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Cadê os livros que estavam na Tuboteca?

Prestes a completar três anos e com projeto de design premiado, Tubotecas já disponibilizaram mais de 130 mil livros com paradeiros desconhecidos

Fundação tenta conscientizar leitores sobre a devolução dos livros, mas, pelo formato do projeto, não há um controle do que volta. | Pedro Serapio/Gazeta do Povo
Fundação tenta conscientizar leitores sobre a devolução dos livros, mas, pelo formato do projeto, não há um controle do que volta. Pedro Serapio/Gazeta do Povo
 
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Prestes a completar três anos, o projeto Tubotecas, que consiste na instalação de pequenas bibliotecas em estações-tubo de Curitiba, ganhou recentemente um prêmio internacional de design.

O iF Design Award elogiou a singularidade e a forma descomplicada com que a Tuboteca, projetada no Ippuc, coloca os livros à disposição da população – sem custo, sem cadastro, sem data de devolução.

No site do prêmio, que existe desde a década de 1950, o dispositivo é retratado conforme a ideia original – suas prateleiras estão recheadas com dezenas de livros de gêneros e coleções diversas.

Mas essa imagem pode ser rara de se ver dependendo da hora em que o usuário passa por algum dos tubos que abrigam as bibliotecas – na Praça Rui Barbosa, na Estação Central, na Praça Carlos Gomes e na Estação Marechal, da Linha Verde. Fora dos períodos em que os livros são repostos, muitas vezes o que se encontra são panfletos de todo tipo, material didático e publicações religiosas (leia mais abaixo).

Modelo

Seriam as prateleiras frequentemente esvaziadas um sinal de que os 137.562 livros colocados nas Tubotecas até dezembro de 2015 não estão sendo devolvidos? É sinal de que o modelo de empréstimos desburocratizado e baseado na “confiança” é tanto um atributo como o ponto fraco da iniciativa – cuja melhor estimativa de devolução não passa de 15%?

Para a coordenadora de literatura da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Mariane Torres, depende de como se olha para o serviço. Na avaliação dela, o fato de as reposições diárias sumirem em instantes e de mais de 137 mil livros terem entrado em circulação são indicações de que a população aprova a ideia de ter livros à disposição nesses locais.

“Não sabíamos exatamente o que esperar ao propor uma coisa dessas, num local onde passa tanta gente, com perfis tão diferentes. Como foi uma experiência totalmente nova, supriu as expectativas”, avalia a coordenadora, para quem a facilidade de acesso proposta pelo projeto cumpre uma função de aproximação do público com o universo do livro, independentemente de quanto tempo os usuários levam para fazer as devoluções.

“É uma aproximação com um símbolo de conhecimento, de cultura, com um universo de várias coisas positivas”, explica.

O risco de os livros irem parar em sebos ou se perderem nas casas das pessoas, segundo Mariane, foi assumido conscientemente. “Isso pode acontecer também com bibliotecas comuns, mesmo com cadastro de usuário. Se a pessoa estiver mal-intencionada, ela vai fazer isso de qualquer jeito”, diz.

Segundo a coordenadora, o projeto continua se dedicando à conscientização dos usuários – por meio de mensagens fixadas nos livros, por exemplo. E a percepção é de que as devoluções estão aumentando – embora, pelo próprio modelo não controlado do serviço, a FCC não tenha números para sustentá-la. “É um processo lento, mas necessário, e em que vale a pena investir”, defende.

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