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Carne Fraca

Ministro da Agricultura: “Maior preocupação é perda de mercado e da confiança do consumidor”

Segundo Blairo Maggi, Brasil prestou esclarecimentos à China

  • Rio de Janeiro
  • Agência O Globo
Estratégia do Ministério da Agricultura é mostrar que problemas são isolados e que os produtos nacionais continuam  sendo confiáveis. | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Estratégia do Ministério da Agricultura é mostrar que problemas são isolados e que os produtos nacionais continuam sendo confiáveis. Daniel Castellano/Gazeta do Povo
 
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Além de Estados Unidos e União Europeia, a China também pediu informações sobre o escândalo revelado pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, na sexta-feira. Segundo dados oficiais, 70% das aves consumidas no país asiático vêm do Brasil. Em entrevista, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que o embaixador do Brasil em Pequim, Marcos Caramuru, já prestou esclarecimentos ao governo chinês.

Maggi, que se reúne neste domingo com o presidente Michel Temer, disse ainda que o objetivo do governo é atuar com maior rapidez e transparência possível para reduzir os danos que as irregularidades podem provocar em relação à compra de carne, sobretudo no exterior. O ministro, no entanto, já admite que algum prejuízo será inevitável.

O objetivo dessa reunião com o presidente é criar um gabinete de crise?

Montamos um gabinete de crise no Ministério da Agricultura e estamos permanentemente ligados a este assunto. Conversei com o presidente hoje (sábado), ele me perguntou algumas coisas e decidimos fazer uma reunião amanhã (domingo) para nivelar a conversa com ele sobre as ações que o ministério está fazendo e outra já com as associações que representam os frigoríficos, os produtores, para também alinhar algumas ações com eles em defesa do mercado brasileiro e internacional também.

Quais são as principais preocupações neste momento?

A maior preocupação que eu tenho é a perda de mercado no exterior dos nossos produtos e a perda da garantia ou da confiança do consumidor interno no Brasil.

Além da Europa e dos EUA, algum outro mercado já demonstrou preocupação?

Eu tenho conversado com nosso embaixador na China, o embaixador (Marcos) Caramuru, e ele já prestou esclarecimentos lá. O ministério que cuida da sanidade na China também nos questionou, pediu informações. Todos muito serenos, acompanhando as coisas, mas querendo saber exatamente o que está acontecendo no Brasil. Todos que conversam conosco mostram preocupação, mas ninguém ainda tomou uma decisão drástica contra o Brasil, mas nós temos de ser muito rápidos e transparentes na nossa comunicação e estancar esse assunto onde ele está restrito e checar o resto dos nossos procedimentos e dar garantia absoluta de que não temos outros problemas nessa área.

O senhor acha essas preocupações internacionais podem chegar à produção agrícola?

Não, realmente não. Porque o que está acontecendo é uma coisa pequena dentro do contexto que nós temos. Mas nós temos de atuar com urgência para não deixar isso se alastrar. Não creio que nós tenhamos outros problemas, nosso sistema é forte, robusto, bem desenhado, é reconhecido mundialmente como um serviço de boa qualidade. Só que nós tivemos quebra de comportamento de pessoas, pessoas se corromperam no meio do processo e aí nós não temos muito onde nos agarrar a não ser na Justiça. Obviamente, se o ministério tivesse sabido com antecedência, nós teríamos tomado as providências, mas não recebemos essas informações desses servidores que foram corrompidos ou se corromperam no meio do processo.

O senhor acha possível evitar ainda que haja algum tipo de barreira imposta?

Acho que prejuízo nós teremos, não sei se ao ponto de um embargo total, que eu creio que não, nós temos como comprovar que temos isso restrito. Agora, você sabe como é mercado, mercado se ressente de qualquer notícia, por mais boato que seja ele já se ressente, imagina numa operação onde a própria Polícia Federal do Brasil aponta esses problemas. Ainda quero também questionar, dentro da Polícia Federal, a amplitude disso, das coisas que foram ditas, se efetivamente temos a comprovação de pontos ali ditos. Por exemplo, quando se diz que misturou carne com papelão, não me parece que seja essa a questão, a questão ali está falando da embalagem de produtos, de bandejas que devem ser utilizadas no processo daquela parte da industrialização. Então nós vamos ter de, agora, pegar os laudos da Polícia Federal, pegar os depoimentos que tem e tecnicamente comparar se o entendimento do delegado é o mesmo que nós temos olhando da parte técnica do processo.

O senhor enviou técnicos ao Paraná para acompanhar essa parte judicial?

Já. Nós temos gente desde ontem (sexta-feira) no Paraná acompanhando, tivemos acesso ao inquérito para estudá-lo com toda a tranquilidade para separar aquilo que realmente aconteceu daquilo que se pensa ou se supõe que aconteceu. Porque esse é um assunto muito grave, é um assunto de interesse nacional; afinal de contas, estamos falando de alguns bilhões de dólares de exportação. É uma coisa muito grave para o Brasil essa acusação.

O senhor acha que pode ter havido exagero da Polícia Federal?

Quero primeiro checar. Também não sei se efetivamente aquilo que foi publicado pelos jornais e blogs foi dito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A gente precisa checar isso primeiro e recolocar a informação, a narrativa do que efetivamente está acontecendo.

O senhor já tem alguma estimativa do impacto que isso pode ter na economia?

Não sei o tamanho, mas tenho muito medo do tamanho que pode ter se não estancarmos isso com rapidez e muita transparência. O Brasil é o maior exportador de carnes suínas do mundo, 70% da carne que a China consome de aves é nossa. Um embargo chinês por um problema desses é uma coisa muito grave. Embora, e já levantamos isso, nenhuma das plantas que foram acusadas são exportadoras para a China. Mas o mercado reage a boatos, nem sempre à ciência e às coisas claras. Por isso precisamos ser muito rápidos e transparentes.

Existem de fato funcionários que estariam trabalhando para empresas e seriam do ministério?

Não existe isso, toda a fiscalização é feita por técnicos públicos, não há possibilidade de termos pessoas privadas cedidos por empresas para fazer esse controle. Sempre são servidores públicos.

Como o governo pretende dar segurança para a população brasileira em relação aos alimentos que ela consome?

A mesma preocupação em relação ao público externo temos em relação ao interno. Nós podemos garantir que nossos sistemas são sérios, robustos, que não têm problema. Nós tivemos alguns problemas nesses apontados por corrupção dos servidores públicos. O sistema é muito forte, muito rígido. O que temos de fazer é urgentemente mostrar esse sistema, passar por auditorias esse sistema e garantir ao consumidor brasileiro que ele não corre nenhum risco, nós temos a capacidade de garantir que não tem problema.

O senhor tem acompanhado esse recolhimento de alimentos dos frigoríficos fechados?

Não tenho ainda esses números. Mas as três plantas que foram suspensas não podem mais expedir mercadorias e nós temos, sim, como rastrear os últimos embarques para onde eles foram. Mas ainda não temos como saber se esses produtos ainda estão circulando, e então serão retirados do mercado, ou se já foram consumidos.

E qual a posição do presidente?

Falei com ele na sexta e hoje (sábado). A preocupação do presidente é comprovar que nosso sistema é forte, que os casos são pontuais e garantir à população brasileira que isso não trará problemas a eles. Para mim, esse é um assunto de segurança nacional, não podemos deixar esse assunto matar a agroindústria brasileira, a importância que nós temos e o grande trabalho que foi feito para conquistarmos esse mercado mundial. Muitos concorrentes nossos vão tentar aproveitar a situação para nos sacrificar nesse mercado muito competitivo, mas nós vamos trabalhar para não acontecer isso.

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