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Enviado por Marcio Antonio Campos, 10/07/12 7:43:00 PM

A comunhão nos tempos da gripe A

(atualizado às 9h13 de quarta-feira)

A gripe A voltou a modificar alguns hábitos em igrejas católicas, assim como tinha feito no primeiro grande surto da doença, três anos atrás. Uma notinha publicada na Gazeta do Povo de sábado diz que, em algumas paróquias no interior de São Paulo, a entrega da comunhão na boca foi suspensa, não há mais o rito da paz e as orações não são mais feitas de mãos dadas. Curioso não terem feito nenhuma menção à água benta; lembro-me que, na catedral de Curitiba (agora fechada para restauração), ela sumiu no inverno de 2009 e nunca mais voltou; o aviso de que não havia mais água benta por causa da gripe A continuou lá mesmo depois que a doença deixou de representar uma ameaça.

O fato de não estarem mais rezando o Pai-Nosso de mãos dadas pode ser o único efeito benéfico da gripe A, já que o costume não está previsto nas normas litúrgicas da Igreja, por mais que o padre (ou o grupo de canto) queira um momento de “miguxismo” na missa. O rito da paz é facultativo, embora pessoalmente me incomode a maneira como é feito atualmente. Agora, a comunhão é outro assunto. Primeiro, causa um problema, digamos, jurídico. Nenhum bispo ou padre pode proibir a distribuição da comunhão na boca, porque o assunto é regulado pelo Vaticano. O parágrafo 92 da instrução Redemptionis Sacramentum é bem claro a respeito.

Mas, agora, imaginem a seguinte cena: o fiel vai à missa e, no caminho, toca uma série de objetos (no caso extremo, desloca-se de ônibus e fica segurando aquelas barras de apoio); ao chegar, cumprimenta um bocado de gente, pega aquele livreto de cantos que já passou pela mão da congregação inteira, se apoia no banco de madeira e, na hora da comunhão, recebe a hóstia na mão, que leva à boca. Não parece um convite à contaminação? E, aí, surge a hipótese: a comunhão na boca não seria mais segura? Mas, por outro lado, existe o risco de o padre tocar a língua ou os lábios de um fiel…

Reprodução
Detalhe de “A Última Comunhão de São Jerônimo”, de Botticelli; será tão perigoso assim?

Conversei com o infectologista Moacir Pires Ramos, membro da Comissão Estadual de Infectologia do Paraná e chefe do setor no Hospital do Trabalhador, e com dois padres da Administração Apostólica São João Maria Vianney, ligada ao rito tridentino. Como o missal de 1962 não prevê comunhão na mão, os sacerdotes têm de administrar a Eucaristia na boca de dezenas ou centenas de fiéis em cada missa. “Existe, sim, o perigo de o padre tocar o lábio do comungante. É preciso estar muito atento”, afirma o padre Gaspar Pelegrini. No entanto, o padre Jonas Lisboa acrescenta que, apesar disso, é possivel que o sacerdote consiga dar a comunhão sem tocar a boca dos fiéis (eu acrescento que evitar o contato é ainda mais fácil quando a pessoa está de joelhos). No entanto, o dr. Moacir afirma que, mesmo sem o contato direto entre os dedos do padre e a boca do fiel, pode haver a transmissão de gotículas. “Na verdade, nenhuma das duas situações é boa; mas, se tivesse de escolher uma, diria que a comunhão na mão oferece menos risco”, afirma o médico. Para ele, receber a Eucaristia nas mãos deixa com o fiel a responsabilidade dos cuidados com a própria higiene.

Os dois sacerdotes contam que já passaram por situações de epidemia de gripe em ocasiões anteriores. “Nesses casos, um coroinha vai ao lado com um frasco de álcool, para uma possível higienização dos dedos, em caso de contato com os lábios de alguém”, afirma o padre Jonas; o padre Gaspar conta a mesmíssima história. Ainda que tivesse a possibilidade de dar a hóstia nas mãos dos fiéis, o padre Jonas afirma que manteria o costume tradicional. “Jamais adotaria a comunhão na mão, pois acredito que os riscos são maiores, uma vez que a pessoa, quando vai à missa, não costuma lavar as mãos quando chega à igreja. Já as mãos do sacerdote foram purificadas antes e durante a missa”, explica, mencionando um aspecto que o dr. Moacir considera fundamental. “Lavar as mãos, com álcool de preferência, deveria ser um procedimento padrão. Todo lugar deveria ter um dispensador de álcool 70%, deveríamos nos acostumar a isso”, avisa.

A verdade é que até o momento não houve registro de nenhuma contaminação em massa por causa de comunhão, na boca ou na mão. E você, mudaria seus hábitos na missa por causa da gripe A?

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      Lauro | 23/07/2012 | 08:33

      Robert e Ronald: se os crentes já acham que o ateísmo é o que está acabando com o mundo, não duvido nada que eles ainda se preocupem com Satanistas em geral. Acho bem justo, era isso que eles deveriam se preocupar mais. Fica mais "equilibrado". E Miguel está correto: por mais que seja algo absurdo, já li relatos de práticas satanistas que incluem "dessacralizar" hóstias de igrejas, água benta, locais "sagrados" etc, com as tais "missas negras", "sabás", etc. Uma espécie de "missa invertida"...

      Miguel Carqueija | 21/07/2012 | 16:23

      Ué, vocês não sabem que existem seitas de satanismo? E que até chegaram ao rock, com aqueles grupos de rock satanico onde os integrantes da banda e os fãs (já vi isso nas tv) fazem constantemente o sinal dos cornos do diabo??? Me perdoem, mas vocês estão algo fora da realidade. Levar a hóstia para profanações, isso é facilitado quando ela é dada na mão. E, Cristina, você pode recusar se o padre insistir em dar na mão. Os padres exemplares não fazem isso.

      Ronald Rahal | 20/07/2012 | 17:25

      Sr. Carqueija, satanistas? Em que século o sr. vive?

      Robert E Howard | 19/07/2012 | 03:38

      pois sabemos que os satanistas se aproveitam para levar as hóstias consagradas para seus rituais blasfemos. //// Caro Carqueija você não esta falando sério, ou esta ?

      antonio carlos | 18/07/2012 | 21:18

      A resposta é fácil demais, e se divide em duas hipóteses, a primeira e mais prática, é deixar de ir à missa. Perigo de contaminação: zero. E a segunda também é fácil de resolver, é só não comungar. Fácil não? E se pegar a gripe A por causa da comunhão aí será uma morte abençoada. ACarlos

      Cristina | 18/07/2012 | 10:57

      Marcos A. eu também já fui "achincalhada", mas sinceramente, se eu não sou perfeita no trato com as pessoas, o que me permite achar que o padre seria? E isso vale para ouras situações. Eu já fui ridicularizada em sala de aula por um professor, mas não me lembro de ter abandonado a escola e os estudos por conta disso.

      Cristina | 18/07/2012 | 10:55

      Não mudo meus hábitos por conta da gripe A, principalmente tratando-se de receber o Corpo de Cristo. Mas sim, já fui impedida muitas vezes de receber a Eucaristia na boca por conta da gripe, e até mesmo porque algum padre simplesmente não quis. E mãos dadas no Pai-Nosso não é questão de preferência - nunca deveríamos dar as mãos. Está nas regras litúrgicas.

      João das Neves | 17/07/2012 | 19:24

      Meio atrasado, mas tinha que fazer meu comentario, que alias é meio óbvio. Porque um coroinha não fica antes do padre, "borrifando" alcool gel na mão dos fiéis? Aí o Padre põe a óstia na mão dele! Simples assim! e sem polêmica!

      Miguel Carqueija | 14/07/2012 | 13:58

      Marcio, também sou contra o Pai Nosso de mãos dadas, que perturba a nobreza da Missa. E sou contra das a comunhão nas maõs, pois sabemos que os satanistas se aproveitam para levar as hóstias consagradas para seus rituais blasfemos. Receber na boca é mais higienico, pois estamos sujeitos diariamente a coisas muito piores, como os copos servidos nas lanchonetes.

      José Lima | 14/07/2012 | 12:31

      Grande Oldemar, o "sabidão de Nazaré". Mas permita-me dizer que antes de acatar sua sábia sentença ó "intérprete das vontades divinas, juiz da utilidade e da importância dos ritos", lembro-me que o próprio Deus discorda de vós (conforme livros das Sagradas Escrituras onde Deus transmite ritos aos levitas, a Moisés, a Aarão...) Por fim, prefiro seguir a outro homem, homem este que também valorizava ritos. Seu nome não é Oldemar, embora também seja de Nazaré. Seu nome é JESUS CRISTO

      Lauro | 12/07/2012 | 08:31

      Provavelmente daqui a pouco vocês vão ter que separar as hóstias em embalagens individuais previamente seladas, como já acontece com canudos e guardanapos. Não sei se isso seria permitido em casos de extrema emergência (talvez em casos de pandemia?), mas seria o mais prático e higiênico. E lembrando que mesmo fora dos tempos de surto de gripe (seja de qualquer tipo), outras doenças podem ser passadas pelas mãos e saliva. As pessoas esquecem que estamos cercados de microorganismos.

      Ronald Rahal | 11/07/2012 | 14:30

      Prezado Marcio é uma questão que nos faz refletir. Parece-me que no reino microbiano não há predileção por religião ou temor ao \"Deus criador\", já que \"ele\" parece não ter \"poderes\" quando se trata de infecções. Até hoje não vi qualquer reza,benção de pastor ou padre, que sirva como antibiótico. Talvez seja um lembrente contra nossa arrogância e antropocentrismo. Apesar de serem virus e não bactérias,no caso, lembro-me sempre de Gould e a afirmação de que a vida dominante na Terra é a microbiana

      Marcos A. | 11/07/2012 | 13:48

      Minha 1ª(e ultima) comunhão foi uma das coisas mais deprimentes da minha infância. O padre me achincalhou na frente dos outros só por não ter dito "amém" ao receber a hóstia.

      the scientist | 11/07/2012 | 13:38

      nao faz sentido......ao estarem no templo de deus fazendo oracoes, pessoas estao imunes a doencas. oracoes curam. nao precisa mudar nenhum habito.

      Guilherme A Casarotto | 11/07/2012 | 11:21

      "o aviso de que não havia mais água benta por causa da gripe A continuou lá mesmo depois que a doença deixou de representar uma ameaça." Supondo que ela seja realmente uma ameaça. A mortalidade dela é menor que a da gripe comum, apesar da histeria da mídia, governo e principalmente da OMS. Nunca chequei os números, mas é possível que mais gente tenha morrido com as vacinas falsas que foram distribuídas na europa que com a própria doença.

      os396 | 11/07/2012 | 09:10

      Na minha opinião, se tomarmos os devidos cuidados, a Eucaristia na boca é ainda menos perigoso. Se a Eucaristia for recebida na mão exige sim esclarecimentos e catequese para com a devida reverência a Cristo Eucarístico. Acho que o costume das mãos dadas na Oração do Pai-Nosso deveria ser deixado de lado, e o rito do abraço da paz poderia aproveitar que é facultativo e evitar.

      Oldemar de Nazare | 10/07/2012 | 22:09

      Nao há nada mais inutil que ritos criados pelo homem. Em termos cosmicos: comunhão, ritos, e tudo mais, nada tem de valor real. Existirem ou nao existirem, nao faz diferença.

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