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Maracanã vira Sapucaí e Rio se despede com grande festa da Olimpíada de 2016

  • Da redação com agências
Após um carnaval no gramado do Maracanã, fogos para marcar o encerramento dos Jogos | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Após um carnaval no gramado do Maracanã, fogos para marcar o encerramento dos Jogos Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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Os olhos sorriam porque a boca precisava gritar. Depois de 19 dias de competições, a Olimpíada do Rio terminou em clima de alto-astral, na noite deste domingo (21), no estádio do Maracanã, com muita dança, música e espírito de carnaval.

Depois de uma irretocável festa de abertura, a cerimônia de encerramento tentou aplacar a saudade já instalada na cidade com a valorização do espírito carioca, ou seja, aquele que, mesmo diante de adversidades, sabe manter o entusiasmo.

GALERIA: veja imagens da festa

Figura emblemática na abertura, o aviador Santos Dumont surgiu novamente na festa deste domingo (para desespero dos norte-americanos que não o aceitam como Pai da Aviação), agora na contagem regressiva de dois momentos: o início da cerimônia e o fim da Olimpíada.

Criador do relógio de pulso, Santos Dumont foi recebido pelo chorinho Odeon, de Ernesto Nazareh. As boas-vindas foram completadas por uma enorme imagem do Pão de Açúcar, desenhada no palco que, por sua vez, trazia as famosas curvas do calçadão de Copacabana. Natureza e ocupação urbana - outra referência da abertura, reafirmada no encerramento: a necessidade de se manter um adequado equilíbrio.

Para evitar um didatismo chato, o assunto foi tratado à base de música, com Martinho da Vila homenageando grandes compositores (como Noel Rosa, Pixinguinha e Braguinha) ao cantar os clássicos Carinhoso e Pastorinhas.

A melodia das canções serviu de ponte para o primeiro ato cívico da festa, a execução do Hino Nacional do Brasil. Cumprida a obrigação, a festa recebeu seus principais convidados - atletas das 207 delegações tomaram as cadeiras postadas no gramado. As bandeiras foram carregadas por medalhistas, como o canoísta Isaquias Queiroz, representando o Brasil.

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Carmem Miranda foi homenageada durante cerimônia JOHN MACDOUGALL/AFP

Jovens pedem um ritmo animado, o que foi providenciado pela música eletrônica do DJ Dolores e a Orchestra Santa Massa, além do DJ Mika Mutti, que fundiu a sonoridade eletrônica com percussão de raiz. Sim, era preciso não se esquecer da referência brasileira, homenageada por Roberta Sá interpretando Carmen Miranda. A Pequena Notável, de fato, exibia as curvas e as cores que orgulham o Brasil, detalhes lembrados ainda pelo tecido de renda e pela elegância das obras do paisagista Burle Marx.

Com todos atletas em cena, a festa de encerramento foi usada para o lançamento do Canal Olímpico, plataforma digital gratuita que vai exibir programação própria e também eventos esportivos ao vivo. A primeira ação foi mostrar um vídeo com atletas olímpicos dançando.

Emoção é um elemento essencial em uma festa de despedida. Como a lembrança de atletas já mortos. A reverência veio acompanhada do poema Saudade, criado por Arnaldo Antunes. A palavra, aliás, foi projetada na plateia em diversos idiomas. Emocionante também foi relembrar as conquistas dos atletas ao longo da Olimpíada em imagens no telão.

Despedida

A cerimônia chegava ao final. O prefeito do Rio de Janeiro e a governadora de Tóquio trocaram bandeira olímpica e a cidade japonesa já revelou que a tecnologia será seu forte.

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Mensagem de agradecimento com destaque para o “obrigado” em português e japonês Albari Rosa/Gazeta do Povo

“Nós te amamos, brasileiros. Muito obrigado, cariocas. Parabéns, Brasil”. Foram com essas palavras que o presidente do COI, Thomas Bach, abriu o seu discurso na cerimônia de encerramento no Maracanã. “Suas alegrias esquentaram nossos corações”, completou.

Bach também fez questão de agradecer os refugiados, que participaram dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história. “Obrigado aos atletas refugiados, Vocês nos inspiraram com seu talento e espírito. Vocês são símbolo”, disse. Ele ainda disse que os Jogos foram “maravilhosos da cidade maravilhosa”. “A história falará sobre um Rio de Janeiro de antes dos Jogos e de outro depois”, finalizou.

Para marcar de vez a passagem do bastão, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, entrou no Maracanã à la Super Mario -- o super-herói dos games criado pela japonesa Nintendo. Assim começou a passagem de bastão do Rio para Tóquio, que sediará a Olimpíada em 2020. A partir daí a festa ficou altamente tecnológica: animações mostraram exemplos dos 33 esportes em disputa e a reprodução do beira-mar de Tóquio.

Passados os discursos oficiais, o Rio se despediu com seu principal produto de exportação: o carnaval. O domingo, na verdade, teve um indisfarçável gosto de quarta-feira de cinzas.

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