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Antonio Costa/ Gazeta do Povo

Antonio Costa/ Gazeta do Povo / Alunos do Colégio Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes jogam xadrez em um tabuleiro gigante: desenvolvimento da memorização, concentração, raciocínio e lógica Alunos do Colégio Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes jogam xadrez em um tabuleiro gigante: desenvolvimento da memorização, concentração, raciocínio e lógica
Aprendizagem

Xeque-mate em sala de aula

O jogo de xadrez é adotado como conteúdo nas escolas e auxilia no aprendizado das outras disciplinas

15/09/2009 | 00:03 |
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Os olhos estão fixos num mesmo ponto. A cada lance, o grupo adversário se reúne e pensa na melhor solução para a próxima jogada. Con­centração, silêncio e atenção re­do­­brada são essenciais nesta partida de xadrez gigante. A atividade é monitorada por um professor e ocorre dentro de uma escola. “Quero ser a dama”, gritam dois alunos interessados em se transformar na peça mais forte do jogo.

Gigante ou do tamanho tradicional, jogar xadrez faz parte da atividade extra do Colégio Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes, em Curitiba. O xadrez também aparece integrado ao currículo de Educação Física em grande parte dos colégios no Paraná, da rede pública e privada.

Alunos reconhecem benefícios

Crianças e adolescentes que praticam xadrez na escola há algum tempo reconhecem os benefícios do jogo para o aprendizado. Para o estudante da 4.ª série Lucas Nacif Giacomin, 10 anos, adquirir paciência foi um dos principais ganhos. Lucas recebe aulas do jogo desde os 5 anos de idade. “Falo muito e sou muito agitado. O xadrez me ajudou a prestar mais atenção e fazer as coisas com mais calma”, diz.

A concentração ficou melhor na opinião do estudante do 3.º ano George William Lokang, 8 anos. “É um jogo que tem de usar muito a inteligência”, diz. Para Pedro Paulo Leal de Medeiros, 12 anos, campeão de xadrez em seu nível no Colégio Dom Bosco, o grande benefício é a melhoria na capacidade de concentração. “Consegui prestar mais atenção nas aulas”, diz. Pedro Paulo está na 6.ª série e tem aulas de xadrez desde os 7 anos de idade. Para a coordenadora de Educação Física do Dom Bosco, Rachel Fontoura dos Santos Lima, um dos principais benefícios da prática do xadrez é ensinar a lidar com o fracasso ou sucesso. “É preciso ter um plano estratégico. Quem observa melhor o jogo e tem uma visão do todo, se sai melhor”, afirma. (TD)

História

O jogo do xadrez representa uma guerra antiga, disputado entre dois jogadores que movem inicialmente 16 peças, num tabuleiro composto por 64 casas. A posição inicial, nome e valor das peças representam o contexto histórico da Idade Média. Rei, Dama, Cavalo, Torre, Bispo e Peão são personagens que representam a sociedade da época. O objetivo do jogo é atacar o rei do adversário de uma forma que não haja lance legal que evite sua captura. Quem conseguir, aplica o “xeque-mate” e vence o jogo. A ideia do xadrez na escola surgiu na Rússia pós-guerra, nos anos 50, que mais tarde passou a produzir campeões em série neste tipo de jogo. Na mesma época, países como Bélgica e Zaire desenvolveram estudos científicos e descobriram que o xadrez melhorava as capacidades numéricas, verbais e cognitivas em geral. Nos anos 70, pesquisadores da Venezuela e dos Estados Unidos realizaram estudos no ambiente escolar e chegaram à conclusão de que o aprendizado dos alunos submetidos à prática do xadrez é mais duradouro.

Nas 175 escolas da rede pública municipal de Curitiba e nas 2,1 mil escolas da rede pública estadual do Paraná, o xadrez faz parte do conteúdo de Educação Física. O mesmo ocorre nos colégios Dom Bosco. Nos colégios Bom Jesus pode aparecer como atividade extra ou integrado ao currículo, dependendo da sede. Já nas escolas Positivo, o conteúdo aparece nas aulas de Educação Física até o 3.º ano do ensino fundamental. Depois é oferecido como atividade extra e gratuita.

Incluir o jogo de tabuleiro mais antigo do mundo como ferramenta pedagógica traz inúmeros benefícios às crianças, ressaltam os educadores. O principal ganho é cognitivo. Ajuda no desenvolvimento de capacidades como memorização, concentração, raciocínio e lógica.

Para a diretora do ensino fundamental da rede municipal de educação de Curi­tiba, Nara Luz Salamunes, uma das vantagens é a participação em campeonatos. “A criança se vê em situação permanente de desafio, pois precisa desenvolver diferentes estratégias. Sem contar que é algo que dá prazer”, afirma.

Na opinião do professor de xadrez do Bom Jesus Nossa Senhora de Lourdes, Fábio Corrêa Volpe, o jogo também auxilia a desenvolver organização e responsabilidade. “O xadrez nos ensina que não adianta só pensar naquele momento, mas na consequência que o movimento escolhido trará depois. É assim na vida”, ressalta.

Um melhor desenvolvimento do raciocínio lógico e matemático é a aposta das escolas Positivo para investir na prática do xadrez desde o 1.º ano do ensino fundamental, segundo o supervisor de Cultura e Esportes Zair Cândido Netto. “Tem também a questão cognitiva, mas o objetivo principal é fomentar a Matemática”, diz.

Já na rede municipal de ensino de Curitiba, a aposta é no ganho que o xadrez traz por si só. “Não aliamos a uma área do conhecimento específica”, ressalta Nara. Um projeto específico é oferecido aos alunos interessados no contraturno escolar. São 78 escolas municipais que oferecem o xadrez fora do horário normal de aula.

Ferramenta

Até a metade de 2010, um conteúdo específico sobre o jogo irá integrar o livro didático público para o ensino fundamental da rede pública estadual. O livro existe para os estudantes do ensino médio do Paraná como material de apoio aos livros didáticos enviados pelo Ministério da Educação. É produzido por professores da própria rede estadual.

O autor do conteúdo de xadrez, Osni Zioli, professor de Educação Física em Pato Branco, no Sudoeste do estado, ressalta que o uso do xadrez nas escolas vai além do desenvolvimento cognitivo das crianças. Relacionar a história do jo­­go com temáticas sociais, momentos históricos e questões de gênero. “A contextualização dá vida ao xadrez”, afirma.

Um dos exemplos usados pelo professor é a questão de gênero que está por trás da dama, a mais forte do jogo. Segundo Zioli, até a Europa renascentista, o nome dado à peça era conselheiro do rei. “Depois que foi mudado, a própria regra do xadrez foi alterada por questões religiosas. Antes, o jogador que chegasse com um peão no fim do tabuleiro tinha o direito de pegar um ou mais conselheiros. Depois, só podia escolher a dama uma vez”, explica.

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