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Educativa FM abandona a música paranaense

  • Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br
O secretário de Cultura, Paulino Viapiana, e o diretor-presidente da Educativa, Paulo Vítola: traidores da música paranaense? |
O secretário de Cultura, Paulino Viapiana, e o diretor-presidente da Educativa, Paulo Vítola: traidores da música paranaense?
 
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Os músicos paranaenses devem adotar o luto. Um sonho bebê, uma revolução ainda criança, que começava a engatinhar, foi assassinada dentro da Rádio Educativa do Paraná, agora chamada E-Paraná. No dia em que Ivo Rodrigues faria aniversário, a música paranaense recebe mais uma punhalada. Após um período de euforia, a emissora voltou ao passado e abandonou novamente a música paranaense.

Morreu a revolução de verão – que não durou nem um verão. Ela se iniciou quando o governador Beto Richa e o secretário da Cultura, Paulino Viapiana, indicaram o jornalista Fernando Tu­­pan para a direção da rádio. Era um sonho jovem, de um mês de existência, ainda em fase de implantação e de estruturação. Era simples, colocar a música paranaense na programação normal da emissora. Vinha sendo ajustado, mas já dava sinais de vitalidade, tanto na proposta cultural quanto no aumento e diversificação da audiência da rádio pública do Paraná.

Fernando Tupan foi afastado da direção da rádio. Junto com ele, saiu o programador José Crespo. Eles formavam a dupla que iniciou a revolução do bem e mais uma vez fez história no rádio paranaense – a outra tinha sido na Estação Primeira FM.

Não podem acusar a natimorta revolução de querer acabar com o passado. Não, ela estava se ajustando e abria espaços para todas as manifestações. Mas eis que a bota assassina vem e esmaga a cabeça da criança, preferindo matá-la antes que ela crescesse e ficasse forte.

A revolução, o projeto e o sonho foram assassinados por alguém. O nome do assassino desse projeto musical paranaense ainda não foi descoberto, mas o sangue respinga nos sapatos do governador Beto, nas barras das calças do secretário Viapiana e nas mangas da camisa do diretor-presidente da RTVE, o compositor Paulo Vítola. Do primeiro, pouco se esperava – como sempre devemos fazer com políticos. O segundo, que deveria proteger e promover a música paranaense, não o fez. Do terceiro, esperava-se mais. Afinal, ele próprio é um compositor paranaense, talentoso, mas dele só veio a traição. Por ação ou omissão, todos são culpados.

Ao que parece, nenhum se esforçou para apoiar o projeto de mudança de programação da Educativa implantado por Tupan. De um deles partiu a ordem de execução. A troca de nomes é normal em uma administração pública, mas o que dói nos ouvidos, nos corações e nos bolsos dos músicos paranaenses é o fim de um projeto ousado e que tinha tudo para dar certo. Deveria fazer parte do programa cultural do governo Richa. Mas foi assassinado.

Gostaria de apontar os motivos do assassinato, mas não consegui conversar diretamente com os envolvidos. Ouvi agentes periféricos que encontrei casualmente e outros que entraram em contato comigo preocupados com o fim do sonho de ter uma rádio pública apoiando a produção musical do estado.

Reproduzo algumas mensagens postadas no Twitter, todas de músicos:

Carlos Careqa: “A saída do Tupan é uma perda para a Rádio Educativa!”

Raphael Moraes (Banda Nu­­vens): “A maior perda para a música paranaense dos últimos tempos é a saída do Tupan da rádio educativa! Absurdo!.”

Fábio Elias (cantor e compositor): “Fernando Tupan mal entrou e já saiu da Educativa. É, difícil mesmo a situação das rádios e da música paranaense. Sempre foi, na real. Parei!”

Vladimir Urban (compositor, guitarrista da banda Sick Sick Sinners e produtor do Festival Psycho Carnival): “La­­mento profundamente a saída do Fernando Tupan da programação da rádio educativa do Paraná...

Ivan Rodrigues (baterista das bandas Mordida e Magaivers – filho de Ivo Rodrigues): “Sobre a saída do Tupan da Radio Educativa, acho uma pena, sei que havia uma frente conservadora que era contra a mudança na programação, será que foi esse o motivo da saída? Ja dava pra notar a mudança na programação alguns dias, será que os conservadores de Curitiba ganharam mais essa?”

Banda Anacrônica: “Quando tinha alguém com FERRAMENTAS para trabalhar pela cultura local, derrubam. Parece que nunca vai mudar.”

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