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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/07/15 4:08:28 PM
(Foto: Divulgação)

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Concordo, pero no mucho. Vamos à encrenca. Acaba de sair mais uma pesquisa sobre práticas (risque “hábito” da expressão – pois é chata e inadequada pra burro) de leitura no Brasil. Vem da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e indica que 70% dos brasileiros não leram nem sequer um livro em 2014. O dado replica índices semelhantes, apurados em outras pesquisas, das quais a mais relevante é – com méritos – a Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. A última edição é de 2012 e vem outra a caminho.

Os tais 70% – como não – geraram uma grita sem tamanho. Não faltam impropérios contra o sistema educacional, análises históricas sobre nossa miséria letrada, pedras jogadas na política editorial, ou na falta dela. Por aí vai. Difícil não fazer coro com os descontentes. Quanto a discordar um cadinho, digamos que é preciso. Não é difícil concluir que os mais indignados se veem como bons leitores, o que lhes credencia para, no mínimo, sapatear em cima do caixão. Mas já declamamos esse script um sem número de vezes. Virou murro em ponta de faca. Penso que seria mais produtivo desossar essas porcentagens escabrosas, de modo a fazer alguma coisa com elas que não seja só chorar.

Em primeiro lugar, as pessoas estão lendo mais do que liam. Pode apostar. As informações a respeito são preliminares, pois há muitas variantes a serem cruzadas, como os dados de inclusão digital, por exemplo. Eles mudam a cada mês. Aquela senhorinha com internet no telefone que ganhou de um filho, oras, está lendo mais do que lia. Há mais aspectos a considerar. Não o fazemos porque temos um discurso viciado, que leva a relacionar a leitura ao livro, como se leitura não significasse uma bacia de atividades e algo mais.

O motivo de relacionar o livro e a leitura é puramente técnico e, claro, faz um baita sentido. Quem chegou ao livro – e é capaz de lê-lo inteiro – teria, em tese, habilidades para outras camadas de leitura. O raciocínio é o mesmo aplicado à cadeia alimentar: quem lê rótulo de produtos no supermercado tem mais cultura nutricional, logo come melhor. O problema é que ao martelar esse raciocínio, reforçamos a derrota, deixando de ver os avanços. Ou mais do que disso – deixamos de perceber que temos uma natureza de leitura própria, diferente da dos franceses ou da dos americanos. Poxa, ser diferente nem sempre significa que seja pior, se me permitem.

Proponho um exercício para azeitar essa tese. A última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que a população que lê – míseros 50% da população, o que é um dado no mínimo duvidoso – o faz, quase que maciçamente, de maneira fragmentada. Não “traça” um livro inteiro, mas parte dele. De imediato, pensamos que o sujeito avançou, sei lá, 20 páginas, e largou o volume de lado. Digamos que essa é uma das possibilidades.

A outra é que estava lendo a Bíblia – que não se presta a ser lida como um romance – e uma esmagadora maioria de brasileiros leitores, oras, lê a Sagrada Escritura. É obra complexa, reflexiva, “intensiva”, como se diz nos estudos de leitura, quando a prática de ler tende a um alto grau de assimilação. Menos importante? Ponha-se na conta que Ágape, do padre Marcelo Rossi, se tornou o maior fenômeno editorial brasileiro. Foi adquirido por mais de 9 milhões de pessoas que, sou capaz de apostar, havia muito não iam da primeira à última página. Não conta?

Não estou usando exemplos religiosos por ideologia, juro. Gente bamba, como Felipe Lindoso, autor do delicioso O Brasil pode se tornar um país de leitores?, alertou, em ocasião, que são horas de estudar a influência do livro religioso na alavancada de leitores no Brasil. Observar a leitura a partir das escolhas dos menos letrados é uma boa maneira de remapear nossa tragédia e encontrar saídas.

Não é a única estratégia. Coloquemos na conta que os 13% de brasileiros que chegaram à universidade também leem de maneira fragmentada. Os professores – e não é de hoje – trabalham com capítulos de livros importantes, e não com livros inteiros. Se temos a mesma prática de leitura – aos pedaços – entre os menos e os mais escolarizados, diz algo sobre a maneira que lemos. Nos jornais, os sintomas se repetem – pesquisas indicam que de ponta a ponta, lê-se apenas a crônica, uma historinha curta, de leitura rápida, que pode ser recontada imediatamente por quem a leu.

Não acho que essas e outras escolhas da variada palheta das “leituras” à brasileira devam nos inferiorizar. Melhor partir delas para discutir o assunto e traçar políticas. Sim – 70% não leram um livro em 2014, mas leram. É o que deve nos interessar: o que escolheram e por quê. No mais, melhor considerar a loucura da vida nas cidades – cada vez menos convidativas –, a falta de compromisso com o assunto de outras instituições que não a escola – sobre a qual recai toda a responsabilidade; e sobretudo a falta de exemplos. Parece conversa da Candinha, mas exemplos arrastam, sim.

Observem os índices de leitura na Índia, país que passou pela ascensão de uma nova classe média, como no Brasil. Para o indiano que se firma no mercado de consumo, melhorar de vida é ter carro e isso e aquilo, mas é também ler jornais, por exemplo. Os emergentes brasileiros, ao contrário, tendem a se afirmar no novo posto fazendo plástica, viajando em cruzeiros, adquirindo celulares e – como não – chegando à faculdade, o que é um grande avanço. O livro e o jornal, contudo, aparecem magrinhos na lista de compras. Os novos membros da classe média tendem a se parecer com quem já estava na classe média. Como não veem nenhum deles com o livro na mão, julgam que não tem importância.

Minhas desculpas, mas digo isso para lembrar que a culpa também é nossa, dos leitores escolados. Podemos mudar um pouco essa história lendo em público, dando livros de presente, integrando projetos de leitura, visitando a biblioteca da escola pública do nosso bairro e, sobretudo, perguntando ao porteiro do prédio ou à zeladora do condomínio qual o livro de suas vidas. Haveremos de nos surpreender com a resposta. Pode escrever – eles um dia leram, gostaram, mas se apartaram dessa experiência. Com um empurrãozinho a gente consegue ajudá-los a repetir a dose, dessa vez para sempre.

*José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/07/15 10:50:16 AM
(Foto: Na Lata)

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O terceiro setor tem hoje relevante papel no cenário econômico e social brasileiro. A mobilização da sociedade perante os graves problemas sociais impulsionou o nascimento de diversas organizações sem fins lucrativos, constituídas para melhorar a qualidade de vida de parcela da população, para qual sua atuação é orientada. Muitas dessas organizações nascem do compromisso assumido por lideranças sociais engajadas e possuem como característica a adoção de estratégias informais pautadas na prestação de serviço diário à comunidade. Entretanto, esse trabalho comumente é realizado sem clareza de missão, visão ou valores, do mesmo modo que desconsideram a expectativa dos diversos públicos de interesse da organização, incluindo aqui as escolas e outras instituições que atendem pessoas com deficiência.

Para assumirem definitivamente o papel de promotoras do desenvolvimento da pessoa com deficiência de uma forma sustentável, a profissionalização dos serviços por meio de práticas de gestão e planejamento de longo prazo se torna tarefa inevitável às organizações. No entanto, essas práticas serão ineficazes se não forem pautadas na leitura do ambiente e na compreensão do grau de influência dos grupos de interesse da organização, conhecidos como stakeholders.

Esses grupos são formados por pessoas que influenciam e são influenciados pela organização. No caso das escolas de educação especial, podemos citar empresas, governo, sociedade e os próprios colaboradores. Todos têm impacto no dia a dia das instituições e no crescimento e fortalecimento de cada uma. Um empresário pode, por exemplo, apadrinhar um projeto de reforma ou de capacitação, como acontece nas ações da ASID Brasil. Já a sociedade, pode contribuir acolhendo essas pessoas, ajudando no bom desenvolvimento delas, por exemplo. Portanto, é inviável às organizações construir uma estratégia sustentável sem considerar seu posicionamento perante seus grupos de interesse.

Por isso, a capacidade de a organização identificar quais são seus grupos de interesse e suas expectativas apoiará o desenvolvimento de uma estratégia otimizada para a busca de seus objetivos e alcance de resultados, seja na captação de recursos, na comunicação com a sociedade, no gerenciamento das pessoas e voluntários e, ainda, na prestação dos serviços para a pessoa com deficiência.

*Artigo escrito por Marina Rozin, trabalha no departamento de Captação de Recursos da  Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. É formada
em Administração pela UFPR. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/07/15 4:22:22 PM
(Imagem: Brunno Covello)

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Em recente visita ao Brasil, Manuel Castells, um dos maiores pesquisadores mundiais em sociedade, cultura, economia e educação, um homem com pelo menos, setenta anos de existência, nos contou que:

“Quando a minha geração desaparecer, o acesso à INTERNET será universal. O problema é a capacidade de atuar através da internet, que depende, principalmente, do nível educativo e cultural das pessoas. É nisso que está o problema do Brasil: no sistema educativo. Um país educado com internet progride. Um país sem educação utiliza a internet para fazer ‘estupidez’.” CASTELLS (2015)

Como professores, não acreditamos na educação e na tecnologia como instrumento de proliferação da “estupidez”…por isso venho em defesa de uma educação humanista que, desde 1968, no Brasil, já tinha um precursor que defendia, usava e desenvolveu um método de alfabetização revolucionário embasado nas articulações pedagógicas possíveis entre a tecnologia da televisão e de gravações cinematográficas para difundi-lo. Em seu Ação Cultural e Revolução Cultural (1968), Freire nos apontava que a sociedade massificada surge nas sociedades altamente tecnologizadas, absorvidas pelo mito do consumo.

Professores e professoras, que sociedade habitamos?

Será uma sociedade da informação? Do conhecimento? Tecnologizada ou tecnológica? Líquida ou digital?

A única consciência histórica que possuímos é que vivemos em uma era denominada “contemporânea” e que com toda esta “contemporaneidade” vieram evoluções, conhecimentos e formas de comunicação as quais não estávamos habituados. Perceba, a imensa maioria dos brasileiros tem acesso à INTERNET. O que eles não têm, é internet instalada em sua casa, mas têm seus smartphones conectados, seja no metrô, nos cafés, nas lan houses, restaurantes, ônibus. Isso significa que em nosso país a maior parte dos adultos economicamente ativos e com menos de 30 anos tem conexão à REDE, mesmo que sejam socialmente excluídos, pois a conexão com a comunicação social passou a ser prioridade de consumo de todo povo.  Segundo Castells, existe um dado confiável em nível global que diz que 50% da população adulta do mundo tem um smartphone atualmente e a projeção para 2020 é de que a porcentagem seja de 80%. Portanto, a difusão de smartphone no Brasil tem também um foco de, no mínimo, 50% da população adulta. As estatísticas tradicionais de uso de internet são absolutamente antiquadas, porque contam a internet na casa das pessoas e a realidade não é assim. A maior parte delas não usa a internet em casa, mas sim no smartphone, acessando no trabalho, na rua, em ambientes comerciais, instituições públicas e é claro, na escola.

Percebemos que a chamada brecha digital está praticamente superada, ela é principalmente uma brecha de idade. “Quando a minha geração desaparecer” nos diz Castells, “o acesso à rede será universal”.

O que nós, profissionais da educação, faremos?

Faremos o que nos ensinou um velho amigo, quando declarou que “Faço uma questão enorme de ser um homem de meu tempo e não um homem exilado dele” (FREIRE, 1984). Para Paulo Freire, a tecnologia deve ser entendida como uma das “grandes expressões da criatividade humana” e também como “a expressão natural do processo criador em que os seres humanos se engajam no momento em que forjam o seu primeiro instrumento, com que de melhor possuem e que então, a partir daí, transformam o mundo”.

Para nosso educador histórico, “a tecnologia faz parte do natural desenvolvimento dos seres humanos”, e é elemento para a afirmação de uma sociedade (1993).

Professor, que ESPAÇO TEMPO você habita? E a escola que você atua, forma cidadãos para qual SOCIEDADE?

*Escrito por Glaucia da Silva Brito e Ariana Chagas Gerzson Knoll. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Ariana é pedagoga e doutoranda do PPGE – UFPR. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/07/15 12:05:24 PM
(Foto: Henry Miléo)

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Uma das características da literatura é a sua capacidade de fugir do ramerrão a que muitas vezes acabamos condenando nossa existência. A rotina tem suas vantagens, alguns automatismos também, mas quando tudo vira normal, quando nada mais é capaz de tirar o fôlego, de fazer descobrir sentidos antes insuspeitados, quando a vida cai, contraditoriamente, no ponto-morto, talvez fique chato arrastar o saco pesado dos dias, à espera de que no fim de semana ou nas férias ou na aposentadoria ou na cova a coisa melhore.

Então, se a literatura (e só quem lê sabe) é capaz de ampliar o jeito de ver o mundo, de renovar as rotinas, de espanar a poeira do cotidiano, a escola não deveria pensar com mais carinho na leitura? Se é importante saber as fases da divisão celular, também não seria importante saber mais sobre ansiedade, angústia, amor, ódio, paixão, compaixão, egoísmo?

Caímos, de novo, num dos dilemas mais velhos da cultura escolar: como fazer o aluno ler? Respondo, já me desculpando pela falta de originalidade: o professor precisa ser leitor.

Depois, vem a questão que me colocam: deve-se insistir na leitura obrigatória ou cativar o aluno pelo prazer da livre-escolha?

Vamos lá, de novo: mais do que trazer uma resposta inédita, busco apenas manter aceso o debate. Se o professor lê e sabe do que está falando, temos três quartos do caminho andado. O outro quarto eu investiria no método. E, aqui também, nenhuma novidade: equilíbrio entre o obrigatório e a livre-escolha.

Causando um pouco de horror nos não-leitores, eu diria que o objetivo maior de toda a escola (não só da disciplina de Língua Portuguesa) deveria ser a formação do leitor, e que a Literatura deveria ter papel muito importante. Nada a ver com reserva de mercado, entendam-me bem. O discurso literário, tanto por seu valor intrínseco como extrínseco, liga outros discursos, amarra-os de modo a se apropriar de outras linguagens para colocá-las na arena de conflitos do mundo e da vida.

Dito isso, o professor poderia, a partir de uma leitura coletiva obrigatória, ler junto com o aluno, ensinando-o a ir além da decodificação linguística e da identificação primária de elementos da narrativa. Trazer situações que a obra propõe, buscá-las em textos de outros gêneros, cotejar com a vida de cada um, devolver a experiência pessoal para enriquecer a leitura do texto em si, retirar e colocar sentidos possíveis, promover alimentações mútuas. Se temos universos simbólicos instituídos, que a leitura orientada sirva para criar fissuras nesse simbólico, tornando-o mais poroso e aberto a novas formas de pensar e sentir. Feito isso, hora da leitura de livre-escolha, buscando fazer o aluno identificar no livro que ele próprio escolheu o que lhe parece relevante para o seu momento de vida e o que ele acrescentaria à interpretação da obra. Isso poderia servir também para que o aluno identificasse livros de entretenimento, livros mais densos, essas coisas. E o processo recomeçaria com outra obra de leitura coletiva e obrigatória. Os gêneros devem ser variados, poesia, romance, conto, crônica, peça de teatro. Em outras disciplinas, por que não alguns livros de divulgação científica, algo tão pouco comum no Brasil?

A média de leitura no país é uma das coisas mais desoladoras que existem. Do jeito que escrevo, parece que estou criando regras in vitro, dentro de um laboratório, mas que levadas à vida real encontrarão uma série de obstáculos. Reconheço as dificuldades diárias e sei que é meio antipático e arrogante ditar regras. Que não chamemos de regras, então, mas de caminhos possíveis, pontos de partida que ganham outras cores conforme a vida real vai desenhando seus contornos tão peculiares.

 

*Artigo escrito por Cezar Tridapalli, coordenador de Midiaeducação no Colégio Medianeira, uma das escolas associadas ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). Formado em Letras (UFPR), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR) e mestre em Estudos literários, é também escritor, autor dos romances “Pequena biografia de desejos” e “O beijo de Schiller”. www.cezartridapalli.com.br. O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/07/15 12:18:56 PM
(Imagem: Divulgação)

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Quem cuida e educa as crianças deste mundo também deve cuidar e educar a si mesmo. Resolver suas dúvidas, inseguranças, questionar suas crenças e rever seus valores é sem dúvida um trabalho árduo, mas necessário a quem escolhe educar outro ser. É nesse caminhar, acompanhando o desenvolvimento do outro e se colocando também como um aprendiz, que o caminho faz sentido e torna-se muito mais gratificante, isso permite deixar-se surpreender, conhecer e aprender…

Em tempos de angústia, somos exigidos na busca da transformação. Se pensarmos no quanto de dor e sofrimento é necessário para nos transformarmos, podemos entender que esse é um processo constante em nossas vidas. Vamos pensar no nascimento? A natureza, sábia, prepara o corpo da mulher para receber um novo ser, na hora do nascimento há dor, tensão, angústia, ansiedade, e todo esse processo é preparatório para a morte de uma mulher e o nascimento de outra, agora mãe.

A sensação de morte é presente no processo de transformação, mas quando a mulher confia em si mesma e nos que estão a sua volta, consegue se entregar a essa dor, aceitá-la e se abrir para o novo, para esse desconhecido que lhe transforma em alguém mais forte, mais paciente, mais crente em si e nos outros, e com muito mais amor. Essa transformação também ocorre com os homens, que se dispõem a enfrentar seus medos e angústias, tornando-se pais.

Vivemos uma sociedade em que a dor não é aceita, temos que estar constantemente anestesiados (remédios para alívio da dor, entretenimento em todos os lugares para estarmos sempre “felizes”, conversas superficiais onde “tudo está bem”, pois não há espaço para ouvir o que não está bem, todos devem ser “perfeitos” e terem uma vida “perfeita”) e nossas dores vão sendo “escondidas”. Por outro lado, nunca tivemos tanta gente infeliz, cansada, estressada, com problemas de saúde, sozinhas e com tanta solidão. Algo muito paradoxal!

Toda essa consciência da necessidade de transformar-se constantemente, enfrentando as dores e desconfortos, sem viver de forma anestesiada por uma cultura hedonista é, sem dúvida, um processo de aprendizagem. No conceito de educação (que vem do latim educere: trazer de dentro para fora), já está implícito um processo constante de despertar algo que é próprio do ser humano, mas que só se constrói diariamente nas relações estabelecidas com o outro.

E o amor, que vem com a força da renovação e da vida, como se constrói? Ele nasce em cada gesto da mãe com o bebê, cheiro, toque etc. Esse amor, afeto, é que transforma e ele só ocorre presencialmente. Grávidas idealizam seu bebê, mas quando começam a sentir ele mexendo, ou ouvem seu coração, elas constroem com esses estímulos uma relação amorosa.

Mesmo as mães não biológicas constroem esse amor com uma relação presencial e, assim, constroem suas famílias, com ou sem pai, com duas mães, dois pais etc. O importante é o afeto, alimento fundamental para a sobrevivência do bebê, da criança, do adolescente e do ser humano. Esse é o papel fundamental daqueles que educam. Auxiliar no desenvolvimento de um novo ser, construindo afetos que se dão nas relações com a criança. Mas para amar é preciso amar a si mesmo.

Quantas vezes nós paramos para olhar para nós mesmos? O quanto estamos cuidando de nós? Por vezes, no cuidado com quem a gente ama, esquecemos de nós mesmos. Então, o convido para essa reflexão: quais são seus sonhos? Suas intenções? O que te mobiliza? O que te inspira? O que faz sentido para você em sua vida?

*Artigo escrito por Adriana A. Bini, psicóloga e colaboradora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve formações para adolescentes, educadores e familiares baseadas nas concepções de educação integral transformadora. A Associação Gente de Bem colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/07/15 10:16:41 AM
(Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

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Habilidades não cognitivas, ou socioemocionais, não só podem como são efetivamente desenvolvidas desde a educação infantil. A escola, como está compreendida na pós-modernidade, vem mudando seu paradigma. O que se espera da escola hoje é o acolhimento à diversidade, a construção da aprendizagem por meio de múltiplas linguagens, a integração entre as pessoas, o olhar atento ao outro na perspectiva da solidariedade, a troca de saberes, a cooperação.

Essa concepção de educação aliada à entrada cada vez mais precoce das crianças na escola em função das demandas sociais geradas para as famílias (necessidade de mais horas de trabalho, mudança no papel social da mulher) trouxeram para a escola a ampliação do currículo, um novo olhar. Hoje (implícita ou explicitamente), cabe à escola a formação integral do indivíduo. Sendo assim, as habilidades não cognitivas, ou socioemocionais, compõem os currículos escolares desde a educação infantil.

A primeira infância é um período de crescimento em que os canais de aprendizagem estão todos abertos, por ser o primeiro espaço com o qual convivem fora do âmbito familiar, a escola é um ambiente privilegiado não só para as aprendizagens formais, como também para o desenvolvimento das habilidades não cognitivas. Da mesma maneira que os alunos são receptivos ao letramento por meio de múltiplas linguagens, também o são para aprender a ser solidário, respeitoso, a negociar interesses e vontades, a argumentar, a esperar, a ter autocontrole, a perseverar, a tornar-se autônomo, reflexivo, curioso, a resolver problemas.

As crianças são essencialmente plásticas e, na escola, têm a oportunidade de experienciar situações que, em algumas gerações anteriores, eram vivenciadas apenas por intermédio das relações familiares.

As habilidades não cognitivas são estimuladas e vão sendo construídas, pelas crianças, na relação que fazem entre os seus saberes e o objeto de conhecimento e nas relações interpessoais próprias do ambiente escolar. Passam, assim, a se refletirem no modo de agir e de ver o mundo.

A educação infantil que compreende a educação de maneira interacionista atua em favor do desenvolvimento das habilidades não cognitivas de maneira constante, já intrínseca ao planejamento e à maneira de compreender como se processa a construção do conhecimento, seja em qual esfera for. Não há mais a dicotomia na ação educativa. O aluno é percebido de maneira integral – física, intelectual, pessoal e social.

Por isso, a informação é o melhor instrumento e ela se apresenta em múltiplas oportunidades: desde a apresentação inicial que se faz às famílias sobre a filosofia da instituição, passando pelas reuniões com pais e pela partilha de textos que validam essa perspectiva educativa, até a socialização de produções das crianças por meio de exposições, tarefas, campanhas solidárias e a mudança de comportamento percebida nos filhos. Essas últimas, talvez, sejam as de maior relevância porque são o demonstrativo da evolução, do crescimento de cada um deles como seres humanos preocupados com os outros e com o mundo em que vivem.

*Artigo escrito por Claudia Ayres. Pedagoga e coordenadora da educação infantil do Colégio Marista Nossa Senhora da Glória, da Rede de Colégios do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 03/07/15 4:39:15 PM
(Imagem: divulgação)

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Intolerância, brigas violentas, crimes. Em tempos de muitas adversidades, ser resiliente –conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas (choque, estresse etc.) – se tornou uma característica importante pessoal e profissionalmente. Muitos não sabem que a resiliência pode ser ensinada, inclusive para crianças. Superar frustrações, entender que pode estar em risco, perceber seus comportamentos e reações são coisas que as crianças podem fazer, se orientadas pelos responsáveis e aceitas no meio em que vivem.

Alguns pontos favorecem o desenvolvimento da resiliência e o papel dos pais neste processo é muito importante. É fundamental que a criança seja bem-vinda e desejada na família, outros pontos são o entusiasmo, a forma otimista de encarar os fatos, e passar por frustrações. O adulto resiliente com certeza foi exposto a frustrações na infância, os pais precisam entender que tirar todas as pedras do caminho do filho é um desserviço, deixar que o filho se frustre e mostrar como ele conseguiu vencer essa etapa é o que fará a diferença em sua formação, o reforço positivo é outra ferramenta importante na formação da auto-estima.

Engana-se quem acha que resiliência é algo que se adquire e faz com que a pessoa haja da mesma forma em todas as situações, isso não é verdade, pois crianças e adultos podem ser resilientes em casa, mas não tolerarem nenhuma situação adversa na escola ou no trabalho, por exemplo.

A chegada da adolescência faz com que atitudes resilientes se tornem ainda mais importantes, pois o resiliente, em geral, não se coloca em situações perigosas ou vulneráveis. O adolescente que possui esta característica avalia as situações sem se alienar, além disso, ele se conhece, percebe a si mesmo e os outros e se torna capaz de analisar antes de agir. Isso vale para ofertas de drogas, má influência de amigos e comportamento na internet.

Algumas ações para ajudar seu filho a se tornar resiliente:

– Desejar o filho é o ponto de partida;

– Oferecer amor e presença. Pessoas resilientes foram muito amadas na infância;

– Participar ativamente da vida de seu filho;

Colocar-se a serviço da criança, disponível para as necessidades que ela tem;

– A escola oferece o estímulo à parte cognitiva. Escolha uma boa escola, que estimule adequadamente seu filho;

– Seja você uma pessoa resiliente. Para desenvolver o autoconhecimento e a estruturação a criança busca nos modelos que ela possui.

*Águeda Thormann é mestre em Mídia e Conhecimento e professora do Curso de Pedagogia do ISE SION (Instituto Superior de Educação Nossa Senhora de Sion). A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 02/07/15 3:47:52 PM
(Foto: Emilio Morenatti)

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Com perdão ao derrotismo, avançamos pouco, muito pouco, nos nossos discursos sobre os jovens. O esmagador posicionamento da sociedade a favor da redução da maioridade penal está aí para comprovar. Falta-nos de fato massa crítica sobre o assunto. Mas não é um deserto absoluto, convenhamos. Pode-se citar as pesquisas sobre “juventudes” – assim mesmo, no plural – de Miriam Abramovay; ou o controverso pensamento do psicanalista Contardo Calligaris, para citar dois. Mas ainda assim, é pouco.

Não é difícil explicar. Como dizem os antropólogos, as estruturas mudam mais rápido do que a cultura e o imaginário. Não se apagam assim séculos de visão ibérica sobre a mocidade – transitória, corretiva, perigosa, um hiato que pode levar a ser marmanjo desocupado ou adulto correto, entre outras crenças amareladas. O pé-atrás com a juventude é tão forte que nem os 20 anos de debates que levaram à consolidação do Estatuto da Criança e do Adolescente foram fortes o bastante para demover nossos preconceitos.

Dia desses, um policial foi chamado no bairro onde moro. Parte do quarteirão estava preocupada com o que chamamos de “o misterioso caso das bolinhas de gude”. Com uma arma adaptada ou com um estilingue, alguém deu de atirar esses artefatos contra janelas e contra pessoas. A dica da PM é que procurássemos um adolescente por trás de alguma fresta – provavelmente o atirador era um deles. A dica levou a uma verdadeira caça às bruxas na redondeza, equívoco que outro efeito não teve senão pôr à flor da pele nossa rapidez em vitimizar os mais jovens. Em tempo – o atirador, pelo que tudo indica, já passou dos verdes anos.

É só um exemplo de como voltamos nossa metralhadora cheia de mágoa para os jovens. Não deixa de revoltar. Muitos dos que culpabilizam nossos moços, pobres moços, por todas as mazelas do país, nunca fizeram nada por um deles. Faça o teste. Pergunte a um dos inquisidores da juventude se já perguntaram ao guri que lava seu carro no posto ou ao menino da portaria do prédio até que ano eles estudaram. Se sabem onde fica a Educação de Jovens e Adultos (EJA) mais perto.

Anos atrás, em visita ao Brasil, o sociólogo italiano Domenico De Masi recebeu de um repórter uma pergunta à queima-roupa. Ao falar pelos quatro cantos do mundo de sua teoria do “ócio criativo”, De Masi nada mais estaria fazendo do que sociologia para as classes médias. Ouviu a acusação e respondeu sem pudores. O termômetro subiu. Disse que muito se espantava que nós, brasileiros, que não conseguimos nem sequer encaminhar nossas empregadas para a escola, tivéssemos o desplante de acusá-lo de burguês.

Mas é preciso passar da fase da constatação e ir para a ação. Lidar com jovens exige perícia, pois não se trata de uma faixa etária estanque. Um dos maiores pecados dos adultos é o ressentimento ao se darem conta de que os jovens de hoje não são a sua imagem e semelhança. Muitos se defendem de forma infantil, ainda que inconsciente, diminuindo essa geração em vez de entendê-la. Dizem que o jovem de ontem, este sim, era politizado, engajado, idealista, esquecendo-se que a memória é dada à traição e à idealização.

Sugiro que nós, educadores, façamos uma espécie de laboratório – recolhendo daqui e dali as melhores impressões sobre a mocidade. É um bom exercício. Dia desses, ouvi do Arnaldo Jabor que os jovens de hoje são menos babacas que os da geração dele. Seriam mais realistas. Faz sentido. De um padre que trabalha com a juventude, o curitibano Alexander Cordeiro Lopes, pesquisador do assunto, escutei que são mais pragmáticos – os jovens buscam uma experiência disse ele. Depois dessa observação fiquei mais atento, embora não tivesse dúvidas de que a vida se reinventa e de que um novo líder nasce neste exato momento.

Em trabalho com alunos, percebo que se incomodam com os excessos de discursos e com os conceitos sem aplicação. É claro que ninguém deve se render ao pragmatismo e à ditadura da utilidade, mas essa urgência juvenil diz algo. Se queremos falar com eles, fica o desafio de criar oportunidades de que eles se aproximem do mundo, que o toquem. Reparem no quanto andam ao longe, apartados pelo medo e pela superproteção familiar. Mesmo o que à primeira vista soa como assistência e alienação pode ser o fio da meada para iniciar uma conversa com eles.

Se a dica serve de alguma coisa, conto aqui que todas as vezes que tive a coragem de descer da tribuna, de mudar de lugar, de fazer com eles, saímos no ganho. Dias atrás, fizemos um Pecha Kucha – aquela dinâmica japonesa de contar uma história em 20 slides projetados em 6h40 minutos. Pude conhecê-los – sentado num canto da sala de aula. Provei da criatividade de cada um deles. Rimos juntos. Durante as apresentações, não fui poupado de comentários sobre a mesmice da vida acadêmica. Mais importante que tudo, aprendi um bocado. Já virou um clichê, mas vamos lá – quem não consegue mais aprender tem pouco a ensinar. Na noite do Pecha, em silêncio, fui o melhor professor por algumas horas. Melhor repetir a dose.

*José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 30/06/15 10:17:13 AM
(Imagem: Divulgação)

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A nossa História retrata um povo sempre na busca de uma identidade própria, fomos Colônia, Império e hoje somos uma República. Nessa trajetória até os dias atuais vivemos momentos de embates e lutas pela construção de autonomia plena. Sofremos muitas influências e fomos ainda, o último país independente do continente americano a abolir a escravidão.

Aturdidos nessa procura incessante, sempre buscamos modelos de sucesso para que sejam adaptados à nossa realidade. Ora, importamos um modelito de lá ora de acolá. Éramos os melhores no futebol, contudo, países que sempre fazem a lição de casa muito bem-feita nos driblaram e hoje deixamos o reinado para a Alemanha. Não que devêssemos sempre ganhar esse título, mas a forma como tudo aconteceu é que nos causa tristeza. Muito dinheiro comprado e vendido, obras superfaturadas inacabadas, escolas abandonadas, segurança zero e doentes largados pelos corredores dos hospitais. A que custo fomos os hospedeiros de uma Copa do Mundo malsucedida e que deixou rastros de revolta e vergonha?

Bem, fomos descobertos oficialmente no ano de 1500, já tínhamos uma história nesse país continental, que não era apenas um legado do povo indígena que aqui habitava. Essa história tem muitos namoros anteriores ao ano oficial de seu descobrimento. E, a partir de então, passado o período da colonização, lutamos pela independência e pela construção de um povo com identidade própria.

Voltando ao presente, vamos pensar o que faz a diferença entre o “ser e o não ser” um país que transpira à democracia, à modernidade, que hoje está refletido em ter uma consciência ecologicamente correta, ser educado no respeito à diversidade e na inclusão, respeitar ao próximo como gostaria de ser respeitado. Tudo passa pela Educação. Ter ou não ter uma educação de qualidade indistintamente de cor, raça, credo e gênero.

Agora, analisando como estão tramitando a aprovação dos Planos Municipais e dos Planos Estaduais de Educação percebe-se a existência de um fosso, quase que intransponível, entre o real e o ideal de educação. Interesses à parte, todavia a intenção para que esse país de dimensões continentais se transforme em um país deveras sério em suas intencionalidades, urge mais 500 anos de formação e educação, porque a nossa mentalidade atual está forjada em levar vantagens e não no que é certo ou errado. Daquilo que é sério e faz bem, faz bem para a saúde do corpo e da alma, e com ela o orgulho de ser brasileiro, sem preconceitos nem falsas modéstias, tão característicos de povos evoluídos.

Só mais 500 anos. Será o suficiente para que vícios de mandos e desmandos sejam substituídos por interesses de tornar esse país em um país sério com governantes comprometidos em alavancar o crescimento pensando em uma Educação de qualidade para toda a população. Serão suficientes esses aninhos a mais?

Voltando à caverna de Platão; já falei sobre ela em outro artigo. Continuaremos a acreditar naquilo que é reproduzido tomando como verdades absolutas ou sairemos para fora de nós mesmos e veremos que nada daquilo é o real? O mundo é outro e mudou, e essa mudança precisa vir de dentro para fora. Líderes precisarão ser formados para conduzir essa nova ordem que não é a pregada por martelos e pregos fundidos em um único lugar absoluto como verdades estagnadas e absolutas.

Para que essa nova realidade seja vislumbrada, a qualidade da educação precisa ser enfrentada como um bem apropriado por todos os viventes dessa nação. E será que é o que presenciamos nessa “pátria educadora”? Educadora de quê e para o quê e para quem? Encaminhando jovens para qual espaço de liberdade conquistado pela sabedoria e pelo conhecimento?

E, saúde, segurança e educação ainda em estado de gestação.

Apenas para lembrar, retidão de caráter, honestidade, vergonha não se importam. Ou se tem ou não se tem.

*Artigo escrito por Fátima Chueire Hollanda, assessora Pedagógica do Sinepe/PR e Diretora da TeachingConsult – Empresa de Consultoria e Coaching Educacional. O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/06/15 12:08:51 PM
(Imagem: Divulgação)

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Inspirada por uma das muitas conferências do escritor Mia Couto, resolvi compartilhar algumas ideias com vocês sobre o medo, esse sentimento que nos faz levantar mais muros que pontes, grades no lugar de estradas que nos ligariam uns aos outros. E falar em medo é também nos interrogar sobre o papel da educação na construção do nosso “eu”; e falar da mídia, como perpetuadora e criadora de medos ou oportunidade de novas miradas críticas.

Falar de medo é nos questionar constantemente sobre nossos (pre)conceitos em relação ao que é diferente de nós; nossa incapacidade de aceitar pontos de vista, culturas, hábitos, opiniões, relações que não se enquadram em nosso “mundinho” protegido por ilusões de perfeição; é rasgar a Declaração dos Direitos Humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e pedir a redução da maioridade penal embalados por discursos de violência proferidos muitas vezes pelos mesmos causadores dessa violência e por aqueles que vão lucrar com ela.

Falar sobre medo é também perceber que muitas vezes não temos uma postura crítica em relação aos meios de comunicação, engolindo goela abaixo todas as mensagens recebidas diariamente em forma de notícias sensacionalistas ou publicidade de alarmes de carro e seguros de vida para o nosso mundo ficar melhor. Falar de políticas públicas de qualidade em educação, saúde, lazer, etc não está em questão entre os medrosos, porque é preciso coragem para sair da zona de conforto do “mimimi” e lutar não por você, mas por todos.

Os que sentem mais medo do que indignação, defendem mais polícia, mais cadeia e até a volta dos militares e a suspensão temporária da cidadania, porque já não conseguem pensar por eles próprios e precisam de “pseudo-salvadores”. Por isso escutamos vozes cada vez mais extremistas, conservadoras e reacionárias ocupando lugares políticos de destaque em todo o mundo e oferecendo-se para defender os tais “valores tradicionais” dos quais muitos dizem sentir falta.  O que não costumamos nos perguntar é: Quem ganha com esse radicalismo?

Em meio à crise econômica mundial não parece que as indústrias bélicas, por exemplo, estejam falindo. Talvez o contrário. Talvez se produzam mais armas do que nunca, porque há mais fantasmas e um mal irremediável e invisível a ser combatido. E esse mal normalmente tem cor (negra), localização geográfica (oriente) e classe social (pobres).

“Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos; para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas” (Mia Couto)

Onde fica a ética quando falamos sobre o medo?

Qual o papel da educação quando nos referimos a medo de violência?

Onde estão as políticas públicas de Educomunicação para a formação de cidadãos que tenham uma postura mais crítica e criativa diante das mensagens do mundo, e que compreendam a informação/comunicação como um direito humano capaz de transformar vidas, histórias e realidades?

Enquanto combatermos só as consequências de um mundo corrupto, sem educação de qualidade voltada à formação de cidadãos, sem direitos garantidos na prática e não apenas em folhas de papel, estaremos perdendo a oportunidade de entrar para a História como uma geração que mudou a realidade a partir das lutas por seus direitos, e não se deixou vencer pelo medo.

Numa conferência sobre segurança, Mia Couto destacou que provavelmente morreram mais chineses a construir a Muralha da China do que propriamente pelas invasões das quais ela deveria protegê-los. Sendo um Patrimônio Mundial e considerada uma das Sete Maravilhas do mundo, a muralha na verdade pode ser considerada um monumento ao medo. Vários trabalhadores que morreram em sua construção foram emparedados lá mesmo: corpos, tijolos, pedras, cal…. corpos que se converteram em muros e nos lembram de forma metafórica que o medo pode nos aprisionar dependendo da maneira como lidamos com ele.

Como reflexão, sugiro algumas questões:

Como você tem trabalhado seus medos?

De que maneira educadores podem discutir o medo nas escolas?

Estamos educando nossos filhos tendo como horizonte os Direitos Humanos e o respeito ao Outro-Sujeito de direitos igual a nós?

“Há muros que separam nações, muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não possuem”. (Mia Couto)

* Cristiane Parente de Sá Barreto é Jornalista, Educomunicadora, Sócia-Fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), Doutoranda em Comunicação e Pesquisadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade – CECS da Universidade do Minho, Mestre em Educação pela UnB e em Mídia e Educação pela Universidad Autónoma de Barcelona.. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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