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Leonardo Bonassoli

Receitas de sucesso do interior

Texto publicado na edição impressa de 06 de março de 2012

Várias vezes, entrevistan­do dirigentes de hoje e de ontem, ouvi o mesmo diagnóstico: “Não se faz futebol sem dinheiro”. Isso é verdade, mas merece um adendo meu: não se faz futebol sem dinheiro bem gasto. Claro que sem dinheiro é difícil levar uma equipe à glória, mas são bem comuns os casos de fracassos milionários. O Chelsea e sua rotatividade de técnicos está aí para servir de exemplo negativo.

Essa máxima pode ser aplicada no Campeonato Paranaense. As quatro equipes de fora de Curi­­tiba mais bem colocadas na classificação geral, as mais fortes pela briga pela final do interior e até pelo título do turno, se destacam assim: podem não ter nem de longe o dinheiro da du­­pla Atletiba, mas estão à frente da maioria dos pares.

O Cianorte e o Arapongas têm aproveitamento de campeão ca­­so jogassem um campeonato de pontos corridos equilibrado, mas não é o caso do nosso Es­­ta­­dual. O Leão do Vale é o claro ca­­so de uma sequência de trabalho com recursos bem aplicados, es­­pecialmente do ramo do vestuário. A máxima do trabalho do ti­­me é exemplificada por Adir Kist, ex-goleiro da própria equipe, que virou gerente de futebol assim que pendurou as chuteiras. “Temos de pensar como

o Co­­ritiba e gastar como o Cia­­nor­te”. A filosofia fez o time de Paulo Turra ficar a uma unha do título do 1.º turno.

Tinha um Arapongas no meio do caminho na última ro­­dada. O Alviverde do Norte é o principal rival do Cianorte pelo posto de melhor do interior e tem 100% de aproveitamento no 2.º turno. A receita é a mesma de 2011, só que aprimorada.

Naquela oportunidade, o ti­­me quase foi para a final do interior. O forte apoio da indústria moveleira da cidade, que tem 100 mil habitantes, e a aposta em nomes de fora do cenário estadual na equipe transformou o Arapongão num time difícil de bater. Estava sumido do cenário estadual há décadas, agora co­­meça a ser temido.

O Toledo tem o caminho opos­­to do Arapongas na montagem do time: apostou em nomes locais e não tem tantos recursos. De uma crise há dois anos, quando caiu e quase foi vendido, o Porco subiu e apostou numa ba­­se sólida. Pode ter reencontrado a fórmula que o fez ter destaque no Estadual misturando garotos e gente que conhece os atalhos. Foi uma evolução lenta na competição, mas é mais um que entrou na briga.

Quem vem com força e promete complicar os adversários é o Londrina. É um misto dos outros três times: mesclou gente conhecida com al­­gumas caras diferentes. Conta também com bons re­­cursos. Depois de um 1.º turno irregular, fez duas partidas sólidas contra Atlético e Paranavaí. Na primeira, o Tu­­barão foi um trator quase o tempo inteiro. Na segunda, de­­finiu e administrou. Tem um elenco de respeito e é mi­­nha aposta para ser o desafiante no 2.º turno aos times da capital. Chega a lembrar um pouco aquele de 1992: chegou de mansinho e foi abocanhando os adversários na reta final.

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