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Em vários embates ríspidos que teve com o juiz Sergio Moro durante depoimento nesta quarta-feira (10), em Curitiba, o ex-presidente Lula disse que a Operação Lava Jato forçou testemunhas a incriminá-lo no processo sobre o tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. Nas considerações finais, declarou que é “vitima da maior caçada jurídica que um presidente já teve”.

VÍDEO: Assista a trechos do depoimento do ex-presidente Lula

Antes, próximo à segunda metade da audiência, reclamou da conduta da Lava Jato. “O que aconteceu nos últimos 30 dias, doutor Moro, vai passar para a história como o mês Lula. Porque foi o mês em que vocês trabalharam, sobretudo o Ministério Público, para trazer todo mundo para falar uma senha chamada Lula. O objetivo era dizer Lula. Se não falasse Lula, não valia”, disse o ex-presidente, no começo da segunda metade da audiência.

Segundo o petista, Moro e os procuradores da operação ouviram 73 testemunhas sobre o caso, grande parte da acusação, mas nenhuma realmente o “incriminou” durante os depoimentos. Pouco depois, Moro perguntou se Lula se achava que existia uma “conspiração” contra ele. Lula respondeu que não, mas que estava “atento” à condução do processo.

“Delatar virou alvará de soltura”

Na continuação da resposta, Lula fez críticas às negociações que envolvem as delações premiadas. Citou o caso do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, testemunha-chave do caso tríplex. Disse que o empresário, condenado a 23 anos de prisão, quando vê na televisão a “vida de nababo” em que vivem os delatores, se sente pressionado a delatar. “Delatar virou alvará de soltura dessa gente. Tenho acompanhado, estou atento, estou percebendo e vou discutir em algum momento do contexto, baseado em um Powerpoint, mal feito e mentiroso da operação Lava Jato.”

Falta de Deltan

Ao falar sobre o Powerpoint apresentado no ano passado pelo coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, Lula reclamou da sua ausência na audiência desta quarta-feira. “Ele deveria estar aqui para ele explicar aquele famoso powerpoint. Aquilo é uma caçamba onde cabe tudo. Não está julgando o Lula pessoa física, mas o Lula presidente da República. E isso eu quero discutir.”

Moro abriu depoimento dizendo que não tem desavença pessoal com Lula

Ao falar na abertura do depoimento, Sergio Moro disse que não tem desavença pessoal com o ex-presidente e frisou que a acusação é feita pelo Ministério Público Federal. “O que vai determinar o final são as provas e a lei. Eu sou o juiz. Estou aqui para ouvi-lo e proferir julgamento ao final do processo”, disse o juiz da Lava jato.

O magistrado avisou também a Lula que não haveria nenhuma possibilidade de o ex-presidente ser preso durante o depoimento e que haveria perguntas difíceis, o que é “natural do ato judicial”. “O objetivo é esclarecer a verdade e ‘oportunizar’ que o senhor tenha uma resposta para cada pergunta”.

“Para quem quer falar a verdade não tem pergunta difícil”, respondeu Lula.

Indicações

Em um momento da audiência, Moro pergunta ao ex-presidente se ele não tinha conhecimento dos crimes praticados pelos ex-diretores da Petrobras indicados por ele. “Não. Nem eu, nem o senhor, nem o Ministério Público, nem a Petrobras, nem a imprensa, nem a Polícia Federal. Todos nós só ficamos sabendo quando foi pego no grampo a conversa do Youssef com Paulo Roberto”, responde Lula.

“Eu indago ao senhor porque foi o senhor que indicou o nome deles ao Conselho de Administração da Petrobras. É uma situação diferente da minha, que não tenho nada a ver com isso”, responde Moro.

“Foi o senhor que soltou o Youssef e mandou grampear. O senhor deveria saber mais do que eu”, rebate Lula.

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