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Carneiro Neto

Queimando a marca

Texto publicado na edição impressa de 19 de setembro de 2012

O maior patrimônio de uma empresa é a sua marca, cujo prestígio foi conquistado através dos tempos pela qualidade do produto, respeito ao consumidor, publicidade inteligente e outros artifícios consagrados pelo marketing.

Pois a seleção brasileira de futebol, uma das marcas mais conhecidas e mais respeitadas do planeta, há alguns anos vem emitindo sinais de desgaste. Tudo porque, na volúpia de faturar muito em cima da imagem positiva daquele que durante décadas foi considerado o melhor time do mundo, aquele que revelou maior número de excelentes craques e que, por isso mesmo, conquistou a maior quantidade de títulos, a CBF banalizou as exibições do escrete nacional.

Amistosos para atender a interesses políticos de governantes ou presidentes de federações dentro do país; amistosos para atender a compromissos assumidos com patrocinadores no exterior; e afastamento dos maiores centros para evitar vaias, somadas à queda de padrão técnico dos jogadores com o acúmulo de insucessos da seleção, começaram a queimar a marca.

Após as vaias em São Paulo, durante a má apresentação diante da África do Sul, e um refresco no Recife, na goleada histórica sobre a China, a seleção foi recebida em Goiânia com protestos de torcedores que chamaram o técnico Mano Menezes de “burro” e os jovens craques Neymar e Lucas de “mercenários”. Fruto da perda da medalha de ouro de forma bisonha para o México, na final olímpica em Londres.

Pelo menos os confrontos com a Argentina podem representar alguma coisa que lembrem verdadeiros testes.

O que se passa

Caminhando pelo parque Barigui ou pelas ruas da cidade a pergunta é uma só: “O que se passa?” Os torcedores dos três times querem saber o que está acontecendo de errado.

Objetivamente, lhes digo que no Paraná Clube é mais do mesmo: recursos financeiros escassos, dirigentes esforçados e dificuldade para realizar os sonhos da torcida. Na realidade, o principal objetivo foi alcançado, que era voltar à Série A estadual e, agora, é segurar-se mais um ano na Série B nacional.

No Atlético, as coisas melhoraram, comparando com o que estava acontecendo no início: Jorginho indicou a maioria dos jogadores, foi mandado embora por causa do “fedido” e a batata quente caiu de novo no colo do professor Drubscky. A equipe evoluiu, mas precisa esforçar-se bem mais para retornar ao seu lugar.

No Coritiba, não adianta apenas elogiar Neymar, é preciso enxergar com lentes reais as graves falhas da zaga mais vazada do campeonato. Vá lá que no primeiro gol Neymar barbarizou, mas, no segundo, além de o goleiro ter rebatido a bola para o meio da área, não havia nenhum zagueiro na cobertura para atrapalhar o atacante santista. Sem esquecer que a meia-cancha não desarma, apenas cerca, e o ataque continua perdendo muitos gols.

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