Assinaturas Classificados
Seções
Anteriores
Publicidade

Interrompemos a nossa programação

Quem faz o blog
Seções
Conheça
Posts
Enviado por rwapolloni, 26/10/14 11:25:46 AM

Os jornais do mundo, é claro, estão de olho na eleição brasileira. Em suas edições eletrônicas deste domingo, destacam a divisão do país em dois projetos político/econômico/ideológicos e, também, o baixo nível da campanha. Vamos a algumas das manchetes (clique no nome do jornal para acessar o texto completo):

The New York Times: “Com a corrida presidencial brasileira chegando ao fim, eleitores lamentam sua feiura”.

NYT

The Washington Post: “Eleição no Brasil: ‘Fantasmas’ x ‘Monstros’” (os “fantasmas”, segundo a reportagem, dizem respeito à campanha petista contra o governo de FHC; os “monstros” dizem respeito às acusações da campanha do PSDB de que o atual governo é incompetente e corrupto).

washington_post

Le Figaro (França): “[Corrida] presidencial no Brasil: o choque de dois projetos” (seguindo um padrão histórico na imprensa francesa, o jornal estabelece uma divisão clara entre “esquerda” e “direita”. O jornal analisa os projetos de Dilma e Aécio e também o desafio econômico do país em 2015).

lefigaro

La Nación (Argentina): Em tópicos breves e em tempo real, o jornal historiciza o dia da votação, destacando a polarização do pleito.

la nacion

Die Tageszeitnug (Alemanha): “O Brasil está diante de uma guinada à direita?” – o jornal destaca a polarização das eleições e observa que o governo que tenta a reeleição enfrenta uma disputa duríssima.

die_tageszeitung

China Daily: O jornal destaca as últimas pesquisas eleitorais, o empate técnico entre os candidatos e os desafios econômicos do próximo presidente.

chinadaily

Público (Portugal): “Ninguém ganha sem o voto dos pobres, mas desta vez é a classe média que vai decidir a eleição” – manchete auto-explicativa que ilumina um aspecto que não foi pontuado pelos jornais anteriores.

publico

El País (Espanha): Acompanhando a tendência de análise de outros jornais europeus, destaca a polarização político-ideológica do pleito.

elpais

Al Jazeera (Catar): A rede de tevê destaca as últimas pesquisas, a ligeira vantagem de Dilma nas intenções de voto e o desafio presidencial de conciliar progresso social e progresso econômico.

aljazeera

Enviado por rwapolloni, 24/10/14 3:49:41 PM

capavejaA antecipação da edição desta semana da revista Veja, buscando tornar públicas denúncias contra Dilma Rousseff e Lula, pode ser lida a partir de duas possibilidades estratégicas: ou é uma jogada de mestre ou um tiro no pé.

Terá êxito, evidentemente, se alterar a intenção de voto, em especial daqueles que não intencionavam votar em ninguém. Quanto ao resto do eleitorado, duvido de que vá mover uma palha de convicção a esta altura do campeonato. As denúncias terão êxito, também, se servirem para municiar Aécio Neves no debate desta sexta-feira na Globo. Tudo vai depender de como a candidata do PT se defender; sabendo o quanto os políticos são lisos – vestem verdadeiras armaduras de teflon -, é possível que caia no vazio.

A antecipação da Veja será um tiro no pé se o PT conseguir demonstrar à sociedade a hipótese de que há um atentado do “grande capital editorial” à democracia. Se a ideia colar, é claro, tem valor, inclusive porque demonstraria uma união espúria entre o PSDB e os “conspiradores” da Editora Abril.

Vale lembrar, porém, que boa parte da população ainda não lê a revista Veja. Que nas periferias sua circulação deve ser restrita, a despeito da tiragem alegada – de resto, bastante significativa, muito mais como virtual panfleto – de um milhão e cem mil exemplares.

Vamos aguardar a noite e o domingo para ver se esse bicho pega. Para mim, diante até do avançado da hora, os riscos são pequenos.

Enviado por rwapolloni, 23/10/14 5:58:58 PM

É difícil para um jornalista, é um crime, confessar preguiça. Muito mais em uma semana eleitoral decisiva, com o destino do país sendo gestado muito rápido. Pois é: ao acompanhar a mídia política destes dias, especialmente a mais popular, a espontânea ou simulada de espontaneidade das redes sociais, assumi certa preguiça. Ou certo asco, ainda não identifiquei bem. Ou os dois.

O nível anda baixíssimo. Podre, mesmo. Vergonhoso, mesmo para uma jovem democracia. O melhor exemplo, do lado dos críticos de Dilma Rousseff, é uma matéria publicada em um site espúrio e repostada no Facebook dando conta de que a candidata do PT é lésbica e que haveria abandonado uma companheira de muitos anos. A própria “companheira”, aliás, é quem entrega o jogo.

dilma

O autor da matéria foca claramente o eleitorado mais conservador e escandalizável, deixando de lado quaisquer considerações respeitantes à mais remota veracidade do fato; mesmo, de fato, que a história fosse confirmada, ela simplesmente transita por uma esfera privada, personalíssima, que não diz respeito a ninguém, senão ao seu próprio sujeito. De quebra, o dito escriba ainda engrossa o coro preconceituoso das erínias de plantão contra os homossexuais. Saco de vômito.

Do lado de Aécio, a acusação é clássica: ele é apontado como usuário contumaz de cocaína. O mesmo vício que foi imputado a outros candidatos relativamente jovens e do sexo masculino na história política recente do país. É político, de meia idade, herdeiro de uma elite política? Então, necessariamente, é um playboy “cheirador”. Se for pobre, é “pinguço”, porque pobre não tem dinheiro para drogas mais “elevadas”.

teste-ac3a9cio

O tamanho do problema, nas redes sociais, pode ser visto na infinidade de comentários que pipocam a cada postagem infame. De quem se escandalizou e partiu para os impropérios (ou para acusações de mesmo calibre direcionadas ao outro contendor) ou de quem endossa o fato e acrescenta alguns tentáculos ao kraken.

Em síntese:

10653591_10201956742715290_2439234189485745298_n

 

E, principalmente, pare de brincar com a democracia.

Enviado por rwapolloni, 20/10/14 11:10:25 AM

poker_sympathy

O debate de domingo na Record foi bem mais ou menos. Os candidatos baixaram a bola e acabaram ficando em um meio termo entre dar pau a mostrar propostas – o que produziu arranca-rabos contidos e propostas mostradas pela metade.

o debate de domingo na Record pode dar uma ideia de como será a semana de propaganda e até de como será o debate da Globo, pertinho do pleito. A ideia é mover os indecisos a partir das denúncias, sem, contudo, desagradar os já cooptados com excesso de denúncias, bravatas e caras de “já ganhei”.

Será que os comitês de campanha vão conseguir manter essas variáveis sob controle? Haveria, quem sabe, uma requiônica “bala de prata” de última hora capaz de nocautear os adversários?

Impossível dizer. Só sei que, pelos próximos dias, teremos muitos marqueteiros de cabelos brancos e muitos cientistas políticos maravilhados com a mais acirrada disputa desde o retorno da democracia. Haja coração!

Enviado por rwapolloni, 16/10/14 11:59:57 PM

Pai-mei_vs_Bride

O debate dessa quinta-feira no SBT me lembrou um filme chinês que assisti há muito tempo. O enredo era simples: os inimigos entravam em uma espécie de pagode e se enfrentavam com tudo o que podiam, começando com as armas tradicionais e terminando com arremesso de pratos, cadeiras, gatos, xepas e pedaços dos próprios corpos.

No final da tarde, logo depois da novela mexicana “A Bela mais feia”, a coisa rolou por aí. Os candidatos tentaram matar um ao outro já na apresentação, com petardos associados à corrupção.

. (Dilma) Na primeira pergunta, foram de Petrobrás e privataria tucana.

. (Aécio) Na segunda, sobre educação, deixaram a educação de lado e voltaram à corrupção dos trens de São Paulo e do “aeroporto familiar” de Aécio.

. (Dilma) Na terceira, sobre o controle da inflação, a peça de arremesso foi o nepotismo.

. (Aécio) Na quarta, sobre serviço público, idem, com lançamento de irmãos nomeados, tios, primos e primas.

(fim do primeiro round)

. (Dilma) Na quinta pergunta, propinas para esvaziamento da CPI da Petrobrás, dinheiro sujo para campanhas etc.

. (Aécio) Na sexta, sobre assassinato de jovens, acusações de leniência em investigações de corrupção.

. (Dilma) Na sétima, sobre segurança pública, incompetência de gestão.

. (Aécio) Na oitava, sobre mobilidade, metrôs que não saem – ou que estão saindo – do papel. E a paternidade do Bolsa Família.

(fim do segundo round)

. (Dilma) Na nona pergunta, soco na cara pautado em uma acusação de embriaguez/drogadição ao volante. E repique, mais uma vez, em corrupção, com respingo em Itaipu.

. (Aécio) Na décima, acusação de fraude em uma filmagem de campanha, com repique em mentiras sobre investimentos.

. (Dilma) Na décima primeira, retorno ao caso do aeroporto de Cláudio.

. (Aécio) Na décima segunda, CORRUPÇÃO e retorno ao caso da Petrobrás.

(Considerações finais – modelo “Finish him!”)

. (Dilma) Referência aos “governos das elites”.

. (Aécio) Referência ao “desgoverno dos últimos anos”.

Entre mortos e feridos, bem… todos acabaram nocauteados. A democracia, como diria Confúcio, merece mais do que isso.

Enviado por rwapolloni, 15/10/14 12:26:59 AM

JasonPunchesKen

O debate na Band foi feroz. Agressivo, ranheta, agudo, exatamente como esperado. De poucas propostas, é certo, mas interessante para expor o andamento da campanha. Algumas considerações:

. Aécio foi ao debate “com a faca nos dentes”, treinadíssimo e francamente animado com a possibilidade de causar estragos. Em alguns momentos, por conta disso, bordejou a zona da antipatia junto ao eleitorado. O equilíbrio psicossocial, aí, é muito sutil.

. Curioso: a mesma agudeza de Aécio no debate é percebida na propaganda do PT, que também vai ao ataque sem a menor piedade. O risco de antipatia é o mesmo.

. Dilma, por sua vez, sofreu por conta de seu próprio estilo – tentou explicar demais, exemplificar, e acabou se embatucando algumas vezes. E burocratizando muitas das próprias falas.

. De resto, o encaminhamento dado pela organização do debate, de pouca interferência, funcionou bem.

. Agora, é aguardar os próximos rounds – a coisa vai ficar cada vez melhor.

Enviado por rwapolloni, 13/10/14 5:25:05 PM

De tempos em tempos, candidatos dão início a ações de campanha baseadas em “arrancadas rumo à vitória”. A mais conhecida dos curitibanos é a “Campanha dos 12 Dias”, de Jaime Lerner no pleito municipal de 1988, que associou o número de dias da entrada oficial do candidato na disputa ao número de seu partido nas urnas, o 12.

Na atual campanha, o time de Roberto Requião chegou a acenar com uma “ofensiva dos 15 dias”, mas a coisa acabou não tendo o impacto desejado.

Hoje, 13 de outubro, os marqueteiros de Dilma reeditaram o expediente: a treze dias do pleito, lançaram uma ação instantânea de marketing nas redes sociais. O mote: “Faltam 13 dias para o Brasil votar 13”. Em síntese: não há nada de novo sob o sol… e nem no manual dos marqueteiros.

nono01

O Gerador de Memes

Se você está louco para aporrinhar seus amigos do Facebook com piadas ou críticas ao candidato A e B, uma dica é usar os chamados “geradores de memes”, que permitem a qualquer um criar seus próprios memes sem fazer grandes malabarismos com o Photoshop ou o Corel Draw. Esses geradores estão disponíveis em sites como o Memegenerator ou o Gerador de Memes. É a tecnologia a serviço da galhofa – só não erre a dose, para não ser bloqueado pela massa.

aecio

dilma_meme

De olho no debate

Marque, porque vai valer a pena: o primeiro debate do segundo turno – porrada geral – acontece nesta terça-feira, 14, na Bandeirantes, a partir das 22 horas. Tomara que os candidatos reservem mais tempo para as propostas do que para os vitupérios. Só um inocente, porém, acredita que isso irá acontecer.

Last, but not least…

Se o tempo é de comparações, o povo está comparando até no campo da música:

ddd

Enviado por rwapolloni, 09/10/14 10:21:06 PM

clangor

“Clangor”: eis aí uma palavra que eu jamais pensei que fosse usar. Nascido em Roma, o termo significa tanto o ressoar das trombetas quanto o retinir das armas na batalha ou um pouco antes de seu início, quando os contendores gritam e batem as espadas contra os próprios escudos. Verdadeiro zunido de Ares, deus da guerra – ou do próprio demônio.

O primeiro programa eleitoral do segundo turno foi exatamente isso: um formidável clangor de armas e trombetas, mal disfarçado, vez que outra, por sorrisos e pelo vapor das propostas.

Dilma, que abriu a programação, começou seu programa apostando em um desolamento parcial do primeiro mandato – imprimiu, de chapa, o bordão “Governo Novo, Ideias Novas”, mirando o eleitorado alerta pelo marasmo na economia; ao mesmo tempo, porém, trouxe testemunhos de brasileiros que viram a vida melhorar e, ainda, imagens das grandes obras do governo.

Agradeceu os votos obtidos, celebrou a vitória no primeiro turno e, na sequência, alertou o público de que, neste momento, o que está em jogo é um “modelo de país” e não apenas um mandato presidencial. Modelo guerra santa.

Em seguida, nomeou cada um de seus generais – governadores e senadores eleitos pelo PT ou pelos partidos aliados no último domingo. Destaque lógico para Fernando Pimentel, candidato petista que faturou a eleição para o governo de Minas Gerais.

Por fim, um âncora do programa sentou o pau em Fernando Henrique Cardoso, buscando comparar dados sociais de seu governo com os da atual gestão. E resgatou a infeliz frase de FHC sobre os aposentados com menos de 50 anos de idade (“Fiz a reforma da Previdência para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos em um país de pobres e miseráveis”).

Aécio, por sua vez, começou mais risonho e folgazão, buscando, como era de se esperar, realçar seus laços de sangue e espírito público com o avô Tancredo, apontado como modelo de político capaz de formar uma coalizão. Resgatou, enfim, o famoso “mito do eterno retorno”, de Nietzsche e Eliade, que prega a repetição de contextos e o ressurgimento de heróis para enfrentá-los.

Agradeceu os votos e, como sua concorrente, cantou a vitória no primeiro turno.

Milenarista, alertou para o fato de que o “inimigo está disposto a tudo”, e lançou o bordão que é a própria antítese do bordão de Dilma – “o que você prefere? Mudar com Aécio ou ficar com Dilma?”.

Louvou seus generais e mandou um salve em forma de samba-enredo para todos os estados brasileiros. O Paraná recebeu atenção nos primeiros versos.

Por fim, lançou o trunfo de seus novos apoiadores – Pastor Everaldo, Roberto Freire, Eduardo Jorge e o PSB de Eduardo Campos.

E fechou o programa andando de barco com uma bandeira do Brasil tremulando ao vento.

Em síntese: épico e clangoroso. Pelo andar da biga, ainda veremos muito sangue nesse campo de batalha. É pau!

Enviado por rwapolloni, 07/10/14 5:09:20 PM

Acabamos de capturar a imagem abaixo em uma rede social. Segundo o autor da postagem, trata-se da celebração da vitória pelo senador Alvaro Dias e por seu mascote, o bichón frisé (poodle gigante para a plebe) Hugo Henrique, em um convescote intramuros básico e descontraído. Hugo, para quem está embarcando agora na história, apareceu no programa eleitoral do candidato do PSDB no primeiro turno e virou um meme explosivo, com repercussões em veículos de circulação nacional e até criação de perfis falsos no Twitter. No final das contas, a caravana passou e o Hugo Henrique acabou faturando um bonzo extra – de leve.

alvaro e hugo

Enviado por rwapolloni, 07/10/14 10:43:12 AM

baboo

Com a polarização PT-PSDB no segundo turno, estamos vivendo um movimento crescente de imbecilidade nas redes sociais. Partidários dos dois lados estão tentando se aniquilar simbolicamente na base do escárnio e da agressividade, o que funciona apenas como um tolo jogo para a própria torcida. Inútil como acompanhar as eternas discussões entre corinthianos e palmeirenses ou entre coxas e atleticanos.

Como nenhum eleitor indeciso vai mudar de voto a partir desse tipo de embate, resta a conclusão antropológica de que, mais do que inteligência política, esses caras vivem um momento de embate, afirmação e agonia para-religiosa. Política velha e primitiva. O que, além de ser chatíssimo, é perigoso para qualquer democracia.

Páginas12345... 20»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Publicidade
Publicidade
Publicidade
«

Onde e quando quiser

Tenha a Gazeta do Povo a sua disposição com o Plano Completo de assinatura.

Nele, você recebe o jornal em casa, tem acesso a todo conteúdo do site no computador, no smartphone e faz o download das edições da Gazeta no tablet. Tudo por apenas R$ 49,90 por mês no plano anual.

SAIBA MAIS

Passaporte para o digital

Só o assinante Gazeta do Povo Digital tem acesso exclusivo ao conteúdo do site, sem nenhum custo adicional ou limite.

Navegue com seu celular ou baixe todas as edições no tablet - um novo jeito de ler jornal onde você estiver.

CLIQUE E FAÇA PARTE DESSE NOVO MUNDO

»
publicidade