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A professora Karine Salazar Stencil, no Pequeno Príncipe: “O atendimento aqui é ótimo, os médicos são cuidadosos, mas a espera mata” |
A professora Karine Salazar Stencil, no Pequeno Príncipe: “O atendimento aqui é ótimo, os médicos são cuidadosos, mas a espera mata”
Saúde suplementar

O plano é pago, mas o atendimento parece cada vez mais com o do SUS

Rede assistencial não acompanha o crescimento da clientela das operadoras. O resultado são longas esperas em pronto-atendimentos e dificuldade para marcar consultas

Quem tem plano de saúde está encontrando atendimento cada vez mais parecido com o do sistema público brasileiro. Guardadas as devidas proporções – a população que depende do serviço público é 3,25 vezes maior que a clientela de convênios –, o paciente de plano enfrenta longas esperas em pronto-atendimentos e dificuldades para agendar consultas e para fazer exames.

Boa parte desses problemas está ligada ao crescimento do número de beneficiários nos últimos anos, em descompasso com o tamanho da rede assistencial. De 2005 a 2011, enquanto o número de clientes de planos cresceu 33% no Paraná, chegando a quase 2,5 milhões de pessoas, a quantidade de leitos fora do SUS aumentou apenas 10% – eram 229 beneficiários por leito, hoje são 277. O número de hospitais privados também caiu no estado nesses sete anos, de 250 para 210, segundo o Datasus.

A manhã e o início da noite são os horários de pico nos pronto-atendimentos privados de Curitiba. Foi próximo das 20 horas que a reportagem encontrou a professora Karine Salazar Stencil, de 36 anos, na emergência do hospital Pequeno Príncipe, semana passada. Ela estava com a mãe e as duas filhas – a menor, de um ano e oito meses, tinha febre. “O atendimento aqui é ótimo, os médicos são cuidadosos, mas a espera mata. Só para registrar a entrada já é meia hora, imagina lá dentro [na espera dos consultórios].”

De acordo com o coordenador da emergência do Pequeno Príncipe, Nilton Kiesel Filho, o aumento na demanda começou a se intensificar no fim de 2010. “Foi quando decidimos manter o atendimento máximo, de oito consultórios, nos períodos com mais movimento”, diz. Foi também em 2010 que o Nossa Senhora das Graças, outro hospital privado que atende crianças na emergência, tomou uma decisão: cortou os adultos do atendimento por planos (com exceção das mães que precisam de serviço obstétrico), dando prioridade aos pacientes infantis.

Médicos versus empresas

Nos dois hospitais, parte dos efeitos sentidos se deve também ao embate de médicos com operadoras por maiores honorários. Alguns profissionais alegam que não estão conseguindo mais manter os consultórios, e por isso fecham os espaços ou optam por privilegiar a clientela particular depois que conquistam um bom número de pacientes. “No caso do pediatra, menos de 1% da demanda resulta em algum procedimento mais caro. A remuneração vem mesmo das consultas, que estão baixas”, comenta Kiesel Filho.

As emergências do Vita Batel e do Sugisawa também têm seus momentos de pico. A jornalista Danielle Milarski ficou três horas no primeiro e duas horas e meia no segundo, no dia seguinte, para conseguir ser diagnosticada. “No primeiro dia tive de sair antes de ser atendida porque tinha horário para buscar meus filhos na escola. No Sugisawa tive de voltar ao plantão três horas depois para confirmar o diagnóstico de traqueobronquite com os exames, que não ficariam prontos antes. É uma espera cansativa”, desabafa.

“Eu compreendo que a pessoa que procura o hospital quando não consegue marcar uma consulta, mas o paciente não urgente realmente vai esperar uma hora ou mais”, comenta o diretor regional do Vita, José Octávio da Silva Leme Neto. Segundo ele, mais de 80% dos pacientes que procuram os pronto-atendimentos da rede são classificados com as cores azul e verde, que significam pouca ou pouquíssima urgência no sistema de triagem.

Colaborou Igor Castanho, especial para a Gazeta do Povo

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