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Especial

Temas que são tabus devem ser tratados em salas de aula

Sexualidade, drogas, violência, preconceito, diversidade cultural, morte: estes são alguns exemplos dos temas transversais, assuntos normalmente espinhosos ou tabus, que devem ser tratados de forma obrigatória nas salas de aula

  • Anna Simas
Os estudantes Eduarda Martins e Matheus Ion, da 6ª série da Escola Viver têm de cuidar de uma boneca. O objetivo é que eles simulem como seriam as consequências de uma gravidez precoce. A atividade faz parte das discussões dos temas transversais, importantes para a formação dos alunos e, em alguns casos, difíceis de serem abordados |
Os estudantes Eduarda Martins e Matheus Ion, da 6ª série da Escola Viver têm de cuidar de uma boneca. O objetivo é que eles simulem como seriam as consequências de uma gravidez precoce. A atividade faz parte das discussões dos temas transversais, importantes para a formação dos alunos e, em alguns casos, difíceis de serem abordados
 
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Temas que são tabus devem ser tratados em salas de aula

Uma das mais frequentes preocupações dos pais é como abordar determinados assuntos com seus filhos. Sexo, drogas, violência, preconceito e morte costumam causar certo embaraço na hora de conversar. Mas a pergunta constante entre os familiares é a quem cabe esse tipo de orientação, aos pais ou à escola.

Desde 1997, os chamados temas transversais – ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural – são obrigatórios no currículo escolar, mas cada instituição de ensino pode optar pela forma de abordá-los em sala de aula.

De acordo com a socióloga, especialista em sexualidade e professora da Universidade Positivo, Eliane de Oliveira, é papel da escola ajudar os pais a discutir os temas em casa e trabalhar a própria resistência deles em lidar com essas questões. Quando a família não sabe exatamente como tocar no assunto, deve procurar os professores para trocar ideias e ver a melhor forma de agir. “A escola deve desafiar os pais a terem um olhar diferente sobre sexualidade, propondo atividades para os filhos que façam os pais pensarem se estão agindo de forma conservadora”, afirma.

Mas, segundo a so­­cióloga, alguns assuntos, especialmente a sexualidade, ainda são tabus, em casa e em sala de aula, e o papel do homem e da mulher ainda é pouco discutido pelos professores. “O trabalho é superficial, falta capacitação dos docentes para lidar com o assunto.”

Embora a sexualidade seja considerada o tema mais delicado, outros como preconceito e morte, também nem sempre contam com um bom preparo do professor para lidar com o assunto, pois de acordo com a especialista em psi­­cologia social e professora de pedagogia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Tânia Maria Baibich Farias, to­­­dos se sentem assustados diante de algumas questões. “É natural que nem sempre o professor saiba a melhor forma de tratar, pois alguns temas são dificuldades individuais”, diz Tânia.

Nas escolas particulares, os temas são tratados nas disciplinas de Por­tuguês, Biologia, Ciências e História, e nas públicas aparecem divididos por módulos. Na prática, programas específicos, atividades extracurriculares, debates e palestras são desenvolvidos para abordar esses temas.

Para as famílias, as orientações da escola ajudam na conversa que é feita em casa. É o caso da costureira Maria de Fá­­ti­­ma No­­­gueira, mãe do Or­­lando, 11 anos, que não sabia como falar sobre sexualidade com o filho em casa. Como Orlando nasceu bem mais tarde que suas outras filhas, que já são adultas, Maria não se sentia à vontade para responder às perguntas do filho. “Minha sorte é que a escola (Colégio Positivo) tem um programa específico sobre sexualidade, feito fora do horário de aula e ele pediu para participar. Lá pode tirar suas dúvidas, o que me deixou bem mais tranquila”, conta. Orlando também vê o assunto durante o período normal de aula em outras disciplinas, mas é no programa que se sente mais confortável para fazer perguntas e tirar as dúvidas.

A professora da 4.ª série do ensino fundamental do Co­légio Bom Jesus, Jucemara da Costa Car­valho, conta que costuma trabalhar de maneira natural a sexualidade, sem mostrar cara de espanto quando algum aluno faz pergunta e sem dar margem aos risinhos que aparecem. “Nas primeiras vezes as crianças ficam encabuladas, dão risada uma das outras. Mas depois de umas três vezes elas se acalmam e acabam tratando como algo normal.”

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