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Romance do criador de “True Detective” é cruel

“Galveston” foi lançado em 2010, quatro anos antes da criação de uma das séries mais badaladas da tevê norte-americana

  • Anderson Gonçalves
Escritor Nic Pizzolato é a mente por trás da série, que está em sua segunda temporada. | Divulgação
Escritor Nic Pizzolato é a mente por trás da série, que está em sua segunda temporada. Divulgação
 
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Como em um roteiro bem elaborado, parece haver uma triangulação articulada entre a série de tevê “True Detective”, a história pessoal de seu criador, Nic Pizzolatto, e seu primeiro romance, “Galveston”. Criador e criatura se encontram em algum lugar no interior dos Estados Unidos, onde predomina uma atmosfera desoladora, povoada por homens marcados pela violência. Um ponto em que o ambiente ganha vida e assume a força de personagem, tão crucial quanto a vida dos narradores.

“Galveston” foi lançado em 2010, quatro anos antes de “True Detective” se tornar uma das séries mais badaladas da tevê americana. No Brasil, o livro ganhou sua primeira edição apenas neste ano, graças ao sucesso do seriado estrelado por Woody Harrelson e Matthew McConaughey.

Independente de ser fã ou jamais ter assistido à série, a leitura de “Galveston” é uma experiência peculiar. O título faz alusão a uma pequena cidade no Texas, terra natal do personagem principal, Roy Cady. Um sujeito solitário, recém-diagnosticado com um câncer, que leva a vida trabalhando para um agiota em Nova Orleans. Se a rotina amargurada entre pessoas desprezíveis e trabalhos sujos já não fazia tanto sentido, com a sentença de morte praticamente decretada, passa a fazer menos ainda.

De forma quase milagrosa, Roy escapa de uma emboscada na qual também sobrevive Rocky, uma jovem prostituta. Sem maiores perspectivas, os dois partem rumo a Galveston, sem saber direito por que ou com que objetivo. Ele nutre um sentimento confuso pela garota, que, por sua vez, esconde segredos sob uma aparente fragilidade. Em comum à dupla, o desejo apenas de sobreviver em um ambiente hostil.

No universo de Pizzolatto não há espaço para otimismo. O ar parece constantemente carregado, impregnado pela tensão de que o pior está sempre para acontecer. As palavras são desferidas como os golpes violentos que atingem os personagens, levando o leitor a ser incomodado com uma dor latente, mas que ao mesmo tempo o prende em busca do desfecho.

Como em “True Detective”, há uma conexão direta entre narrador e ambiente, como se os sentidos estivessem diretamente conectados com o solo, as paredes e o clima. Não há heróis ou vilões, há uma brutalidade onipresente, que lembra a história de vida revelada por Pizzolatto em suas entrevistas. “Galveston” é cruel e dolorido, mas de uma intensidade avassaladora.

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