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Avaliação

Enem serve para medir a qualidade da escola?

Na opinião de especialistas, famílias não devem usar o ranking como único critério para escolher escola

  • Tatiana Duarte - educacao@gazetadopovo.com.br
Segundo educadores, a escolha do colégio do filho deve levar em conta as características da família e não somente o resultado no Enem |
Segundo educadores, a escolha do colégio do filho deve levar em conta as características da família e não somente o resultado no Enem
 
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As notas obtidas pelas escolas a partir do desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), não devem servir como parâmetro de qualidade. Na opinião de especialistas em Educação, o Enem não revela a realidade e não pode ser usado como único parâmetro na escolha de escola para os filhos.

De acordo com a superintendente do Instituto Unibanco e doutora em Educação Wanda Engel, os resultados do Enem não servem para avaliar a qualidade de ensino oferecida pelas escolas, pois a prova não é universal nem obrigatória a todos os estudantes. Ela ressalta que em algumas instituições pouquíssimos alunos fazem as provas. “Sabemos que algumas escolas escolhem seus melhores alunos para fazer a prova e ficarem bem nos rankings”, diz. Na opinião de Wanda, só faz o Enem quem tem a intenção de ingressar na universidade. “Ainda não temos uma avaliação fidedigna da etapa final da educação básica”, ressalta. Para ela, também não se pode avaliar que as escolas da rede pública são ruins, a partir do resultado do exame. “Nos últimos anos vemos uma estagnação nas notas das escolas particulares e um avanço nas escolas públicas”, ressalta.

Porém, de acordo com o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, mesmo que o Enem não seja universal e sem a média com correção de participação, que ocorria nas versões anteriores do exame, é possível fazer uma boa leitura a partir dos resultados por escola, divulgados ontem. De acordo com ele, na apresentação dos resultados há informações sobre o total de concluintes matriculados na escola e os que efetivamente participaram do Enem. “As famílias, os educadores e os gestores poderão analisar os resultados e, com essas análises, partir para uma mobilização em prol da melhoria da qualidade da educação”, analisa.

Apenas um indicador

Na opinião de outros três educadores, o Enem deve ser usado apenas como indicador. Para a psicopedagoga Maria Irene Maluf, a posição da escola no ranking do Enem é apenas um dos elementos a serem observados, com um peso de apenas 10% na escolha. “O importante é selecionar escolas que tenham o perfil educacional da família e com um método adequado para o perfil da criança”, diz. A psicopedagoga ainda ressalta que fatores como nível pedagógico, formação dos docentes, estrutura curricular e os tipos de avaliações feitas pelas escolas são itens importantes a serem observados.

A diretora do curso de Peda­­gogia da Pontifícia Univer­sidade Católica do Paraná (PUCPR), Maria Sílvia Bacila Win­keler, ressalta que a avaliação é apenas um item da educação e lembra que há fatores como a gestão de escola, qualidade do corpo docente e trabalho pedagógico que não são medidos nesse exame. “As famílias não devem depositar o sucesso ou insucesso escolar na escola que escolher. Cada família deve ser parceira da instituição escolar. Escola boa é aquela em que seu filho é feliz como estudante”, ressalta.

Para o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR), Ademar Batista Pereira, o Enem é apenas um indicador e deve ser analisado com cuidado. “Antes de usar o resultado do Enem para escolher a escola, os pais precisam tentar descobrir o que querem para os seus filhos. A boa escola deve ser um espelho da família”, afirma.

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