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são paulo

Para inibir sexo na rua, moradores fotografam clientes de prostitutas

Imagens circulam nos grupos de WhatsApp. Quem se sentir lesado pela exposição, poderá acionar a Justiça, mas é pouco provável ter êxito

  • Folhapress
Imagem do Jardim Parque Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo: manifestantes reclamam contra prostituição na região | Wiki Commons/Reprodução
Imagem do Jardim Parque Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo: manifestantes reclamam contra prostituição na região Wiki Commons/Reprodução
 
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Moradores do Jardim Parque Nossa Senhora do Carmo, no Parque do Carmo (zona leste de São Paulo), espalharam faixas pelo bairro ameaçando divulgar nas redes sociais as placas dos veículos de clientes de travestis e prostitutas que atuam na região. As fotografias dos carros já estão circulando nos grupos de WhatsApp dos moradores.

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Quem vive no entorno do parque do Carmo diz que o bairro tem muitas famílias. “Bairro familiar. Basta de pornografia em nossas ruas! Estamos divulgando as placas nas redes sociais”, dizem os cartazes e as faixas.

Além disso, os moradores fazem uma ronda pelas ruas à noite, em grupos com cerca de dez pessoas. Ao avistar um carro com um cliente e uma travesti ou uma prostituta, param em frente ao veículo e estendem uma faixa com os dizeres “bairro familiar”. De acordo com eles, a ação começou há um ano e ajudou a reduzir a prostituição no bairro.

Segundo os moradores, o problema são as travestis que, dizem, muitas vezes ficam seminuas perto de uma escola. “É importante ressaltar que não é uma questão homofóbica. Elas têm todo o direito de fazer o que quiserem, mas que façam nos locais apropriados. Muitas vezes chego em casa e não consigo estacionar porque minha rua virou uma balada”, diz a analista tributária Priscila Lemos, 44.

Os moradores também reclamam da sujeira que, segundo eles, é deixada pelas travestis. Eles dizem que é comum vê-las fazendo suas necessidades nas ruas. Também é possível encontrar preservativos usados. “Isso constrange ainda mais as crianças e adolescentes que estudam na escola do bairro”, diz Priscila. “Tudo o que dá para fazer, estamos fazendo. Mas de uns meses para cá, diminuímos as rondas, e elas estão voltando. Vamos intensificar”, diz.

Segundo o advogado criminalista Adib Abdouni, a ação dos moradores não é crime, praticar sexo na rua configura ato libidinoso, e quem se sentir lesado por ter sido exposto nas redes sociais pode procurar a Justiça, mas é pouco provável ter êxito. “Não que publicar seja correto. O ideal seria fotografar e passar essas informações para as autoridades, e que elas fizessem uma investigação”, diz.

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Sem crise

Uma travesti ouvida pela reportagem diz que o movimento de clientes caiu após a ofensiva dos moradores. Para Kate (nome fictício), 19, não chega a existir uma crise, “porque não existe crise na prostituição”. Porém, em vez dos dez programas que ela costumava fazer diariamente, hoje faz em média sete, ganhando cerca de R$ 1.000 ao dia.

Ela considera ofensivo fazer sexo na rua. “É mesmo uma afronta, os moradores estão certos porque existem locais adequados para isso.”

Mas Kate vê preconceito na ação dos moradores. “Do mesmo jeito que eles ganham o dinheiro deles, temos direito de ganhar o nosso”, diz.

Para ela, a ação no Parque do Carmo contém um falso moralismo. “Muitos destes moradores que fazem isso são meus clientes”, afirma.

A Polícia Militar afirmou que “analisa as informações passadas pelos moradores para reorientar o policiamento preventivo no bairro”.

Segundo a PM, o patrulhamento é feito por meio de diversas ações, entre elas a ronda escolar, policiamento de motos e comunitário.

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