- Choque de Civilizações – Samuel Huntington
2- A Globalização e seus Malefícios – Joseph Stiglitz
3- The Logic of Congressional Action – Douglas Arnold
4- Public Finance – Harvey Rosen
5- Capitalismo, Socialismo e Democracia – Schumpeter e Joseph Alois
6- A Guerra do Peloponeso – Tucídides
7- Diplomacia – Henry Kissinger
8- A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo – Max Weber
9- To End a War – Richard Holbrooke
10- Ethnic Groups in Conflict – Donald Horowitz

Harvard
1- Carta de uma Prisão em Birmingham – Martin Luther King, Jr.
2- The Elements of Style – William Strunk, Jr.
3- Leadership Without Easy Answers – Ronald Heifetz
4- Choque de Civilizações – Samuel Huntington
5- Thinking, Fast and Slow – Daniel Kahneman
6- O Príncipe – Maquiavel
7- A Primer for Policy Analysis – Edith Stokey
8- Uma Teoria da Justiça – Johmn Rawls
9- Principles of Corporate Finance – Brealey, Richard
10- Thank You for Arguing – Heinrichs, Jay

Yale
1- A República – Platão
2- Quarterly Review – Federal Reserve Bank of Minneapolis
3- O Homem Invisível – Ralph Ellison
4- Odisseia – Homero
5- Elogiemos os Homes Ilustres – James Agee
6- A Democracia na América – Alexis de Tocqueville
7- Antropologia – Franz Boas
8- Zapata e a Revolução Mexicana – John Womack
9- The Anti-Politics Machine James Ferguson
10 – A Ilíada – Homero

Columbia
1- Choque de Civilizações – Samuel Huntington
2- A República – Platão
3- Sobre a Liberdade – John Stuart Mill
4- O Contrato Social – Rousseau
5- Leviatã – Thomas Hobbes
6- Política – Aristóteles
7- A Metafísica da Moral – Kant
8- A Riqueza das Nações – Adam Smith
9- Calculus: Early Transcendentals – James Stewart
10- O Mal-Estar da Civilização – Freud

Stanford
1- Leviatã – thomas Hobbes
2- A Estrutura das Revoluções Científicas – Thomas Kuhn
3- Foundations of Statistical Natural Language Processing – Christopher Manning
4- Code and Other Laws of Cyberspace – Lawrence Lessing
5- Creative Writing – Wallace Stegner
6- A República – Platão
7- Robinson Crusoé – Daniel Defoe
8- Frankenstein – Mary Shelley
9- Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem – Marshall Mcluhan
10- Rethinking the Public Sphere – Nancy Fraser

MIT
1- Leviatã – Hobbes
2- O Manifesto Comunista – Marx e Engels
3- Macroeconomics – Olivier Blanchard
4- O Príncipe – Maquiavel
5- Lectures on Macroeconomics – Olivier Blanchard
6- O Capital – Marx
7- The Elements of Style – William Strunk, Jr.
8- Economics – Paul Krugman
9- Japanese, the Spoken Language, Part 1 – Eleanor Jorden
10 – Quarterly Review – Federal Reserve Bank of Minneapolis

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 22/10/15 3:08:47 PM

Ucranianos fazem cerimônia em homenagem às vítimas de Chernobyl.

Um dos papéis do Nobel tem sido o de revelar escritores importantes para o mundo. Com a bielorrussa Svetlana Alexeivich, vencedora deste ano, começa a funcionar. Ela, que nunca tinha sido publicada no Brasil antes, terá quatro livros editados de uma só vez.

A Companhia das Letras anunciou nesta quinta-feira que comprou os direitos dos livros de Svetlana. Os lançamentos ainda não têm data para acontecer.

Um dos livros a ser lançados é “Voices from Chernobyl” (Vozes de Chernobyl), em que ela ouve as histórias de pessoas que viveram o drama do pior acidente com energia nuclear ocorrido no mundo até hoje.

“Time second hand”, o mais recente livro dela, de 2013, e ainda inédito em boa parte do mundo, fala sobre a população atual das antigas repúblicas soviéticas e da sobrevivência do “espírito soviético” dentro das pessoas.

“War’s Unwomanly Face” traz depoimentos de mulheres que combateram na Segunda Guerra Mundial e que, apesar de terem passado basicamente pelo mesmo sofrimentos que os homens, não tiveram nenhum reconhecimento por seu esforço.

“Last witnesses” fala das memórias das crianças da região durante a Segunda Guerra Mundial.

Pelo pouco que está disponível on-line em inglês da obra dela, os livros parecem absolutamente fascinantes. Agora é esperar para ver como ficam em português.

Siga o blog no Twitter.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 08/10/15 8:24:01 AM

O Nobel de Literatura de 2015 vai para uma total desconhecida no Brasil e na maior parte do mundo. A bielorrussa Svetlana Alexeievich só virou alvo de algum buxixo por aqui quando as bolsas de apostas começaram a apontá-0la como favorita para o prêmio.

E as bolsas de apostas mais uma vez acertaram. O que indica que, como sempre, tem gente de dentro da Academia vazando os nomes dos finalistas e provavelmente fazendo dinheiro com isso. Mas essa é outra história.

Não há nenhum livro de Svetlana em português. Quando vi seu nome na lista fui ver de quem se tratava. Ao descobrir que era uma jornalista, fiquei ainda mais curioso. Mas nada de encontrar algo para ler. No Kindle, nada. Nem em inglês. Só importando, a R$ 4 o dólar, e ainda com a espera.

Só o que se encontra são trechos em pdf na internet. E por enquanto é com isso que teremos de nos contentar. Mas logo, claro, alguém e vai publicá-la. E parece que realmente isso será bom.

O trabalho de Svetlana Alexeievich parece ser principalmente de história oral. Ou seja: de registrar fatos de acordo com o que as pessoas comuns têm a dizer sobre eles. Há dois livros dela que, em outras terras, são famosos por isso.

Um conta a história das vítimas de Chernobyl, a partir dos relatos delas mesmas (a Bielorrússia fica pertinho da Ucrânia, ambas são ex-repúblicas soviéticas).

Outro relata a história das mulheres que participaram do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial. Nada de exaltação, e sim de histórias de brutalidade e sofrimento (a Bielorrússia fica no meio caminho entre a Alemanha e a Rússia: foi varrida quando os alemães partiram para cima de Stálin; foi varrida de volta na reação soviética contra Hitler).

Não é à toa, pelo jeito, que a Academia a premiou por construir “um monumento em memória do sofrimento em nossa época”.

Svetlana, antes, já tinha vencido um prêmio que leva o nome de Rizsard Kapuscinski, o grande repórter polonês que fazia trabalho semelhante e que o Nobel chegou a considerar como o possível primeiro jornalista a levar o prêmio (pelo menos a leválo escrevendo apenas jornalismo). Kapuscinski, autor de pérolas como O Imperador, que conta a história do imperador da Etiópia, nunca recebeu o prêmio.

Svetlana Alexeievich, agora, faz a estreia do jornalismo literário no Nobel. Que sejam bem-vindos os futuros livros dela em português!

Siga o blog no Twitter.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 07/10/15 5:01:15 PM

Manifestantes em frente ao Museu de Belas Artes de Boston.

 

Nunca imaginei que veria um cartaz dizendo “Deus odeia Renoir”. Mas ele existiu. Manifestantes desfilaram com esses dizeres em frente ao Museu de Belas Artes em Boston, nos Estados Unidos.

Havia outros cartazes, todos contra Renoir. “Ele pinta muito mal.” “Tirem os quadros dele.” “Terrorismo estético.” E muito mais. Parece coisa do Sensacionalista? Não é. O protesto aconteceu de verdade, e foi registrado por jornais como o Guardian.

Entrevistados, os líderes do movimento “Renoir Sucks at Painting” (algo como “Renoir Pinta Muito Mal”) disseram que não é porque ele está em museus chiques ou porque os quadros têm preço alto que ele passa a ser bom.

“Na vida real, as árvores são bonitas. se você acreditar em Renoir, vai achar que árvores são só um amontoado de rabiscos verdes”. disse um deles.

No Instagram, manifestantes dizem que para Renoir bochecha e seios eram iguais e que a moça ficou muito pálida…

Embora tenham feito uma manifestação pública diante do museu, os odiadores de Renoir se encontram normalmente na internet. A conta de instagram do movimento tem mais de 2,4 mil seguidores. Lá, eles ficam publicando telas e explicando por que as odeiam.

Dizem que Renoir não entendia de anatomia, por exemplo, e ficam mostrando imagens de telas em que ele teria “errado” a reprodução do corpo humano.

Principal crítico de arte do Guardian, Jonathan Jones escreveu sobre o assunto em seu blog, explicando por que Renoir “não pinta mal”.

Mas, antes, fez questão de dizer que achou bacana que as pessoas não se guiem unicamente pela palavra dos “experts”, e tentem olhar para a arte com uma percepção crítica (um gentleman, esse Jones).

Depois de explicar que o impressionismo não queria esse tipo de precisão que os manifestantes exigem, que se trata de uma tentativa de ser “evocativo”, mais do que de fazer um retrato real da realidade, etc, Jones faz a crítica do protesto.

O mais esquisito de todos os cartazes: “Deus odeia Renoir”.

Diz ele que, embora seja interessante ver a crítica à pintura e a irreverência à arte, não custaria primeiro dar uma estudada no assunto antes.

Até porque – e isso não é do texto de Jones – as críticas ao impressionismo e ao primeiro modernismo (à arte degenerada em geral, segundo se disse por um período) já estão mais do que superadas. E o conservadorismo de querer uma volta única ao realismo seria uma volta de quase dois séculos no tempo.

Siga o blog no Twitter.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 08/12/13 10:31:14 AM

 

Este é o centenário de Benjamin Britten. Como fiquei a maior parte do ano fora deste blog (mais tarde vou escrever as devidas explicações), acabamos não celebrando o compositor. Não tem muito problema porque meu vizinho de blog, o grande maestro Osvaldo Colarusso, já falou o necessário, e obviamente ele entende bem mais do assunto do que eu, um simples diletante.

Mas o blog aqui também gosta de música clássica, e não queria deixar de fazer sua homenagem a Britten, um dos grandes do século 20. A música deste post, a Sinfonia Simples, Op.4, foi escrita quando Britten tinha apenas 20 anos, em 1933. Portanto, também está de aniversário de 80 anos! E foi baseada em temas que ele escreveu ainda mais cedo, na adolescência.

Claro que o compositor escrever coisas bem mais complexas e importantes depois. Mas para quem não o conhece talvez esta sinfonia, supercurta e agradável, seja uma bela porta de entrada. São quatro movimentos:

I. Boisterous Bourrée – Bourrée Turbulenta
II. Playful Pizzicato – Pizzicato Brincalhão
III. Sentimental Saraband – Sarabanda Sentimental
IV. Frolicsome Finale – Finale Travesso

Bom domingo!

Páginas12345... 68»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Buscar no blog
Acompanhe a Gazeta do Povo nas redes sociais